Ciência

Se você soubesse quantas bactérias os secadores de mãos espalham ficaria enojado

por: Vitor Paiva

A realidade esconde segredos aterrorizantes onde menos esperamos – e aquilo que parece que irá nos salvar é o que, em verdade, nos derruba. Pode parecer uma premissa filosófica profunda ou o início do argumento de um filme de terror, mas em verdade estamos falando de secadores de mão. Uma pesquisa recente comprovou que essa supostamente amistosa atração dos banheiros é uma verdadeira fábrica de bactérias, espalhando germes e infecções em potencial.

O experimento foi realizado em três banheiros hospitalares, nas cidades de Leeds, na Inglaterra, Paris, na França, e Udine, na Itália, ao longo de 12 semanas. Os banheiros foram utilizados por pacientes, funcionários e visitantes dos hospitais, e dividido em duas etapas: inicialmente os banheiros só ofereciam papeis toalha e, depois de uma pausa de duas semanas, passaram a oferece os secadores. Tal processo de troca foi realizado três vezes, enquanto amostras de ar e fragmentos nas superfícies eram coletadas.

O resultado, publicado no Journal of Hospital Infection, revelou que a quantidade de bactérias no ar e nas superfícies era radicalmente maior quando os banheiros ofereciam os secadores de mão – em Udine, o número aumentou em 100 vezes, enquanto em Leeds foi 33 vezes maior, e em Paris, 22 vezes.

Tudo começa pelo fato de que muita gente não lava direitos aos mãos, e assim os próprios secadores se contaminam – e passam a espalhar suas bactérias. A conclusão objetivamente sugere que os secadores de mão não são apropriados para ambientes hospitalares, e que normas sanitárias devem ser estabelecidas em tais casos.

É claro, porém, que a conclusão também atinge outros banheiros, e aponta que, para além do eventual prazer do vento quente nos secando a mão, tais aparelhos estão em verdade desfazendo todo o trabalho que fazemos com água e sabão. Ao invés de concluir nosso processo de higienização, eles mais atuam como verdadeiros sprays bacterianos.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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