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Vídeo e pesquisa inéditos mostram como a Geração Z vai influenciar nosso futuro

por: Gabriela Rassy

Os jovens já fazem parte de outra geração. Passado o tempo dos Millennials, os nascidos a partir de 1995, já com internet ao fácil alcance, têm novas aspirações e vivem outra realidade. Eles já nasceram conectados e nunca viram o mundo sem a tecnologia. A Geração Z, ou a Geração da Verdade, é o tema central desta nova pesquisa.

A Box1824, empresa especializada em comportamentos e tendências, em parceria com a McKinsey, rodou o país atrás desses nativos digitais para entender como eles vivem e pensam o mundo. A pesquisa falou com 2.500 jovens entre 14 e 22 anos das classes ABC de todo o Brasil, durante o ano de 2017. O resultado foi um desenho detalhado dos comportamentos da geração Z, que o estudo nomeou como TrueGen. “As novas gerações têm uma capacidade de inspirar pessoas mais velhas ao mesmo tempo que são muito aspiracionais para os mais jovens, por isso é importante de tempos em tempos a gente entenda quem são essas novas gerações”, explica Luisa Bettio, diretora de planejamento da Box1824.

Dentro do estudo ficou claro que os jovens não separam o online do offline e, por serem hipercognitivos, vivem sempre realidades múltiplas e simultâneas. Não só fazem muitas coisas ao mesmo tempo como também pensam e conectam assuntos numa velocidade incrível. O cérebro não é diferente das outras gerações, mas as sinapses e capacidade de cruzar informações são muito diferentes. “Imagina um bebê que já nasce com internet em casa e já tem estímulos deste pequenos. Imagina a diferença: você não precisa se relacionar só com quem está perto, no bairro, na escola, na família; você pode se relacionar com quem quiser. A partir daí já se entende que você pode ser quem quiser já que sempre vai encontrar alguém para estar próximo. Não precisa se adequar a nenhum tipo de padrão social. Já adolescentes tinham celulares com redes sociais, aplicativos e viviam duas realidades ao mesmo tempo. Se os millennials dividiam a realidade digital e a realidade física, para essa geração elas são complementares”, conta Luisa.

A pesquisa revelou quatro comportamentos principais que diferem a Geração Z das que vieram antes – e que têm potencial para transformar as seguintes. O primeiro e muito claro entre os jovens é a não-definição. Ali, o que vale é o “e” e não o “ou”. É a quebra de esteriótipos, a experimentação constante, seja de identidade ou de gênero. Enquanto para outras gerações a mudança era falta de personalidade, para eles é uma busca natural. “Eles são experimentalistas da sexualidade, são ativistas dos movimentos em relação à gênero. Têm liberdade de ir mudando conforme vão absorvendo novas coisas”, diz Luisa.

Ainda segundo a pesquisa, 76% dos jovens de Geração Z são religiosos, o que poderia significar uma tendência conservadora, mas não. Desses, 60% é a favor da adoção de filhos por casais homossexuais, 57% acha normal se relacionar com pessoas do mesmo gênero. Assim, se eles podem experimentar em relação ao seu EU, acabam entendendo muito mais os outros e sendo pessoas muito compreensivas e inclusivas. “Um pode ser de esquerda e o outro de direitas, mas se gostamos de pop coreano ou acreditamos em uma luta pelo meio ambiente, podemos nos relacionar e conviver com as diferenças. Hoje estamos vivendo no cenário político um momento de ruptura e essa é uma geração que tenta compreender as outras pessoas. Isso acontece também por que eles dialogam muito, estão preocupados em entender por que cada um pensa de uma forma, diferente dos millennials, que rompiam muito”, conclui.

TrueGen

Além da pesquisa, a Box1824 convocou uma residência artística que, durante três semanas, 9 realizadores foram convidados a produzir um mini-doc que representasse a geração Z. A diretora criativa Julia Duarte, a head de futures Lydia Caldana e a diretora de planejamento Luísa Bettio convidaram artista multimídia Igi Ayedun para dirigir o vídeo e somar forças com um time formado por pessoas da própria geração. A ideia foi transformar o estudo em uma expressão artística visual. “Como a gente consegue sentir quem é a geração Z de uma forma visual, auditiva, sensorial? Para fazer sentido e ser autêntico, como é a própria geração, a gente compôs uma residência artística com pessoas que são multidisciplinares. Todo o processo do vídeo reflete o pensamento da própria geração, então não é linear, hierárquico, vertical. É uma sobreposição de telas e pensamentos”, resume Lydia Caldana.

Anna Mascarenhas, Beatriz Venancio, Gabriela Monteiro, Giovanna Langone, Jonas Moraes, Luana Dornellas, Rodrigo de Carvalho e Rodrigo Inada buscaram, junto com Igi, os representantes mais ilustrativos da geração para dar forma ao trabalho. Referências como Kylie Jenner e Gigi Hadid, expoentes máximo da geração, estão linkadas no projeto e jovens como Mc Soffia, Valentina Schultz, Desmond is Amazing (EUA), foram algumas das muitas parcerias que engrossaram e ampliaram a voz desse trabalho.

“Eu tenho uma pira muito grande na Alice no País das Maravilhas. Sempre acho que esse mundo invertido que ela frequenta, na verdade existe, e que essa geração Z de nativos digitais veio dessa realidade, e não da terra. Quando entrei em processo e comecei a discutir com a equipe que recrutei para fazer o vídeo, percebi que eles realmente vêm desse universo. Tentamos então trazer isso para todas as linguagens do filme. Tanto estéticas quanto de roteiro, editoriais, sempre com referência de uma outra ideia de mundo pairando dentro daquele ambiente”, conta Igi Ayedun.

A artista multimídia Igi Ayedun foi convidada para assumir a direção do vídeo

O resultado foi um mini-doc de 12 minutos que traça, de forma não-linear, um auto-retrato de uma geração revolucionário que, acima de tudo, não deseja se definir. “É uma geração que vem com um sentido de revolução muito grande, mas sem saber que está revolucionando. Eles só vêm de um outro lugar onde a naturalidade das coisas é diferente. Eu trouxe isso para todos os alicerces do projeto, tanto que essas imagens em 3D que ficam pairando como se esses portais entre o mundo da Alice e o nosso estivessem aberto. É por isso que a gente tem vários pop ups de imagens sobrepostas, delays de vozes”, explica Igi.

O projeto final tem a ver com tato, com cuidado e com a junção desses mundos. Ali, como um mergulho na mente desta geração, o online e o offline funcionam da mesma forma. “O TrueGen me reensinou a me relacionar, a amar, a me comunicar. Foi um aprendizado absurdo, mas, mais do que tudo, me ensinou que não estou sozinha”, completa Igi.

De fato, temos muito a aprender com quem vem por aí. Assista ao mini-doc e confira o resultado:

 

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Fotos: Divulgação | Foto Igi por Gabriela Rassy


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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