Matéria Especial Hypeness

Cara gente branca, aqui vão 65 atitudes simples para ajudar a vida da comunidade negra

por: João Vieira

O racismo no Brasil e no mundo é histórico e atinge pessoas negras nas suas mais diversas posições sociais. Já falamos de atos racistas contra advogadas, tenistas famosas e até contra crianças na plenitude da infância. Mas é sempre importante lembrar que o tema é uma problemática branca, ou seja, de responsabilidade de pessoas brancas acima de tudo. Isso quer dizer que é dever principalmente delas lutar contra isso.

Mas nós sabemos que o tema é delicado e falar sobre não é sempre uma tarefa simples.

Por isso, o Hypeness me convidou para dar dicas aos amigos brancos de como eles podem tentar nos ajudar de maneira mais concreta.

Vamos lá?

65 atitudes simples para ajudar a vida da comunidade negra

  1. Acredite em uma pessoa negra quando ela diz que racismo existe.

  2. Não trate todas as pessoas negras como se elas pensassem a mesma coisa sobre tudo.

  3. Não defina a qual raça uma pessoa negra não identificada pertence. Deixe que ela busque sua identificação e dê apoio emocional para isso.

  4. Não trate a África como se fosse um país. É um continente gigante e bastante diversificado.

  5. Não chame uma pessoa integrante de religiões afro de macumbeira. A não ser que você pertença a uma dessas religiões.

  6. Não faça piadas estereotipadas como “negro tem pau grande” ou “mulher negra tem que saber sambar”. Não é elogio.

  7. Não chame pessoas negras de morenas.

  8. Muito menos de mulatas.

  9. Não fale só sobre racismo com pessoas negras e nem infira que toda pessoa negra sabe falar sobre a questão.

  10. Nunca use a frase “tenho amigos negros” para provar que você não é racista.

  11. Elogie nossos cabelos sem tocar, por favor.

  12. Tente não usar os termos “nego”, “neguinho” e etc como figura de linguagem.

  13. Nunca diga que você é um “branco de alma preta”.

  14. Se você usa algum penteado afro, tenha a humildade de ouvir pessoas negras que venham a te acusar de apropriação cultural.

  15. Se uma pessoa negra diz que seu emocional foi prejudicado pelas experiências envolvendo racismo, acredite e a apoie emocionalmente.

  16. Apoie iniciativas de empreendedorismo tocadas por pessoas negras.

  17. Não se ofenda quando uma pessoa negra criticar os brancos e entenda que o contexto é muito maior do que você.

  18. Isso me lembra que: não diga que “nem todo branco é racista”. Achar que a gente não tem capacidade de entender isso é ser racista.

  19. Não diga que somos todos humanos.

  20. Nem que somos todos iguais.

  21. Ou que lutamos para todos sermos iguais.

  22. Não pergunte a uma mulher negra ‘se o cabelo dela é dela mesmo’.

  23. Não diga que pessoas negras têm beleza exótica em NENHUMA HIPÓTESE.

  24. Se você namora uma pessoa negra, não a utilize como um chaveirinho que prova que você não é racista.

  25. Não se cale quando seus amigos brancos dizem coisas racistas próximas a você.

  26. Não deixe o peso de lutar contra o racismo estrutural só nas costas das pessoas negras.

  27. Não trate com normalidade ambientes de espaço de poder onde só há pessoas brancas.

  28. Questione a razão pela qual todas as pessoas negras do seu trabalho/instituição de ensino estão trabalhando nas áreas de serviço.

  29. Não questione as cotas raciais.

  30. Não se coloque como ‘advogado do diabo’ em discussões sobre raça.

  31. Repita sempre o mantra: racismo é uma problemática branca.

  32. Não ache legal pessoas brancas usarem drogas se você acha que o genocídio negro disfarçado de guerra ao tráfico não é problema seu.

  33. Eu imploro: não relativizem black face.

  34. Não questione o feriado da Consciência Negra.

  35. Não infira que toda pessoa negra tem origem humilde pelo simples fato de ser negra.

  36. Sempre questione qualquer grupo de discussão sobre sociedade que não tenha pessoas negras.

  37. Não pense que o fato de você ser integrante da comunidade LGBTQ+ te exclui da possibilidade de ser racista.

  38. Jamais pense que você entende a dor de sofrer racismo, porque você não entende.

  39. Não diga que “o rap é de todos” quando for defender um rapper branco.

  40. Não vale dizer que gosta de funk se você tem medo do motorista do seu aplicativo de transporte fazer um caminho “por alguma comunidade”.

  41. Você, enquanto pessoa branca, precisa assumir sua parcela de responsabilidade na existência do racismo, uma vez que você se beneficia dele.

  42. Não consuma produtos de marcas envolvidas em casos de racismo.

  43. Se você participa de algum movimento social, incentive pessoas negras a discursarem e tomarem o protagonismo das discussões.

  44. Ouça pessoas negras.

  45. Questione-se se você só consome filmes, músicas e séries feitas por pessoas brancas.

  46. Parece óbvio, mas não é: não atravesse a rua quando ver um homem negro no seu caminho.

  47. Não trate relacionamentos com pessoas negras como fetiche.

  48. Não pense que o racismo só acontece quando alguém chama uma pessoa negra de macaca.

  49. Pare de dar apelidos a pessoas negras como “Negão, Grafite, Pelézinho” etc.

  50. Não use a palavra denegrir.

  51. Esteja ao lado de pessoas negras nos momentos de vulnerabilidade causados pelo racismo.

  52. Assista “Corra!”.

  53. E Pantera Negra.

  54. E Moonlight.

  55. E qualquer outra produção que fale sobre raça e injustiça racial.

  56. Não chame uma pessoa negra de capitão do mato porque você não tem esse direito.

  57. Não cobre uma pessoa negra por não se posicionar contra o racismo sem buscar entender o que a leva a ter esse comportamento.

  58. Estude sobre viés inconsciente.

  59. Não coloque homens brancos e negros na mesma cesta quando for falar sobre sociedade patriarcal.

  60. Sempre que possível, faça recortes de raça quando for falar sobre questões sociais.

  61. Não faça pouco caso da insegurança de uma pessoa negra.

  62. Não abandone uma pessoa negra que esteja passando por uma crise de autoestima, insegurança ou de qualquer ordem emocional.

  63. Não fale com pessoas negras só sobre racismo.

  64. Não fale “escravos”. O correto é “escravizados”.

  65. Na dúvida, PERGUNTE.

Posso contar com vocês?

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Fotos: Nappy/Reprodução


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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