Roteiro Hypeness

Rolê rural: como é passar a noite em um camping de luxo

por: Mari Dutra

São 20 minutos de estrada de chão até o nosso destino. O sinal do celular há tempos já não funciona, mas o GPS persiste nos guiando até o Parador Casa da Montanha, um hotel com espaços estilo glamping em Cambará do Sul (RS).

De Porto Alegre, são três horas de viagem. Na chegada, somos recebidos com um chá da tarde, em que waffles e café nos esperam quentinhos para enfrentar temperaturas próximas de zero.

Reestabelecidas as energias, um funcionário do hotel nos guia até nossa barraca, uma estrutura de lona aparentemente simples, mas que faz jus às diárias de cerca de R$ 400 cobradas pelo espaço nesta época do ano.

As comodidades são dignas de hotel: kit de amenidades com itens da L’Occitane (marca que também assina o spa do Parador), robes personalizados, aquecedor, lencóis térmicos e uma televisão, que pode ser usada para ver um dos DVDs selecionados na filmoteca à disposição na recepção. Há ainda uma área comum com chuveiros, esteiras e uma jacuzzi que reutiliza a água do rio que corre perto dali.

Quando começo a pensar no conforto do espaço, quase isolado em meio à natureza, ouço um barulho na porta. Será que é o vento?

A batida continua e vejo quem é: uma das funcionárias do hotel nos traz um bombom, assinado pela marca de chocolates de Gramado Prawer, e um bilhete com a previsão do tempo para o dia seguinte. A máxima esperada é de 8°C. ❄️

– Também gostaria de saber se vocês irão jantar e se gostariam que preparássemos a cama antes de dormir

Vamos jantar, sim. E é aí que uma nova experiência começa, no restaurante Alma RS.

Com ingredientes locais, o espaço oferece um cardápio sazonal variado, com pratos a partir de R$ 40. Para os vegetarianos, há opções de massas e um risoto de cogumelos selvagens, mas são os carnívoros os principais contemplados pelo menu.

Isso é um arancino de doce de leite com sorvete de queijo

Pato, javali ou cordeiro. Tudo tem ali, como se fosse um lembrete de que, aos sábados, o almoço servido é um churrasco com uma farta mesa de acompanhamentos, que vão de uma releitura da tradicional salada de batatas feita com batata bolinha e maionese de leite até uma moranga que quase se desmancha ao ser cortada. A costela, comenta o assador, é um Aberdeen Angus que vem de Gramado diretamente para a grelha do Parador, onde passa horas no fogo.

Para digestão, cachaças curtidas artesanalmente ficam à espera dos hóspedes na saída do restaurante, como se estivessem na prateleira da casa de uma família do interior do estado. A de butiá, frutinha típica gaúcha, promete casar perfeitamente com a gastronomia pampeana servida no local.

Poucos passos separam o restaurante da área das barracas, mas o caminho é suficiente para perceber que o vento aumentou e quase nos arrasta até nossa cabana. Quando deito, vejo que o lençol já estava aquecido: a camareira entrou ali e fez a gentileza de ligar o lençol elétrico, que desligo antes de adormecer vendo um filme de Chaplin – a obra completa do diretor faz parte da filmoteca, acrescentando um toque a mais de nostalgia à hospedagem.

Durante a noite, é como se dormíssemos mais em um barco do que em uma barraca. A cabana balança com o vento, que nos embala até cairmos no sono, interrompido pela luz que entra pela fresta das janelas que esquecemos abertas.

Podia ser madrugada, mas são quase 10 horas e minha próxima missão é provar o café da manhã, que tem uma área dedicada às comidas sem glúten, muitas frutas e uma mesa infinita com carboidratos que parecem saídos da casa de uma nonna italiana.

Só pra constar: tem jacuzzi quentinha na área de banho do hotel

Uma vaca também toma café da manhã. Ela passa pela janela pastando calmamente e vai caminhando em direção às barracas, depois ruma para o spa, onde todos os tratamentos são certificados pela L’Occitane en Provence.

A vaca é acompanhada de mais duas, três, talvez outras ainda. É no próprio spa que denunciam: os animais vêm da propriedade vizinha, uma fazenda, e pulam o cercado para pastar nas áreas do hotel. Dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde, mas eu acho que elas buscam mesmo são as mordomias oferecidas pelo Parador.

Nossa hospedagem no Parador Casa da Montanha foi oferecida como cortesia pelo hotel em conjunto com a B4Tcomm.

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Fotos: Mariana Dutra


Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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