Debate

Novela da Globo cria polêmica com estupro após acusações de machismo, racismo e lesbofobia

por: Redação Hypeness

As coisas não andam nada bem para a novela Segundo Sol. Antes de estrear, o folhetim exibido pela TV Globo, foi alvo de denúncias sobre a presença ínfima de negros.

A novela, escrita por João Emanuel Carneiro, se passa em Salvador – cidade com 80% da população formada por afrodescendentes, mas, aparentemente, o fato não foi levado em consideração.

A postura, considerada racista, motivou até um processo da Unegro (União de Negro pela Igualdade). A presidente Ângela Guimarães exigiu uma postura das televisões em relação à representatividade. O Ministério Público do Trabalho afirmou que tomará o mesmo caminho. 

O que disse a Globo? Bom, a emissora recorreu aos nomes de peso como Dennis Carvalho, para informar que não existe qualquer tipo de postura racista. Na verdade, a rede de TV sempre prezou pela igualdade racial. Então tá.

Tem certeza que essa novela é ambientada na Bahia?

Não quero a obrigação. É feminista, tem que ter negro, tem que ter não sei o que. Não. As cobranças são maiores hoje. Ótimo. Mas não vou colocar um personagem por obrigação, disse Carvalho, diretor artístico de Segundo Sol.  

Agora uma nova polêmica. Um dos únicos personagens negros, Roberval, interpretado pelo ator Fabrício Boliveira, será acusado injustamente de estupro por sua sobrinha. Nas redes sociais, as pessoas criticaram o que chamam de desserviço. Afinal, já que as mulheres ainda lutam tanto para validarem suas denúncias, qual a razão de ‘fantasiar’ com o assunto?

Outro ponto levantado questiona a construção do personagem de Roberval. Na trama, ele esbarra em diversos estereótipos racistas, como atitudes violentas e ausência de humanidade. Assim como no caso de estupro, o problema não está colocar um homem negro para interpretar um vilão. O problema se dá quando esta se torna a única alternativa.

Acusar Roberval de falso estupro não complica a luta contra o machismo?

Vocês se lembram da história entre Rubinho e Sabiá na novela A Força do Querer? Pois é, na trama global, o personagem de Jonathan Azevedo (preterido por João Emanuel Carneiro), vivia a figura clássica do homem negro aos olhos da televisão. Sabiá era um traficante, que desfilava empunhando sua metralhadora e correntes de ouro. Rubinho, interpretado por Emílio Dantas, também estava no tráfico, entretanto, mostrava um lado muito mais humanizado. Ele tinha família, filho e esposa.

Em ‘A Força do Querer’ o homem negro, mais uma vez, foi vítima de estereótipos

Calma que tem mais. A participação de Nanda Costa esbarrou em um intenso debate sobre lesbofobia. Depois de assumir para a família que era lésbica, a personagem Maura está apaixonada por um homem. Estaria a novela flertando com a ideia de ‘cura lésbica’?

Ao contrário do que se possa imaginar, não existe uma tentativa de censura, mas qual o fetiche da TV brasileira em não romper com estereótipos quando estas discussões ganham força?

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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