Futuro

Após décadas de guerras às drogas, México dá passo decisivo para legalizar a maconha

por: Vitor Paiva

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Depois de tanto anos, milhões de dólares gastos e tantas vidas desperdiçadas na inútil guerra contra as drogas, o México enfim parece ter dado o primeiro passo importante na direção daquilo que efetivamente faz diferença em tal dilema: a legalização da maconha. Depois de legalizar o uso medicinal da erva no ano passado, uma decisão judicial abriu precedentes para que o uso recreativo também seja legalizado no país – seguindo a tendência mundial, reafirmada recentemente por países como o Reino Unido, Canadá e África do Sul.

Manifestante com máscara de maconha no México

A Suprema Corte mexicana liberou para dois cidadãos o uso recreativo da maconha, considerando que a proibição ia contra premissas constitucionais do país: a liberdade de desenvolvimento pessoal e de saúde, que entende que o estado não deve interferir na decisão individual de alguém consumir uma substância. Segundo o tribunal, essa não se trata de uma decisão absoluta, pois algumas substâncias devem ter seu consumo regulado, mas os efeitos provocados pela maconha “não justificam uma proibição absoluta de seu consumo”.

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Outra máscara de maconha na Marcha mexicana

Com a decisão do Supremo, torna-se obrigatório que o governo permite às duas pessoas o uso da maconha – e, ainda que não se trate de uma legalização oficial, cria-se um precedente que obriga o tribunal a conceder a permissão a outras pessoas que fizerem o mesmo pedido. A situação funciona, portanto, de maneira similar ao casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil.

Participante fumando na Marcha da Maconha na Cidade do México

Se tal decisão é extraordinária em qualquer país do mundo, em um país tão afetado pelo combate policial às drogas como o México seu efeito é ainda maior, pratica e simbolicamente. A legalização oficial precisaria ainda ser aprovada pelo congresso mexicano, para colocar o país completamente no trilho de um futuro melhor, mais saudável e menos violento que tantos outros países já vêm apontando.

Faixa na Marcha mexicana

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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