Matéria Especial Hypeness

Como morar no Uruguai: Tudo o que você precisa saber antes de arrumar as malas

por: João Vieira

Sem tem uma coisa (dentre muitas) que as Eleições de 2018 despertaram na gente foi a vontade de arrumar as malas e deixar o Brasil. O país vive uma clara tensão política que coloca a sociedade em enfrentamento, e isso não é de hoje. Com a eleição de Jair Bolsonaro como Presidente da República, esse enfrentamento tem chances de ficar cada vez mais intenso.

Assim, a ideia de viver em um país com anos recentes marcados pela aprovação de pautas progressistas parece atraente. E quer saber? O caminho para realizar esse objetivo pode ser mais simples do que se imagina.

Antes, vamos recapitular os últimos anos do Uruguai?

O país se tornou vanguardista desde que Pepe Mujica foi eleito Presidente da República em 2010. No cargo por cinco anos, o agricultor realizou uma administração minimalista no ponto de vista de luxos e marcada pela execução de uma reforma social considerável. Com Mujica, o Uruguai legalizou o aborto, regulamentou o consumo recreativo de maconha e legitimou o matrimônio igualitário. Assim, o país conseguiu se manter relativamente estável durante a onda de crises políticas e econômicas que assolou nações latino-americanas como a Venezuela, a Argentina e o próprio Brasil.

Pepe Mujica

Documentação necessária

Pelo fato do Brasil pertencer ao Mercosul, assim como os outros países que integram o grupo, o brasileiro não precisa de visto para morar no Uruguai. No dia 7 de julho de 2017, foi firmado um acordo entre as nações e agora também não é preciso viver por lá temporariamente para pedir residência permanente, bastando apenas apresentar um documento de identidade e certidão negativa de antecedentes criminais junto à representação consular brasileira, que pode ser requerida pelo site oficial da Polícia Federal. É necessário, porém, fazer uma solicitação formal para a PF ou diretamente na Secretaria Nacional de Justiça.

O ideal é iniciar o processo ainda no Brasil. O requerente também precisará entregar a certidão de nascimento. Os documentos precisam ser legalizados com a Apostila de Haia nos cartórios autorizados.

Finalizando esses procedimentos, você já pode arrumar as malas e entrar no avião rumo ao seu novo destino.

Montevidéu, no Uruguai

Mas calma que ainda há coisas a fazer

Chegando em solo uruguaio, você entrará como turista, podendo permanecer por um período de até três meses, que é mais ou menos o tempo que levará para cumprir os trâmites de migração.

Os documentos apostilados no Brasil precisam ser levados até o Ministério de Relações Exteriores do Uruguai, onde passará pela aprovação do sistema legislatório local. Você pode agendar a visita pela internet. Mas fica a dica, pois o site é bastante confuso: você tem que escolher a opção “iniciar o trâmite desde o Uruguai”, e não do Brasil.

Você também precisará traduzir as certidões brasileiras com um tradutor juramentado e providenciar um carnê de saúde, documento necessário para conseguir trabalhar ou estudar no país. A emissão deste carnê precisa ser agendada previamente pelo telefone 0800-2773, ligação gratuita.

Para o carnê, é preciso apresentar uma foto 3×4, RG ou passaporte brasileiro, comprovante de vacina antitetânica vigente, óculos de grau (se houver) e uma amostra da primeira urina do dia em um frasco esterilizado. No caso das mulheres, a mostra precisa ser tirada com pelo menos 4 dias de antecedência ao período menstrual.

Mulheres também precisam apresentar o resultado de um papanicolau recente se tiverem entre 21 e 65 anos. Maiores de 40 anos precisam, ainda, apresentar o resultado de uma mamografia atual.

O imigrante brasileiro terá também que inscrever a certidão de nascimento traduzida no Registro Civil, onde será providenciada uma versão uruguaia do documento.

Trâmites finais

Depois de passar por todo esse processo, é hora de resolver as pontas soltas para encerrar a burocracia e tocar a vida. Uma dessas pontas é o comprovante policial de residência. Você precisa se apresentar em uma delegacia próxima da sua residência, mesmo que provisória, com duas testemunhas uruguaias que confirmem seu endereço.

Todos os documentos do processo migratório precisam ser entregues no departamento de migrações, onde você receberá um certificado que te permitirá fazer a cédula de identidade uruguaia, com validade de 1 ano, período que sua documentação será analisada. Essa cédula é necessária para sua rotina no país. Sem ela, você não consegue trabalhar, nem alugar uma casa ou abrir uma conta bancária, por exemplo.

A capital praiana Montevidéu

A cédula provisória tem um dificultador: toda vez que você for sair de território uruguaio, precisará pedir a permissão do departamento migratório.

Uma vez que sua cédula provisória é aprovada, você passa a ter direito a retirar a definitiva, que precisa ser renovada a cada três anos.

Todos esses procedimentos são pagos, o que demanda uma certa reserva financeira. Cada um deles custa, em média, 250 pesos uruguaios, o que dá entre 20 e 40 reais.

E agora sim, você já pode começar a viver sua vida uruguaia.

E o custo de vida?

São cerca de 15,5 mil brasileiros vivendo hoje no Uruguai. A maioria mora na capital Montevidéu, onde o custo de vida é semelhante ao de São Paulo, sendo cerca de 11% mais cara, segundo sites de viagem. O salário médio do país é de 23.288.000 pesos uruguaios (cerca de 2,5 mil reais), e a média de gastos mensais é de entre 8.000 (cerca de 888 reais)  e 14.000 pesos uruguaios (1,5 mil reais), de acordo com o Quero Viajar Mais.

Os números podem parecer confortáveis, mas lembre-se que esse é um custo/ganho médio e os cintos precisam estar sempre apertados. Um estudo da revista The Economist publicado em março de 2017 coloca Montevidéu como a 62ª cidade com o maior custo de vida do mundo, ficando a frente de São Paulo (78ª posição) e do Rio (86ª posição) e se colocando como a mais cara da América Latina.

Em conversa com a Gazeta do Povo, a advogada Adriana Schuh, que vive há noves anos na cidade Pando, perto do Aeroporto Internacional de Carrasco, o principal do país, e é casada com um uruguaio, diz que, por lá, ela calcula que um casal precisa de uma renda mínima de 6 mil reais para conseguir pagar aluguel, bancar gastos básicos e ter uma vida simples.

“Não há emprego, os preços estão caros e as oportunidades cada dia mais escassas, ainda mais para quem é estrangeiro”, diz ela.

Atualmente, as áreas de TI, engenharia e consultores de variados segmentos são as que mais têm crescido nos últimos anos.

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Fotos: foto 1: Divulgação; foto 2: Pixabay; foto 3: Pixabay; foto 4: Pixabay


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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