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Colamos na gravação de ‘Pulelê’, o novo clipe de Monkey Jhayam com a Gaby Amarantos

por: Gabriela Rassy

Estranhamente, São Paulo acordou com uma manhã linda e quente de sol no dia 31 de agosto. Roupas separadas na noite anterior para não atrasar, café da manhã tomado, parti acompanhada do maravilhoso Jimmy The Dancer rumo Mauá. A viagem ao bairro Vila Santa Cecilia durou cerca de 1h30, mas estávamos muito animados com o dia que viria.

A quadra cheia de graffitis coloridos e que serve de espaço cultural para os moradores da região, já estava tomada por grupos de dança, equipe de filmagem e as imponentes caixas do JZ Sound System. As casas do entorno faziam as vezes de camarim e base para a equipe que participaria da gravação. Era dia de dar cara à “Pulelê”, single que Monkey Jhayam lançou com Gaby Amarantos na mesma semana.

A música já está amadurecendo tem algum tempo. Em 2016, Monkey e Gaby se encontraram e perceberam que tinham muito em comum. “A Gaby é um ser maravilhoso. Em 2016 tive a oportunidade de fazer contato com ela por que ela queria interpretar uma música minha, a ‘Sata Massa Ganja’. Fui no ensaio e ela falou da ideia de fazer um espetáculo com músicas de periferia, assim como gamble, dancehall e eu entrei nessa onda ajudando a compor. É tudo fruto dessa época”. Monkey conta que foi uma experiência incrível conhecer mais essa cultura de Belém do Pará. “Ir para lá, viajar com ela, aprendi muito. A Gaby é uma pessoa muito humilde e não exita em compartilhar seus conhecimentos com o próximo, é uma energia sem igual poder trabalhar ao lado de alguém que amplifica cada vez mais as possibilidades. Tudo é possível”, diz o cantor e compositor.

Pulelê é sobre trazer nossa ancestralidade para a pista. “É um hit afrobrasileiro pesado, que fala dos nossos temperos, das nossas conexões. A gente está neste momento de empoderar nossa ancestralidade”, comenta Gaby. Sua relação artística de dois anos com Monkey rendeu ainda muita admiração dos dois lados: ele é um artista que sou muito fã, Monkey é muito completo. Estou muito feliz de estar com essa galera ‘profissa’ aqui hoje”.

Tudo começou quando Monkey teve o primeiro contato com o Buraka Som Sistema, uma banda que apesar de ter encerrado as atividades ainda vale conhecer. “Ouvi bastante o som dos shows finais deles em Lisboa e, através dessa referência, eu e meu mano Felipe Iphils produzimos a primeira guia do som. Eu fiz a letra com a ideia de falar de temperos latinos, sobre esse lance do Brasil ‘caliente’. Apresentei para a Gaby, que já tinha essa ideia de fazer esse som com vertentes de músicas de periferia, e ela gostou bastante. Daí colocou o ponto de vista dela e montamos o som. Isso lá em 2016 e agora estamos lançando no álbum Fortalecendo a Cultura”, conta.

Mauá foi o local escolhido para a gravação. O videoclipe dirigido por Premier King, com produção da Corazon Filmes, é uma explosão de cores e sabores – tal e qual a letra da música. Feitas algumas tomadas com os grupos de dança Força Queens e Twerk Brasil, que quebraram tudo em coreografias potentes, começava a primeira sequência de filmagens com Monkey e Gaby. A referência de moda, principalmente com referências africanas dominou o set. A produção tem participação do estilista Joseph Ackon, que garantiu look para todos os participantes, além de cuidar mais de perto dos protagonistas. Na primeira cena, a dupla aparece com estilo Animal Print. Nesta cena, eles ficam rodeados por dançarinos negros, também na estica afro style.



O segundo look de Monkey e Gaby Amarantos vinha com uma pegada Color-Blocking, numa combinação coloridíssima e toda trabalhada na mistura. Tons fortes para uma música forte! As cenas foram gravadas ainda com a cantora Preta Rara, as meninas do Rap Plus Size, As Alexandres, as dançarinas Jess e Darlita, além dos grupos maravilhosos que mandaram ver no baile. Já o terceiro estilo veio totalmente Afro-Punk. Gaby sustentava longos cabelos cacheados e Monkey um chapéu de palha, estilo vietnamita, além de figurino da Okan, misturado com Ackon Wear e Converse. Nesta cena, todos – até esta humilde repórter que vos fala – entraram na festa. As tomadas pegaram cada participante dando show de dança e estilo.

Foi um dia de muita mistura, diversidade e lugar de fala. “A Gaby vem com toda essa representatividade que ela tem de mulher preta, nortista. E existe uma diversidade muito grande de pessoas aqui. Dentro do reggae as vezes se tem uma visão muito conservadora de algumas coisas, acho que daqui para frente é o momento de trazer cada vez mais essa diversidade e mostrando que junto a gente é forte”, conclui Monkey.

Se liga nesses trechinhos da letra e paga a potência:

“Sinta a batida latina, cachaça, pandeiro, pimenta menina, fome de saliva, subida acima,
Sem fraquejar na batalha sofrida
Melhor dançar vamos brindar a vida,
Com rapadura, feijão, cajuína,
Calor que aquece a sua melanina, suor que brilha a pele que ilumina,
Tenho minha fé ando com os meus guias.
Só lamento pra quem desacredita, tenho amor, saudades da Bahia,
Pra Salvador quero ir lá um dia”

“Então pula,
Ta na hora de pular,
Pula logo esse muro e vem pro lado de ca,
Diretoria, não tem esses papo não, nossa tribo é firmeza,
E nóis é tudo irmão.
Nóis taca fogo, incendeia todo mal,
Faz a limpa corpo e mente, deixa o clima a mil grau,
Vai ser pipoco, no batuque lacração, tá rolando euforia,
E tá tendo aceitação”

Confira o making of:

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Fotos: Gabriela Rassy e Divulgação


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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