Ciência

Quilombolas recuperam sistema agrícola de mais de 300 anos que não usa adubo nem agrotóxicos

por: Vitor Paiva

Às vezes para evoluir é preciso também olhar para trás, e reconhecer no conhecimento do passado uma solução para um problema do presente e do futuro. Um exemplo disso é a Roça de Coivará, uma técnica de plantio com mais de 300 anos que vem sendo recuperada pelas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste paulista. Trata-se de um sistema tradicional dessas comunidades, que não utiliza agrotóxicos nem adubos para as plantações, e que foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil.

O sistema se baseia no rodízio de áreas de plantio. Assim, o quilombola escolhe uma área, desmata esse pequeno trecho de terra e ateia fogo de forma controlada. Depois, observando os ciclos da lua, ele planta. É justamente as cinzas que sobram, assim como os troncos da queimada, que mantêm a terra fértil e propensa para o plantio. Trata-se de uma forma de manejo da terra fundamental para as 48 comunidades quilombolas e mais de 700 famílias do Vale da Ribeira.

A Roça do Coivará é um entre tantos exemplos de conhecimentos ancestrais que precisam ser recuperados e preservados a fim, por exemplo, de preservar o meio ambiente. Para isso, porém, é preciso também recuperar e preservar as próprias comunidades quilombolas e sua cultura, e não deixar que a intolerância e a ignorância das autoridades destruam a vida, a história e o conhecimento desses povos.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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