Debate

Votação global que pode legalizar caça a baleia acontece no Brasil

por: Redação Hypeness

Pela primeira vez, a Comissão Baleeira Internacional, composta por 80 países, está em Florianópolis para discutir uma possível legalização da caça comercial de baleias e golfinhos.

O encontro acontece cercado de polêmica e expectativa, já que em função da forte pressão exercida por países como Japão e Noruega, a caça a baleias pode ser legalizada depois de três décadas de proibição.

A busca incessante pelas maiores espécies do animal marinho causaram reflexos irreversíveis para a humanidade e muitas foram caçadas até a extinção. O massacre era permitido até 1986, ano em que a caça comercial foi vetada.

A autorização da caça pode causar um desastre ambiental sem precedentes

Desde então, Japão, Noruega e Islândia – países com forte tradição baleeira, estão pressionando o órgão para a legalização da prática, o que evidentemente está tirando o sono de ambientalistas. Para estas nações, já está na hora de revogar a decisão. Eles dizem ainda que o estabelecimento de cotas anuais de captura não vão colocar as baleias em risco.

Não é o que pensam os defensores dos direitos dos animais, que se concentram em Florianópolis protestando contra a possível liberação. Os representantes das entidades argumentam que a proibição trouxe resultados positivos, como a recuperação dos grupos de baleias jubarte e franca no Brasil.

Apenas em Santa Catarina, 284 baleias franca foram vistas navegando no litoral em 2018. Em outras regiões como a Bahia, os registros também foram positivos, fazendo deste o maior número desde o início da contagem há 31 anos.

“A poluição dos mares e a própria mudança climática vem fazendo com que haja outros impactos e somar esses impactos à caça da baleia novamente podia colocar a perder o que se ganhou de pouco nesses 32 anos de moratória”, afirmou ao G1 o diretor do Instituto Baleia Jubarte José Truda Palazzo.

Lobby da caça

No entanto, os dados de 12% de crescimento anual apresentado pelos ambientalistas, não são suficientes para demover os países favoráveis ao retorno dos arpões. Para convencer a Comissão Baleeira Internacional, o Japão necessita de 75% dos votos. No passado, o país asiático foi acusado pela organização ambientalista Greenpeace de oferecer ajuda econômica em troca do apoio de membros da comissão.

Apesar do ceticismo de alguns grupos sobre a revogação do veto, a Comissão Internacional Baleeira já aprovou a caça de mil baleias para fins de subsistência indígena na Rússia, Estados Unidos, Dinamarca, Groenlândia e  St. Vincent & Grenadines. O governo brasileiro se absteve.

A carne de baleia começou a ser consumida em massa no Japão por causa da escassez de alimentos ao fim da Segunda Guerra Mundial. No entanto, nas últimas três décadas o consumo está caindo e atualmente apenas 4% das pessoas diz comer o alimento de vez em quando. Ora, então por que voltar a caçá-las?

O Japão é um dos principais defensores da caça a baleias

A razão pela insistência mora no lobby exercido pelos defensores da prática no Congresso. Em troca de empregos bem remunerados, parlamentares garantem a passagem de projetos benéficos para a indústria baleeira. Por causa da relação de compadres, o Instituto para Pesquisa de Cetáceos está reintroduzindo a carne nas merendas escolares. A ideia é conquistar o paladar infantil para ampliar o mercado de consumidores.

No caminho contrário, o Brasil defende a criação de um santuário para baleias e golfinhos no Oceano Atlântico, precisamente entre a África e a América do Sul. Porém, assim como em outras ocasiões, a proposta não atingiu os votos necessários para a aprovação.

“Vamos trabalhar em outras reuniões dessa comissão no próximo ano para que o santuário seja, enfim, criado”, explicou o ministro do Meio Ambiente Edson Duarte.

José Truda Pallazzo Jr, membro Instituto Baleia Jubarte e um dos propositores do santuário, manifestou pesar pelo insucesso do projeto encabeçado por Brasil, África do Sul, Uruguai, Argentina e Gabão.

A proposta do Brasil de criar um santuário de baleias e golfinhos foi negada

“Uma vez mais a proposta para criar um Santuário de Baleias do Atlântico Sul foi bloqueada pelo bloco de países pobres reféns da pressão econômica do Japão na Comissão Internacional da Baleia. Apesar de obter, como em vários anos anteriores, uma maioria de votos, a proposta precisaria de 3/4 de votos para ser aprovada. Foram 39 votos favoráveis, 25 contrários e três abstenções”, protestou.

Não pense que durante 30 anos o Japão deixou de caçar baleias. Desde a proibição, o país busca um jeito de burlar as regras e seguir com os assassinatos. Autoridades japonesas falam em um ‘abate sem dor’ e até inventaram um instituto de pesquisa que mata, em média, de 300 a 400 animais por ano. Nem as baleias grávidas escapam.  

Pela vida das baleias

O eminente risco da quebra de um acordo regulatório estabelecido em 1946, quando a caça a baleia em nível global começou a ser regulada, provocou a ira de ambientalistas, que invadiram a cidade de Florianópolis.

Ao longo de toda a semana, a CIB foi alvo de protestos de ONGs internacionais e ativistas locais. No último domingo (9), representantes dos países baleeiros foram recebidos com protestos  de membros da ONG Sea Shepherd Conservation Society ainda no aeroporto internacional Hercílio Luz.

Os protestos tomam conta das ruas de Florianópolis

Foram promovidos também debates da Universidade Federal de Santa Catarina, uma remada na Praia do Matadeiro, além de protestos na porta do Costão do Santinho Resort, onde está sendo realizado o encontro e a exibição The Cove, no Boteco da Lomba, ponto de passagem para o resort.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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