Debate

Adeus, auxílio-paletó: Deputados do Acre acabam com os próprios privilégios

por: Vitor Paiva

Muito antes dos custos com aposentadorias, investimentos sociais ou direitos trabalhistas, um sem-fim de absurdos orçamentários significa o funcionamento torto da política brasileira – a começar pelos próprios salários e benefícios dos deputados do país. Uma boa notícia, no entanto, vem diretamente do Acre para o início do ano que vem: um projeto de lei complementar foi aprovado pelos deputados estaduais do estado para acabar com seus diversos e excessivos benefícios.

Deputados na Assembléia do Acre

A mudança derruba o auxílio-moradia, auxílio-saúde e auxílio-paletó, entre outros, representando uma economia de cerca de R$ 100 mil por deputado anualmente.

Com isso, os deputados acreanos seguirão recebendo proventos brutos, verba de gabinete e verba indenizatória. Um deputado do estado recebe cerca de R$ 23 mil mensais (que com descontos se tornam cerca de R$ 17 mil líquidos) e ainda uma verba de gabinete de R$ 50 mil, para contratação de assessores – a verba indenizatória ressarce despesas estruturais do escritório, como carros, hospedagem, alimentação, telefones, material gráfico e muito mais.

A ideia, segundo um dos deputados, é realizar tal economia como uma resposta a uma demanda da população, e também como um caminho para o investimento em atividades sociais, reformas e ampliações de serviços. Que a mudança acreana sirva de paradigma para o resto do país – e principalmente para se entender que há muitas economias anteriores àquelas que tiram do bolso e da vida dos que menos tem. A nova lei passa a valer a partir de fevereiro de 2019.

Edifício da Assembléia Legislativa do Acre

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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