Debate

Mano Brown pistola faz as críticas mais necessárias à política brasileira

por: Redação Hypeness

Fernando Haddad, candidato do PT à presidência da República, participou de comício realizado no Rio de Janeiro. Mais de 70 mil pessoas, incluindo artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, se uniram ao evento, que ficou marcado por uma fala contundente de Mano Brown.

Admitindo ter quebrado a promessa de “nunca mais subir em palanque de ninguém”, o rapper paulistano não poupou críticas ao Partido dos Trabalhadores, que segundo ele, se distanciou da periferia. “Se não sabe, volta para a base e vai procurar saber”.

O clima era de festa. Na verdade, como Brown mesmo disse, “falar bem da torcida do PT para o PT é fácil”. A reação de parte de plateia, que chegou a vaiar Brown (que não deu a mínima), reforça a fala do vocalista do Racionais MC’s.

Brown pede que o cenário seja lido sem fanatismo

A postura de Mano Brown, que mesmo com sérias restrições esteve presente no ato, vai de encontro com o diagnóstico realizado pela cientista social Esther Solano. Na análise Crise da Democracia e extremismos de direita, a espanhola radicada no Brasil colheu depoimentos similares de moradores das periferias de São Paulo.

Lula estava perto do povo, era carismático, alguém diferente dos políticos de sempre e era honesto. Solano continua constatando que as pessoas “mobilizam alguns argumentos muito parecidos para justificar o voto em Bolsonaro: proximidade, carisma e honestidade.

De certa forma, a análise proposta por Esther Solano se entrelaça com o discurso de Mano Brown. Apesar de reafirmar voto em Fernando Haddad, o rapper propõe uma reflexão importante ao questionar se todos os eleitores do candidato do PSL são realmente pessoas de má índole.

Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo tem que entender o que o povo quer. A comunicação é a alma. Se não está conseguindo falar a língua do povo vai perder mesmo. Tem uma multidão que não está aqui que deveria ser conquistada, disse Brown.

Antes de entregar o microfone para Caetano e se retirar, Mano Brown criticou mais uma vez o clima de festa e alertou sobre os reflexos do clima de polarização política. “Não gosto do clima de festa, o que mata a gente é a cegueira e o fanatismo. Deixou de entender o povão, já era. Se somos o Partido dos Trabalhadores precisamos entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar saber. E as minhas ideias é essa, fechou.”

Logo em seguida, Caetano Veloso (que votou em Ciro no primeiro turno) pegou o microfone e saiu em defesa de Brown. Para o cantor baiano, é preciso entender a complexidade do momento.

“Eu acho que a fala de Mano Brown é muito importante porque traz a complexidade do nosso momento. A mera festa pode parecer que temos uma mensagem simples a passar. O Brasil tem sido bombardeado há algumas décadas por uma imbecilização planejada em que filósofos têm dito palavrões para acostumar a mente brasileira à ideia de que o cafajeste é que nos representa. Temos que negar isso dentro de nós – não só nós que estamos aqui, que já lutamos contra isso, mas encontrar meios de dizer àqueles que se deixaram hipnotizar por essa onda. Eu estou aqui por isso, em parte como vocês, em parte como Mano Brown”, encerrou.

Haddad agradeceu a presença do cantor do Racionais MC’s, dizendo compreender. “Entendo e respeito o que disse o Mano Brown. Respeito muito. Primeiro porque ele veio aqui. Ter vindo aqui tem um significado muito importante. O que ele disse é sério. Tem irmãos e irmãs nossos que estão na periferia revoltados com tudo que está acontecendo e com razão”.

Faltam três dias

Até o momento, Jair Bolsonaro (PSL) lidera a corrida pelo Palácio do Planalto. De acordo com a última pesquisa Ibope, apesar de ter caído quatro pontos, o postulante possui vantagem de 14 pontos.

Jair Bolsonaro tem 57% dos votos válidos. Fernando Haddad (PT) tem 43%. Os resultados foram divulgados na terça-feira (23). A expectativa é que nesta quinta (25), saiam os números do Datafolha.

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Foto: Reprodução


Redação Hypeness
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