Futuro

Mais pobres eram quase metade dos visitantes do Museu Nacional

por: Vitor Paiva

Se a tragédia que destruiu o Museu Nacional deflagram como tragédia ainda maior o descaso do estado com a ciência, a pesquisa e os aparelhos culturais, um dado revelado após o incêndio mostra que, como de costume, os mais prejudicados ficam do lado debaixo da pirâmide social brasileira: segundo uma pesquisa da professora Andrea Costa, do Observatório de Museus e Centros de Ciência e Tecnologia, 46% dos frequentadores do Museu Nacional possuíam renda baixa, entre 1 a 3 salários mínimos. A informação se refere aos anos de 2017 e 2018.

O número de frequentadores de baixa renda cresceu 13% de 2013 até o incêndio, chegando a quase metade ao fim. Nos dias e horários de entrada gratuita, tal estatística subia para 56,6% dos frequentadores vindos de classes mais baixas. Junto de tal levantamento, a pesquisa também levantou o perfil dos frequentadores, e concluiu que 55% se declaravam pretos ou pardos.

O Museu Nacional, antes e durante o incêndio

Cerca de 71% dos frequentadores visitavam o museu em família, com filhos e netos, e faziam da visita um programa para a família toda. Lazer, interesse pelos temas e curiosidade eram os principais motivadores das visitas. Sabemos que, junto do desprezo pela cultura, a ciência e pesquisa – que, consequentemente, desprezam também o próprio futuro do país – o Brasil, em especial o atual governo, despreza o interesse dos mais pobres. Logo, lamentavelmente, tais informações também ajudem a compreender o justo descaso oficial que destruiu o museu.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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