Roteiro Hypeness

Cachoeiras, trilhas e fazendas: descubra o que fazer em Brotas, no interior de SP

por: Brunella Nunes

Quem vive na babilônia que é São Paulo precisa sair para respirar um ar puro de vez em quando e não enlouquecer de vez. A cerca de três horas da capital, Brotas é conhecida pelo turismo de aventura, reunindo cachoeiras, trilhas e fazendas que abraçam o contato com a natureza. O Hypeness teve um final de semana intenso entre as Cuesta Basálticas da cidade, percorrendo mais de 600 km em apenas três dias.

Um dos pontos mais positivos da administração é que o turismo, tido como a atividade econômica mais importante, é extremamente organizado e elaborado de forma sustentável. “Uma coisa importante na questão da preservação da natureza é a questão da Política Municipal do Turismo Sustentável Lei Ambiental, que virou referência nacional e a Lei do Voucher Turístico, que entrou em vigor em 2015, fazendo um controle de acesso completo dos passeios”, argumentou o secretário de Turismo, Fábio Pontes, ao Hypeness. “Não é apenas uma fonte de renda da Prefeitura, mas exige dos empresários um estudo de impacto ambiental para saber, por exemplo, quantas pessoas podem entrar nas cachoeiras dentro das propriedades particulares. A consciência deles é um ponto muito importante. Os ecoparques são todos bem cuidados e as leis são seguidas a risca”.

Recentemente foi fechado um acordo de R$ 2 milhões com o governo do Estado para ampliar a estação de tratamento de esgoto, já que o rio Jacaré-Pepira, o mais relevante da região e um dos afluentes do Tietê em melhores condições, tem atualmente 89% de pureza ao longo de sua extensão. Num lugar onde o café e a cana-de-açúcar desmataram boa parte, o turismo e a geração de novas fontes de renda ajudam a afastar um pouco esse fantasma. Segundo Fábio, hoje todas as plantações que envolvem o agronegócio respeitam as áreas de preservação permanentes.

Apesar de contar com algumas pousadas e hostels na região central, Brotas tem boa parte das opções de hospedagem em áreas mais afastadas. Porém, estão mais próximas de parques e atrativos naturais, o que facilita a vida de quem viaja em família e com filhos pequenos. Agora quem quer conhecer boa parte de seus atrativos vai precisar pegar a estrada e percorrer alguns quilômetros a mais.

Indo além da hospedagem, as propriedades rurais voltadas à visitação unem seus esforços para oferecer experiências um tanto distantes de quem vive na cidade grande, passando pela culinária caipira, café rural, colheita do fruto no pé, ordenha de leite de vaca, cavalgadas, amostra de uma casa típica de fazenda, que foi transformada em museu, e outras vivências da cultura do campo. Chegamos numa sexta-feira a noite no isolado Hotel Fazenda Primavera da Serra, que reúne tanto o turismo rural quanto o ecológico, tendo logo ao lado o parque Viva Brotas.

Ocupando um terreno reflorestado de mais de 700 mil m², o lugar fica numa parte alta, com vistas muito bonitas, especialmente ao entardecer. Preservando as características originais, a antiga fazenda de café foi totalmente restaurada, fazendo da tulha um espaço literário bem aconchegante, enquanto os chalés ocupam as casas antigas da pequena comunidade que se formou ali em outros tempos. No restaurante, muita fartura. A comida é feita no fogão a lenha, valorizando produtos artesanais e de fabricação própria, com opções para vegetarianos.

É impossível não dar uma olhadinha nos animais da fazenda, que são uma forma educativa para crianças e adultos aprenderem mais sobre eles. O contato com eles é possível em várias propriedades de Brotas, mesmo que você nem esteja lá para isso.

Com as energias reabastecidas, é hora de liberar um pouquinho de adrenalina e seratonina. Em termos de aventura, há uma porção de coisas a fazer, como boia-cross, canionismo, rapel, arvorismo, tirolesa, caminhada na natureza, cachoeirismo, cicloturismo, cavalgada, quadriciclo, passeios off road, circuito cable, caiaque e queda livre. Ao todo, são 20 cachoeiras com infraestrutura turística – algumas adaptadas para quem tem mobilidade reduzida -, localizadas dentro de sítios que foram se ajustando ao longo do tempo para se tornarem ecoparques, excluindo a chance de acesso gratuito. A visitação é hoje a atividade mais realizada em Brotas, que recebe cerca de 250 mil pessoas por ano.

A nossa primeira parada foi o Ecoparque Cassorova (entrada a R$ 70 por pessoa), a 26 km de distância do centro. Com trilhas fáceis e pavimentadas, o local reúne restaurante, piscina, mirantes, tirolesa (R$ 158 com day use), e arvorismo (R$ 118 com day use). Mas o principal mesmo são as cachoeiras! Cartão postal de Brotas, a Cassorova tem uma queda 60 metros de altura, vista através de uma ponte ou de sua base, acessada por um caminho de 200 metros. Numa passagem atrás da queda d’água fica a chamada “hidromassagem”, onde é impossível não se molhar. A pedida ideal para um dia ensolarado.

