Matéria Especial Hypeness

Setembro Amarelo acabou, mas a luta pela prevenção ao suicídio continua

por: Gabriela Alberti

Por dia, mais de 2 mil pessoas cometem suicídio ao redor do mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, em 2016 foi registrado um caso a 46 minutos, totalizando 11.433 fatalidades em apenas um ano. Número que coloca o suicídio na quarta colocação entre as causas de morte mais comuns para jovens 15 a 29 anos. Quando falamos apenas dos homens da mesma faixa etária, o suicídio assume a terceira posição no ranking. Um dado alarmante, e que cresce ano após ano. Apenas na última década o número de casos subiu 28%.

As causas para uma atitude tão drástica são variadas. Desde crises financeiras, problemas no relacionamento, perda de emprego, discriminação racial ou por orientação sexual, perda de uma pessoa próxima e, até mesmo, fatores físicos, como exposição a agrotóxicos ou doenças crônicas. Ou seja, os gatilhos podem ser muitos e, em grande parte, inevitáveis. Mas a maneira como cada pessoa reage a eles é diferente e determinante nas consequências psicológicas e emocionais. Por isso, é indispensável que todo mundo esteja atento a mudanças de comportamento em amigos, colegas de trabalho ou familiares. Pois quanto antes identificarmos os sintomas de depressão, mais fácil vai ser interceder.

Para ajudar a identificar essas situações, o Ministério da Saúde elaborou uma página com informações essenciais para toda a população. Lá você pode aprender desde dicas para identificar uma pessoa vulnerável até a melhor maneira de interceder por eles. Embora cada situação seja única, alguns padrões de comportamento que podem ajudar a identificar potenciais vítimas e, quem sabe, evitar o pior. Sintomas como isolamento, mudança drástica de temperamento ou falta de esperança são alguns dos sinais de alerta que podem revelar o desenvolvimento de uma depressão mais profunda.

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Se você acha que alguma pessoa próxima está apresentando sintomas parecidos, é hora de agir. Antes de mais nada, converse. Encontre um momento adequado e mostre interesse pela vida dele, demonstre que você está sempre disponível para ouvir seus problemas e, caso você identifique uma situação de risco, aconselhe a procura por auxílio profissional, seja com um psicólogo ou em um CAPS, Centro de Apoio Psicossocial.

Mas esse é apenas o começo da caminhada. É importante acompanhar de perto a evolução, manter contato próximo e, inclusive, ir junto às consultas. Se o caso for mais grave, é indispensável que a pessoa não fique sozinha, além de impedir o acesso a qualquer objeto que possa ser utilizado em uma possível tentativa de suicídio, como armas, remédios e pesticidas.

Outra ferramenta importante nesses casos é o CVV, Centro de Valorização da Vida. Embora tenha ajudado milhões de pessoas, ainda é desconhecida por muita gente. A organização não governamental, criada em 1962, reúne voluntários ao redor do país oferecendo apoio emocional através do número gratuito 188. Estima-se que apenas em 2018, mais de 2,5 milhões de atendimentos serão realizados.

Foi para divulgar este serviço que a agência de publicidade curitibana 433ag, em parceria com a URBS, empresa de transporte público, adesivou o teto de dezenas de ônibus que circulam pela região central da cidade, onde a concentração de edifícios é maior. No texto, mensagens de apoio para quem está passando por uma fase difícil e um convite ao diálogo. Veja o vídeo criado para divulgar a iniciativa:

Segundo Ricardo Tramontini, um dos responsáveis pela campanha, “a ideia surgiu olhando pra rua da janela de um prédio. Um ato simples, mas para muitas pessoas aquele pode ser um momento de angústia, solidão. Então por que não iniciar uma conversa naquela que pode ser uma situação crucial?”. “Você nunca sabe que tipo de problemas a pessoa do seu lado está enfrentando. E, por vergonha ou timidez, muitas vezes elas sofrem sozinhas, sem ninguém para ouvir. Por isso, se esta campanha convencer uma única pessoa em situação vulnerável a ligar para o CVV, ela já terá sido bem sucedida”, complementa Rafael Pavelegini, diretor de criação da agência.

@ Divulgação

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A iniciativa faz parte do Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio e combate à estigmatização da depressão, mas vai continuar nos próximos meses. A ideia é fortalecer o número do CVV, impactar possíveis pessoas em risco e incentivar o diálogo sobre o tema.

“Sabemos o quanto é importante divulgar o 188 para as pessoas. Principalmente agora que o número se tornou utilidade pública e gratuito. E ações como essa ajudam a fazer o CVV sair do anonimato e ser conhecido por todos”, afirma Claudiane Araújo, Porta Voz do CVV Curitiba.

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Além do telefone, o CVV também realiza atendimentos online através de email e chat. Em algumas cidades também está disponível o suporte presencial. Para conhecer todos os canais de ajuda do CVV basta acessar o site aqui.

Se você está do outro lado e quer ajudar, voluntários são sempre bem-vindos. Tudo o que você precisa para se candidatar é ter mais de 18 anos e pelo menos 4 horas disponíveis por semana. Após a inscrição, que também é feita através do site, você vai passar por um treinamento completo em uma das sedes do CVV. Durante o curso o candidato é preparando para enfrentar todas as situações que podem se desenvolver durante um atendimento. Mas se você não se acha preparado para lidar com o atendimento, existem outras maneiras de ajudar. Entre no site e descubra como.

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E lembre-se, você não está sozinho. Ligue 188.

 

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Gabriela Alberti
Aquariana, curitibana, canhota e (só um pouco) teimosa. Curiosa desde o berço, tô sempre em busca de novidades, da senha do wi-fi, de novas séries para virar o fim de semana e de passagens promocionais para, quem sabe um dia, dar a volta ao mundo.

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