Debate

Matéria do IPEA de 2007 já falava em ‘museus à beira de um ataque de nervos’

por: Redação Hypeness

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é um órgão ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Criado em 1964, tem entre suas atividades o fornecimento de suporte técnico e institucional às ações do governo para a realização de políticas públicas e programas de desenvolvimento.

Há mais de 10 anos, o grupo emite alertas sobre os riscos vividos por instituições museológicas brasileiras. Em um longo relato, o Ipea apontou as condições degradantes atravessadas pelos mais de 2 mil museus do Brasil. Entre eles estava o Museu Nacional, destruído após incêndio no domingo (2).  

A principal reclamação era a falta de recursos e profissionais capacitados. “Atualmente, 76 [museus] estão com as portas fechadas. As esperanças do setor estão depositadas no Sistema Brasileiro de Museus, um novo regime de gestão que começou a ser implantado em 2003”.

O Museu Nacional também foi vítima da burocracia

A novidade não surtiu efeitos práticos. Uma década depois, o Brasil ganhou mais mil museus e assistiu a deterioração de espaços simbólicos como o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo – vítima de um incêndio em 2015 e o Museu do Ipiranga, que precisou fechar as portas diante do risco eminente de desabamento.

O caso do Museu Nacional deu contornos ainda mais trágicos para a história e provocou o desligamento do presidente do Instituto Brasileiro de Museus. Após dois anos, Marcelo Mattos Araújo entregou o cargo. O Ibram é o braço executivo do Sistema Nacional de Museus.

Durante a gestão de Mattos, segundo o Ministério da Cultura, foram autorizados R$ 4 milhões para a reforma de instituições como os museus Nacional de Belas Artes e da República, no Rio de Janeiro. Não houve menção ao Museu Nacional do Rio.

Voltando para o ano de 2007, o Ipea assinalava que “das 2.285 unidades distribuídas no país, 76 estão com as portas fechadas,enquanto outras centenas convivem com o fantasma da crise”.

Entre os citados pelo Ipea estava o Museu de Arte de São Paulo. Dono do maior acervo de arte moderna da América Latina, o Masp enfrentava problemas financeiros na casa dos 10 milhões de reais. Em 2006, teve a energia elétrica e telefone cortados por falta de pagamento.

Em 2006, o Masp teve a energia e o telefone cortados por falta de pagamento

Em entrevista à Folha de São Paulo em 2014, Luiz Marques – curador do museu nos anos 1990, apontou a existência de um ‘clube fechado’ no caminho dos avanços.

“É a estrutura do Masp que é inviável. Está nas mãos de uma sociedade fechada, administrada como se fosse um clube, o que não é compatível com seu acervo. Há um isolamento do museu, que ficou sem conexão com os artistas, com as universidades, um quadro de desinteresse geral embalado por surtos de indignação”, encerrou.

Porém, para Cristiana Tejo, ex-diretora do Museu Municipal de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), no Recife (PE), o problema mora na boa e velha burocracia. Ela aponta a existência de um trâmite lento, impedindo a viabilização dos dos recursos vindos de órgãos governamentais. “A verba institucional geralmente só cobre as despesas básicas e a programação anual e não dá para fazer obras de manutenção”, relata.

O próprio Museu Nacional esbarrou nestes entraves. Em 2014, a instituição conseguiu liberação de R$ 20 milhões junto à União. O valor nunca chegou aos cofres do museu da Quinta da Boa Vista em função de uma ausência de obrigação no repasse do valor de emendas de bancada.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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