Debate

O que se sabe até agora sobre o caso de agressão e suástica em mulher com camiseta #elenao

por: Kauê Vieira

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O pleito eleitoral de 2018 ficará marcado pelos excessos. Infelizmente não se trata da abundância de propostas boas, pelo contrário, o cenário polarizado de 2018 já fez uma vítima – o mestre de capoeira Moa do Kantandê foi assassinado em Salvador por defender o voto no PT e agora, uma mulher foi agredida por usar uma camiseta com a expressão #EleNão.

A estudante de 19 anos foi atacada no bairro de Cidade Baixa, em Porto Alegre. A jovem, que registrou Boletim de Ocorrência, diz ter sido agredida por três homens na capital gaúcha na noite de segunda-feira (8).

Com medo de sofrer novos ataques, a vítima preferiu não revelar a identidade, mas afirma ter sido abordada no caminho de casa. Além de ser agredida com socos, os homens a questionaram sobre os motivos de estar usando uma camiseta contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro.

Insatisfeitos, eles utilizaram um canivete para desenhar em sua barriga uma suástica – o símbolo máximo do nazismo. Até o momento, a jovem fez exame de lesão corporal e está tomando calmantes por causa do trauma.  

A jovem diz ter aido agredida ao descer do ônibus

O caso repercutiu nas redes sociais, provocando manifestações de nomes como o de Cláudio Goldberg Rabin. Jornalista e judeu, o gaúcho postou no Facebook um longo desabafo sobre a nuvem de intolerância que paira sobre o Brasil.

Rabin criticou a disseminação de notícias falsas , além de citar o nome do delegado Paulo Jardim, a quem chamou de “um dos maiores caçadores de neonazistas do Brasil”.

Jardim é titular da 1ª Delegacia de Porto Alegre e responsável pelo caso. Ele afirma que os autores da agressão ainda não foram identificados e que o desenho não é um símbolo extremista.  

“Eu fui olhar o desenho que fizeram na barriga dela. É um símbolo budista, de harmonia, de amor, de paz e de fraternidade. Se tu fores pesquisar no Google, tu vai ver que existe um símbolo budista ali. Essa é a informação”, afirmou em entrevista à BBC News Brasil.

Cláudio Goldberg argumenta que “o que se tem de evidência até agora é o relato de uma pessoa. Só. O resto é um clima de medo que nos ajuda a reforçar aquilo que queremos acreditar — a essência da propagação das notícias falsas”.

Por outro lado, Zalmir Chwartzman, presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, preferiu não comentar as declarações do delegado. Também em conversa com a BBC, ele declarou que “temos que ter prudência e aguardar as investigações. A insanidade que tomou conta do país é assustadora. Cabe neste momento uma manifestação dos dois candidatos pedindo paz no Brasil. Há gente que faz loucura em nome de Deus, Alá, Moisés, Lula, Bolsonaro, mas o Brasil é maior que as pessoas e os partidos.”

Em entrevista ao Zero Hora, o delegado havia dito que, enquanto especialista na área, “pegaram um símbolo budista e inverteram ele”.

Depois de ser questionado por jornalistas, Jardim disse “não fazer ideia” e que “chama a atenção que o desenho é semelhante a uma suástica, mas não está correto. Está ao contrário. Quem fez aquilo ali não sabia o que era uma suástica”.

Ele finalizou relatando que os investigadores estão em busca de “imagens de câmeras de segurança e de possíveis testemunhas”.

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Foto: Reprodução/Facebook


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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