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‘A liberdade de ser quem são’: Curaçao, ilha no Caribe, investe no público LGBT+ | Viaja Bi! #2

por: Rafael Leick

Curaçao é uma pequena ilha no Caribe, parte do arquipélago que era conhecido como Antilhas Holandesas. Até pouco tempo atrás era desconhecida no Brasil. Começou a ganhar um pouco de atenção depois da visita do comediante Marcelo Adnet e de sua nova paixão pelo papiamento, um dos idiomas oficiais da ilha.

Além dele, os curaçolenhos também falam holandês como segunda língua oficial e a maioria ainda têm, pelo menos, inglês e espanhol. Com a facilidade para aprender outras línguas, muitos vão além. Minha guia, por exemplo, falava 9 idiomas!

A população vêm de uma grande mistura de povos, que inclui holandeses, afinal Curaçao é um território independente da Holanda, e até brasileiros, acredite. Tanto que nosso idioma é uma das influências do papiamento. Uma das teorias sobre o nome de Curaçao é, inclusive, que ela derive da palavra “coração”, dos portugueses e brasileiros.

As saudações diárias, por exemplo, são “bón dia”, “bón tardi” e “bón nochi”. Já “por favor” não tem nenhuma alteração. “De nada”, “sim”e “não” viram “di nada”, “si” e “no”. Outras expressões curiosamente similares são “Mi ta bom” (estou bem) e “ki ora” (a que horas). Parece até a linguagem do parque paulista Hopi Hari, né? E não é à toa. O papiamento inspirou a criação do “hopês”.

 

Diversidade de atividades

Kenepa Beach não pode ficar de fora do seu roteiro de praias em Curaçao - Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Kenepa Beach não pode ficar de fora do seu roteiro de praias em Curaçao – Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

As atividades da ilha se diferenciam um pouco do que é o esteriótipo do Caribe, com resorts de praia de areia clara e mar turquesa transparente. Sim, Curaçao também tem resorts, também tem praias paradisíacas e a água é turquesa transparente. Mas vai além.

É possível fazer atividades como passeios de quadriciclo, visitação a plantações de aloe vera, granja de avestruzes, passeio em uma moto subaquática, trilhas, ficar hospedado em um resort de tratamento e bem-estar com muito verde, visitar cavernas próximas ao mar, uma ilhota deserta a 2h de barco da costa, eventos internacionais de jazz, maratona organizada pela também holandesa KLM e curtir a parte cultural de Willemstad, capital da ilha e centro turístico da região.

O Aquafari é uma das atrações mais incríveis de Curaçao - Foto: Aquafari/Viaja Bi!

O Aquafari é uma das atrações mais incríveis de Curaçao – Foto: Aquafari/Viaja Bi!

Lá rola o Punda Vibes, um evento de rua que reúne moradores e turistas para curtir a noite com comida e música ao ar livre. Tudo isso, além dos tradicionais restaurantes, beach clubs e atividades de mergulho, onde se veem tartarugas. Outra vantagem competitiva de Curaçao para o turismo é estar fora da rota de furacões que normalmente assolam a região.

 

Investindo no pink money

Curaçao LGBT: a praia Porto Mari fica em Curaçao, a ilha mais friendly do Caribe - Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Curaçao LGBT: a praia Porto Mari fica em Curaçao, a ilha mais friendly do Caribe – Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Com tanta diversidade assim, não é à toa que Curaçao seja a melhor opção de viagem na região para a comunidade LGBT+. Ela é considerada a ilha mais friendly do Caribe, que é conhecido por ter diversos destinos com mentalidade bastante conservadora como a Jamaica, onde ainda é crime ser homossexual.

O destino ainda conta com uma Parada LGBT+, a Curaçao Pride, que acontece normalmente no fim de setembro, sendo uma das principais movimentações do Orgulho em toda região. Claro, vamos entender que é uma ilha, então não se pode comparar com o a Parada LGBT+ de São Paulo, por exemplo. Mas ainda assim, é bastante movimentada e recebe gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans do mundo todo.

A Curaçao Pride Parade passa na ponte flutuante Queen Emma, que fica colorida o ano todo - Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

A Curaçao Pride Parade passa na ponte flutuante Queen Emma, que fica colorida o ano todo – Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Entendendo essa vantagem competitiva, Curaçao começou a investir cada vez mais no público LGBT+, principalmente no mercado brasileiro. Participou de eventos do segmento por aqui e em no meio de 2018 organizou uma viagem junto com meu blog de turismo LGBT+ Viaja Bi!, que convidou dois youtubers (Fernando Escarião, gay, e Klebio Damas, bissexual) para conhecer a o lado “colorido” da ilha.

Durante a Curaçao Pride de 2018, investiu uma campanha para o trade turístico do Brasil, incentivando agências e operadoras a montarem pacotes para levar mais brasileiros ao evento. Os investimentos começaram a dar resultado e até canais LGBT+ montaram grupos para esse período. A Curaçao Pride foi idealizada e é organizada por um hotel gay em Curaçao, feito principalmente para a comunidade LGBT+, mas que também recebe héteros. Eles não têm preconceito! 😛 É nesse hotel que a marcha do orgulho termina e acaba em festa, né?

Sendo bem gay no hotel gay em Curaçao - Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Sendo bem gay no hotel gay em Curaçao – Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Para o próximo ano, já estão planejando ações e eventos especiais para a comunidade além da Pride e há uma nova campanha publicitária em produção para que a aprovação do casamento homoafetivo seja uma realidade garantida por lei na ilha.

Enquanto no Brasil, estamos vivendo um retrocesso social nos últimos tempos, é um alívio ver que um destino tão pequeno, se comparado ao nosso país, tem feito um movimento tão intenso nesse sentido. Dá um orgulho, né?

 

Como gay, o que achei de Curaçao?

As casinhas coloridas no fim da ponte flutuante Queen Emma são o principal cartão postal de Curaçao - Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

As casinhas coloridas no fim da ponte flutuante Queen Emma são o principal cartão postal de Curaçao – Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Resumindo? Eu amei! É uma ilha muito alegre, com gente muito simpática e amável. E me senti bastante acolhido. Fui com um grupo LGBT+ e em alguns lugares tirei fotos com um baita bandeirão do arco-íris e não senti olhares estranhos.

Obviamente, há que se levar em consideração que é uma ilha, onde todos se conhecem. É como cidade de interior, sabe? Por isso, sei que muitos jovens preferem ir estudar em Amsterdam, já que eles também são cidadãos holandeses, e só depois voltam pra Curaçao. Lá, eles têm mais liberdade de ser quem são, claro. Mas isso funciona pra todos os jovens, não somente os LGBT+.

Tem como não ficar embasbacado com essa paisagem de Curaçao? - Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Tem como não ficar embasbacado com essa paisagem de Curaçao? – Foto: Rafael Leick/Viaja Bi!

Para o turista, não há problema nenhum. É um país que vive do turismo e aprendeu a tratar seus convidados muito bem. Eu visitei, gostei, me apaixonei e quero voltar. Se quiser ir comigo, é só me falar. 😛

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Rafael Leick
Criador do Viaja Bi!, primeiro e principal blog de viagens LGBT+ do Brasil. Publicitário paulistano, fez intercâmbio em Londres e lá começou a escrever sobre viagem. Trabalhou com órgãos de promoção turística da Argentina, Espanha, Reino Unido, Curaçao, entre outros, e empresas como AccorHotels. Ministrou palestras no Brasil e no Peru e foi Diretor de Turismo da Câmara LGBT do Brasil. E, claro, é pai do Lupin.

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