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Star Wars, Rei Leão, Harry Potter… 11 filmes que falam de autoritarismo e você nem tinha percebido

por: João Vieira

As Eleições 2018 deixaram um legado para o Brasil: uma grande discussão em torno de questões sociais como o autoritarismo, o fascismo e a política violenta. Tais temas permearam os debates eleitorais em diversos momentos e, agora, mobilizam pessoas que buscam se colocar em linha de resistência contra essas ameaças.

Caso você não domine o conceito de autoritarismo, a gente explica. Ele representa uma forma de governo caracterizada pela obediência absoluta e cega à autoridade, onde as liberdades individuais são cerceadas e a oposição social é criminalizada, uma vez que governos autoritários não costumam lidar bem com críticas.

Outra característica desse tipo de gestão pública é o controle da mídia. O autoritarismo tem por prática criminalizar veículos que o questionam, criticam ou apresentem denúncias contra ele, ao passo em que se aproxima e beneficia os que tratam sua administração com mais simpatia ou mesmo lhe declaram apoio publicamente.

No cinema, são muitos os filmes que falam sobre políticas de autoridade, ditaduras ou administrações violentas de forma evidente. Como é o caso de Bastardos Inglórios, por exemplo, que é concentrado no regime nazista.

Mas há certos títulos que também abordam o autoritarismo, só que de forma um pouco menos evidente. A seguir, separamos alguns exemplos:

1. ‘Star Wars’

No geral, todos os filmes da saga Star Wars possuem forte influência geopolítica. O tema central da história opõe o Império, caracterizado por um regime autoritário, maléfico e militarizado de um ditador, à resistência, composta por todos os que lutam contra essa força. Em cada episódio um momento dessa batalha é retratado.

A história original foi escrita por George Lucas durante a Guerra do Vietnã e, nas próprias palavras dele, Lucas “não queria fazer um filme sobre como pessoas assumem o controle de uma democracia, mas sim entender como democracias podem se entregar a tiranos”.

2. ‘Harry Potter’

O desenvolvimento da saga fala mais amplamente sobre questões envolvendo autoridade, como conflitos étnicos, burocracia, lutas por poderes e tortura. Uma das evidências mais claras é a briga social pela aceitação de bruxos de sangue “não-puro”, que são os filhos de bruxos com “trouxas” (pessoas sem poderes mágicos), como é o caso de Hermione, no filme interpretada por Emma Watson.

As invasões e casos de abuso de poder envolvendo o Ministério da Magia, a Armada de Dumbledore e a briga pelo comando de Hogwarts são outros indicativos da forte influência política.

3. ‘X-Men’

Para muitos, X-Men é considerada a série de quadrinhos que melhor consegue representar causas políticas e sociais. Criada na década de 1960, a franquia é fortemente inspirada pelo movimento negro americano, por exemplo. O Professor Xavier e Magneto são livremente inspirados em Martin Luther King e Malcolm X, respectivamente.

Essa relação entre os mutantes e racismo foi se transformando com o passar dos anos. Hoje, o conceito em cima da representação é visto com mais amplitude, podendo se associar com as lutas envolvendo a comunidade LGBTQ+.

4. ‘Rei Leão’

O clássico infantil da Disney é um dos grandes sucessos dos anos 1990 e também traz algumas representações políticas, centrada especificamente na luta pelo poder. Mufasa é um rei de mão pesada, que segrega uma parte do seu reino, que é ocupada por hienas e pelo seu irmão e desafeto, Scar.

Com a morte de Mufasa, Scar toma o poder e comanda uma revolução do reino rejeitado, liderando uma era ditada por autoritarismo, violência, vinganças e abuso de poder. Simba, filho de Mufasa, ao tomar conhecimento, decide retornar ao reino para reivindicar seu posto.

5. ‘Jogos Vorazes’

As evidências de autoritarismo em Jogos Vorazes são absolutamente visíveis. O governo da nação distópica conhecida como Panem, país divido em 12 distritos, é indiscutivelmente violento. O país vive sob o domínio de uma metrópole tecnologicamente avançada, a Capital, que anualmente realiza os Jogos Vorazes, reality show mortal com jovens entre 12 e 18 anos, representantes de cada um dos distritos, onde o último sobrevivente é declarado vencedor.

6. ‘Mulher-Maravilha’

A personagem foi criada pelo psicólogo William Moulton Marston, que assinava como Charles Marston, que acreditava na superioridade das mulheres e achava que elas deveriam dominar o mundo. Assim, a amazona surgiu como ícone feminista desde sua primeira aparição, e jamais largou essa bandeira.

Criada nos anos 1940, Diana Price, a Mulher-Maravilha, surgiu como princesa e principal líder da luta pelo direitos das mulheres contra o autoritarismo de lideranças masculinas, algo que andava em linha com as primeiras revoltas feministas do século que haviam acontecido em anos anteriores.

7. ‘Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa’

Os sete livros de saga trazem variados tipos de representações que podem ser associadas com a política britânica, mas o primeiro é especial nesse sentido. Criada pelo autor inglês Clive Staples Lewis, a série estreia, em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, um espetáculo político que mostra um país monárquico repleto de lutas pelo poder, por terras, e alusões ao poder do cristianismo e da adoração religiosa em governos autoritários.

8. ‘Perigo Real e Imediato’

No thriller, Harrison Ford vive o analista da CIA Jack Ryan. Na história, ele se vê no meio de uma guerra entre narcotraficantes e grandes lideranças do poder dos Estados Unidos. Em busca de defender a Constituição do seu país, Ryan bate de frente com a Casa Branca para desafiar um presidente que se coloca acima da lei.

9. ‘Watchmen’

O filme conta a história de um grupo aposentado de heróis que é forçado a voltar à ativa quando um deles é assassinado. A temática gira em torno do abuso de poder, questionando quem pode controlar e vigiar aqueles que, teoricamente, são responsáveis por garantir a ordem e a segurança pública, em uma clara crítica a instituições policiais que usam de sua posição para cometer abusos de autoridade.

10. ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge’

O filme marca o último capítulo da trilogia de Christopher Nolan, onde o Batman é interpretado por Christian Bale. Neste episódio, o vilão Bane (Tom Hardy) inicia uma violenta revolução em Gotham City, sob a promessa de libertar a sociedade da criminalidade e dos políticos corruptos. Assim, ele se torna popular e ganha carta branca para destruir as instituições que asseguram a democracia e o estado direito da cidade.

11. ‘Inimigo do Estado’

Neste filme, Will Smith vive Robert Clayton Dean, um advogado de sucesso em Washington, que vê sua reputação e liberdade ameaçadas por um agente de segurança nacional, após conseguir provas que associam ele a um assassinato político. Para isso, o agente ganha o apoio de um hacker, que coloca um vídeo comprometedor no bolso de Dean, obrigando-o a fugir do autoritarismo do governo norte-americano.

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Fotos: Divulgação


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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