Ciência

Como a ciência entende e explica o ódio que se espalhou nas eleições

Vitor Paiva - 23/10/2018 | Atualizada em - 25/10/2018

Diante de tanto ódio disseminado pela polarização extrema que as eleições vem provocando não só no Brasil mas pelo mundo, muitas vezes parece que ainda estamos nas cavernas, disputando como primatas quando debatemos – e, para a ciência, a explicação para a disseminação de ódio é basicamente essa. Segundo um neurologista americano, somos mais intolerantes do que gostamos de admitir, e a explicação em nosso cérebro vem de nosso ancestralidade mais primitiva.

Autor do livro Tribos Morais – A Tragédia da Moralidade do Senso Comum, o neurologista americano Joshua Greene, da Universidade de Harvard, defende que nosso cérebro não foi projeto para viver em grupos complexos, nos quais temos que conviver com quem pensa diferente da gente – e vemos tais diferenças como ameaças em potencial. Em compensação, sentimos prazer e somos recompensados com dopamina quando ouvimos alguém repetindo algo em que acreditamos. É como se essa pessoa que pensa como a gente fosse de nossa família – e que pudesse nos proteger.

O neurologista Joshua Greene

Quando entramos em temas mais espinhosos e que dialogam justamente com nossa sobrevivência – como sexo e morte – , as coisa se intensifica ainda mais. Por maior que seja o triunfo do córtex em nosso cérebro, ainda estamos, segundo Greene, um tanto nas cavernas, e tais temas despertam justamente nossa relação com o futuro, a morte, a reprodução, a sobrevivência. Isso, aguçado pelas bolhas criadas nas redes sociais – nas quais convivemos menos e pior justamente com quem pensa diferente – e a receita do ódio está pronta.

A conclusão, portanto, é que ainda não atualizamos nosso cérebro completamente para o convívio complexo com grupos ou pessoas que pensem diferente – e seguimos desesperadamente tentando sobreviver. Se não procuramos saídas para o isolamento das redes sociais, e não investirmos na razão para pensarmos como construir um mundo melhor, seguiremos nos relacionando – e votando – como primatas.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutor em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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