Debate

Movimento #MeToo tirou 201 homens do poder, aponta levantamento

por: Kauê Vieira

Já faz um ano que o movimento #MeToo gritou para todo mundo ouvir sobre os inúmeros casos de assédio e abusos sexuais envolvendo poderosos da indústria norte-americana do cinema.

Desde o vencimento do prêmio de personalidade do ano de 2017 pela revista Time, o #MeToo inspirou mulheres ao redor do planeta a quebrarem o silêncio. Um levantamento realizado pelo jornal The New York Times, mostra que mais de 200 homens influentes perderam seus cargos depois de serem acusados publicamente de assédio sexual.

O ponto de partida da ‘caça’ aos abusadores se deu com o processo envolvendo Harvey Weinstein. Considerado um dos homens mais poderosos de Hollywood até então, o empresário enfrenta processos criminais de quase 100 mulheres, entre elas as atrizes Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow.

A ativista Tarana Burke teve seu trabalho reconhecido. Finalmente

Depois de Harvey, outras situações de abuso foram pipocando na imprensa norte-americana. Em abril de 2017, o apresentador Bill O’Reily perdeu o emprego na Fox News depois da revelação que teria feito acordos milionários para abafar cinco denúncias de assédio sexual.

Talvez a história mais emblemática seja a de Bill Cosby. Durante décadas, o ator foi o queridinho das famílias norte-americanas. Protagonista do The Cosby Show, foi condenado por estupro e agressões sexuais e deve ficar entre 3 e 10 anos preso.

Kevin Spacey teve a carreira comprometida depois das acusações de abuso

O medo de ser engolido pela enxurrada feminista chegou ao mundo político. Não bastasse a adoção de condutas polêmicas, Donald Trump foi acusado de machismo depois da divulgação de falas ofensivas contra mulheres.

“Tentei fod*-la, mas não consegui chegar lá. Ela era casada”, disse Trump sobre uma mulher que tentou ‘conquistar’.

Brett Kavanaugh – indicado pelo presidente Donald Trump para a Suprema Corte, precisou se defender de alegações de abuso sexual diante de membros do Senado dos EUA.

A condenação de Bill Cosby deixou muita gente perplexa

Kevin Spacey viu seu mundo cair e foi retirado do protagonismo de House of Cards, depois de ser acusado de assediar homens dentro e fora do set de gravações da série. O burburinho começou com a fala de Anthony Rapp, que teria sido abusado por Spacey aos 14 anos.

Em entrevista ao El País, Gloria Allred, advogada feminista mais famosa dos EUA, diz que “esta é a era do empoderamento feminino”. Para ela, “as mulheres decidiram acabar com o silêncio”.

E faz sentido, pois mais da metade dos homens afastados de seus cargos foram substituídos por mulheres. Os números apontam por volta de 50% de aumento da presença feminina em espaços de poder.

O surgimento

O nome ‘me too’ foi tirado de uma campanha contra abuso sexual iniciada pela ativista Tarana Burke uma década antes.

Mas, apenas em outubro de 2017, o #MeToo ganhou fama. Quando a atriz Alyssa Milano publicou um tuíte pedindo que todas as mulheres que sofreram assédio sexual respondessem dizendo ‘me too’ (‘eu também’), não teve mais jeito. A postagem viralizou com quase 100 mil respostas.

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Fotos: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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