Debate

Assassinato de mestre de capoeira por declarar voto ao PT e o ódio que precisamos conter

por: Redação Hypeness

Romualdo Rosário da Costa era chamado assim apenas pelos que não conheciam seu trabalho. Moa do Catendê cai melhor para quem se beneficiou com as ações propostas pelo artista, sobretudo com o grupo de afoxé Amigos do Catendê.

Mora foi morto a facadas no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador. O artista levou 12 golpes de faca por ter votado no PT e apresentado sua postura contrária ao candidato Jair Bolsonaro (PSL).

O caso aconteceu por volta da meia-noite no Bar do Jão, que fica no Dique Pequeno. Moa bebia ao lado do irmão, quando se envolveu em uma discussão política. Segundo testemunhas, o Paulo Sérgio, autor do crime, chegou com os ânimos exaltados e quando tudo parecia calmo, ele desferiu os golpes com a faca.

Moa acreditava na cultura. Foi morto pela falta dela.

Ao Correio da Bahia Reginaldo, irmão de Moa, disse que o capoeirista expôs críticas ao plano de governo de Bolsonaro depois que o autor do assassinado defendia o candidado do PSL.

Moa ponderou que era negro e que o cara ainda era muito jovem e não sabia nada da história. Moa disse ainda que ele tinha consciência do quanto o negro lutou para chegar onde chegou e o quanto Bolsonaro poderia tirar essas conquistas se chegasse ao poder”, declarou Reginaldo.

O capoeirista tinha viagem marcada para São Paulo na segunda-feira (8) para se apresentar com grupo de afoxé Amigos do Catendê. Uma das filhas de Moa, Jesse Mahi, afirma que pai defendia ideias do PT, mas nunca se meteu em discussões políticas.

A Fundação Gregório de Mattos – um dos principais órgãos de cultura da Bahia, lamentou o ocorrido. Por meio de nota, o presidente Fernando Guerreiro citou o radicalismo e a intolerância como fatores decisivos. “O agitador cultural Moa do Katendê, idealizador e um dos fundadores do afoxé Badauê, defensor das causas ligadas à comunidade preta da cidade. Figura pacífica, foi esfaqueado por defender sua ideologia política. Espero que não estejamos caminhando para a barbárie.”

Paulo Sérgio foi preso pelos policiais da 26ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Brotas) e segundo os policiais, caiu diversas vezes em contradição, mas não demonstrou arrependimento.

“Ele já estava com uma mochila com roupas no intuito de fugir”, informou a Corporação.

Ódio

As Eleições estão marcadas por um surgimento de manifestações de ódio. Há pouco tempo no Rio de Janeiro, os candidatos do PSL protagonizaram uma cena de intolerância e desrespeito. Rodrigo Amorim e Daniel Silveira  – candidatos eleitos, destruíram uma placa de rua homenageando a vereadora assassinada no Rio, Marielle Franco.

O próprio candidato à presidência estimulou discursos de ódio nos últimos tempos. Bolsonaro disse que a deputada federal Maria do Rosário “não merecia ser estuprada” e que ter tido uma filha mulher significava uma “fraquejada”. O postulante também foi vítima da intolerância e acabou esfaqueado durante campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Publicidade

Foto: Reprodução


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
SP vai multar em R$ 5 mil quem distribuir panfletos nas ruas