Arte

O dia que Salvador Dali ‘criou um sonho’ para um filme de Hitchcock

por: Vitor Paiva

Segundo a Wikipédia, o filme Quando Fala o Coração, dirigido por Alfred Hitchcock em 1945, conta a história da “linda e fria Dra. Constance (vivida por Ingrid Bergman)”, uma “psiquiatra que conhece muito bem o ser humano, ao menos era o que pensava até conhecer o sinistro Dr. Anthony (vivido por Gregory Peck) que foi nomeado como substituto do diretor da clínica psiquiátrica Green Manors, onde ela trabalha”. Trata-se, portanto, de um thriller de suspense peculiar à obra de Hitchcock, mas com uma exótica pitada de psicanálise e das teorias do inconsciente humano. Logo, como não poderia deixar de ser, o filme traz uma sequência que ilustra um sonho.

Gregory Peck e Ingrid Bergman

Num misto de jogada publicitária e aposta artística, o produtor do filme decidiu convocar um outro artista que também trabalhava com as profundezas de nosso inconsciente: o pintor surrealista Salvador Dalí.

Acima, Dali no set de filmagem; abaixo, o diretor e o pintor

Chamado para desenvolver justamente a sequência do sonho, Dalí criou com Hitchcock uma incrível sequência de 20 minutos. Começando em uma casa de apostas, o sonho segue para um telhado em uma floresta, para encontrar com Bergman como a deusa Diana em um salão com pianos pendurados no teto.

Quando viu, no entanto, o produtor decidiu que a sequência era complexa demais, e decidiu corta-la quase toda, deixando restar somente 2 minutos.

Frustrado, Hitchcock aceitou a exigência do produtor, e boa parte dessa inusitada e inacreditável parceria acabou no chão da sala de edição, longe da imortalidade do cinema. Há, porém, ainda assim a sequência de poucos minutos que interrompe a trama lógica, científica e exata do filme em uma surreal e impactante narrativa. É difícil, porém, não sonhar com como seriam os mais de 15 minutos que desapareceram do filme, e que melhor significavam esse encontro de gênios.

Publicidade

© fotos: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Mulheres fazem cinema: as diferentes formas de ser mulher hoje segundo a 7ª arte