Numa outra trilha, de 1.500 metros, fica a cachoeira dos Quatis, igualmente cercada por uma bela paisagem com remanescentes centenárias da Mata Atlântica. O banho é liberado em ambas, mas lembre-se de levar tênis ou sapatilha Neoprene, porque há muitas pedras no fundo.

Outro ecoparque que visitamos é o Recanto das Cachoeiras, que dá acesso a três quedas: Cachoeira Santo Antônio, Cachoeira das Lebres e a Cachoeira da Roseira. Além disso, funciona como espaço de lazer, com trilhas, travessia suspensa, arvorismo, playground, entre outros. A localização privilegiada oferece ainda mirantes cênicos muito bonitos para contemplar. O restaurante serve comida típica da fazenda preparada no fogão a lenha.

Em 1996, Brotas começou a oferecer o passeio rafting, atividade que levou os esportistas da região para competições mundiais e que ainda é a mais movimentada segundo dados da Secretaria do Turismo. Em 2017, foram mais de 44 mil participantes, mesmo ano em que o município bateu recorde de turistas. Como não poderíamos perder essa oportunidade, embarcamos com o Batata, da agência Ecoação, nessa jornada.

O rafting que fizemos num trecho do rio Jacaré-Pepira é mais leve e até quem tinha medo de água curtiu o rolê. As quedas dão uma emoçãozinha boa e haja braço para remar: foram cerca de oito quilômetros de percurso! Há paradas para mergulho e flutuação com o colete salva-vidas. O passeio é bem divertido e seguro.

Outro ponto de visitação crucial, que ajuda a colocar Brotas na rota turística paulista, é a nascente Areia que Canta, a menina dos olhos da antiga Fazenda Tamanduá, que hoje dá lugar ao hotel e complexo de ecoturismo Areia que Canta. As visitas, sempre monitoradas, custam de R$ 55 a R$ 90 por pessoa, dependendo a época do ano.

Com o fundo totalmente coberto de quartzo, essa joia ambiental é uma enorme surgência de água cristalina e borbulhante do Aquífero Guarani, formando uma piscina natural no meio da mata nativa. O esfregar da areia com as mãos emite um som semelhante a uma cuíca, daí surgiu o nome do lugar. Por volta das 16h a superfície parecia mais um espelho refletindo as árvores ao redor quase com perfeição.

Sob a forte incidência de luz solar, a cena muda para um azul intensamente claro, quase hipnotizante. Para sua preservação, é indicado que não se entre no local, pois as pisadas podem danificar ecossistema. Cientes do nosso papel, ficamos apenas admirando os pequenos detalhes, os peixinhos e molhando os pés na borda. Mas, quem quiser, pode fazer flutuação com uso de colete.

Recentemente, Brotas passou a oferecer, também balonismo, atendendo a demanda de quem ansiava também contemplar cachoeiras, o Rio Jacaré-Pepira, as cuestas e outras belezas naturais do município de um ângulo privilegiado. A nova atração é oferecida em três modalidades de voo: panorâmico, livre e romântico. Por enquanto, os voos panorâmicos e livre são oferecidos em um final de semana por mês, previamente agendado.

Além da aventura

Com a terceira idade avançando nos números de visitantes da região, Brotas também quer despontar em outros setores além da aventura, com a ideia de abrigar pessoas também durante o outono e o inverno. Embora as fazendas já cumpram parte desse papel, há outras coisas legais para se fazer, incluindo festivais e eventos que acontecem, pelo menos, uma vez por mês.
Um dos passeios mais interessantes é o CEU - Centro de Estudos do Universo, que abriga o mais moderno observatório e planetário da América Latina, que aproxima o público do estrelado céu de Brotas.

 

Na região central, vale a pena dar um pulo no Parque dos Saltos, que é gratuito. A paisagem reúne represa, cachoeira, trilhas de baixa complexidade e antiga casa de máquinas da usina hidrelétrica, do início do século 20. Seguindo pelas atividades com custo zero, a dica é espiar os espaços expositivos. Parte do antigo legado da produção cafeeira se fixa no Museu do Café, enquanto o Museu do Caipira, se encarrega de mostrar um pouco da história da roça, tendo ainda como atrativo um mini alambique de produção de cachaça.

Para escapar das garras da fome, Brotas é também um prato cheio, reunindo 62 estabelecimentos gastronômicos. Tivemos a oportunidade de provar o premiado sanduíche de linguiça de pernil artesanal, requeijão de corte caseiro e tomate do Alex Silva Lanches, que é realmente delicioso! Os outros lanches são bem servidos e, ao que tudo indica, tão bons quanto esse.

Como chegar:

Acesso Rodoviário via São Paulo ou do Aeroporto de Viracopos: Saída pela Rodovia dos Bandeirantes seguir até Cordeirópolis - Km 168, entrar à direita na Rodovia Washington Luís (sentido São Carlos/São José do Rio Preto). Seguir pela Rodovia Washington Luís até o KM 206B, entrar à direita (seguir placas Jaú/Brotas) pela SP 225 - Rodovia Paulo Nilo Romano. Seguir 40 km até a
entrada de Brotas.

Para quem vai de ônibus, procure pelo Expresso Prata e pela Viação Piracicabana .

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*O Hypeness viajou a convite da Secretaria Municipal de Turismo de Brotas

Fotos por © Brunella Nunes e Fábio Feltrin


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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