Debate

Vendas da Nike crescem 31% após propaganda com atleta ativista ‘barrado’ na NFL

por: Vitor Paiva

Quando contratou o zagueiro de futebol americano Colin Kaepernick para ser o garoto propaganda da campanha dos 30 anos do slogan “Just Do It”, a Nike sabia que estava entrando em campo polêmico. Colin, afinal, se popularizou no mundo todo nos últimos anos por protestar contra o racismo e a violência policial contra a população negra nos EUA durante o hino nos jogos de seu time. A polêmica se deu, muitos protestos contra a empresa aconteceram, mas pelo visto a jogada deu certo: a empresa recebeu em 24 horas mais de 43 milhões de dólares em exposição na mídia.

Colin Kaepernick

Como forma de protesto, Colin passou a não se levantar durante a execução do hino americano, rendendo reações furiosas até mesmo do presidente Donald Trump. Chamar Colin para a campanha fez sentido, portanto, para a Nike: junto da celebração pelo icônico slogan – que, em tradução livre, significa: “apenas faça” – a frase que coroa a campanha diz “Acredite em algo, mesmo que isso signifique sacrificar tudo”.

Acima, a imagem da campanha; abaixo, um outdoor com Colin em Nova Iorque

Quando o jogador foi anunciado como rosto da campanha da Nike, as primeiras reações negativas contra a marca foram extremas, com vídeos e relatos de pessoas rasgando e até queimando produtos da Nike. Um dia após o lançamento da campanha, porém, os resultados foram muito melhores do que o esperado.

Colin e companheiros de time em protesto durante o hino

Além da exposição milionária que a empresa conseguiu com a polêmica envolvendo a campanha, outros dois fatores comprovaram o sucesso da empreitada: as reações negativas iniciais revelaram-se discretas diante de uma vasta reação positiva diante da campanha, e as vendas online da empresa cresceram em 31%. Assim, mesmo em um cenário trágico como a atual realidade politica e social dos EUA na era Trump, é reconfortante confirmar que não só a liberdade de expressão – e, portanto, de protesto – são valores importantes, como a violência policial contra a população negra é uma causa pela qual vale a pena lutar.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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