Ciência

O pouco que sobrou: Faça aqui uma visita virtual ao Museu Nacional antes do incêndio

por: Vitor Paiva

O obscurantismo, os cortes em investimentos culturais e o descaso geral com a cultura, a história e a ciência promoveram o mais sombrio capítulo da história da produção científica no Brasil no último domingo. O incêndio que destruiu o Museu Nacional e a maior parte de seu acervo representa uma tragédia tão grande para o país e seu futuro que parece que a última esperança queimou junto com o acervo do museu. Para quem um dia visitou o palácio na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, resta somente lembrar da instituição científica mais antiga do Brasil e do maior acervo de história natural da América Latina.

Um vídeo publicado no canal do museu no YouTube oferece ao menos a possibilidade de uma visita virtual ao prédio e ao acervo que se destruiu. Publicado em 2015, o vídeo de 13 minutos traz dois então estudantes da UFRJ contando a história do Museu e sublinhando sua importância enquanto visitam suas salas.

Segundo a descrição, trata-se de uma “visita medidada ao Museu Nacional – UFRJ que resume e guia o espectador pelas salas históricas e peculiaridades dessas exposições científicas que refletem [na época de publicação] 196 anos de conhecimentos”.

O museu ardendo e, abaixo, o prédio após o incêndio

Disponibilizado pela Seção de Assistência ao Ensino do Museu Nacional, o objetivo do vídeo era de ajudar educadores e alunos na área de história natural. No ano em que o museu completa 200 anos, no entanto, quando deveríamos estar celebrando tal data e investindo pesadamente para preservar suas 20 milhões de peças, tal vídeo banal deixa de ter somente a função pedagógica e passa a ser um importante documento da destruição da história do Brasil – e, com isso, de uma imensa parte de seu futuro.

Partes do acervo do Museu – como o mais antigo fóssil das Américas, acima

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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