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Como me apaixonei pela realidade virtual no Hyper Festival

por: Gabriela Rassy

Vamos começar com as confissões. Realidade aumentada e vídeos em 360º sempre estiveram longe do meu dia a dia. Games, em especial de lutas ou guerras, também passam longe dos meus interesses. Em período de eleições, não se falava em outra coisa e a cabeça estava mais do que focada na política. Neste contexto chego ao Hyper Festival, um pequeno paraíso da cross reality. E um mundo novo se abriu.

Para quem nunca tinha colocado um óculos de realidade virtual, ali tinha um prato cheio. Uma linda reunião de profissionais do audiovisual, criatividade, computação e outros ao universo das realidades imersivas estavam ali a postos para mostrar seus trabalhos. Jogos individuais e em grupo, filmes com humanos e com ilustrações, experiências virtuais quase reais. Vivi um pouco de cada para chegar à conclusão que me apaixonei por esse outro lado da realidade.

Toda concentrada na minha realidade virtual

Toda concentrada na minha realidade virtual

Quem nasce hoje em dia – e até quem já está com seus 22 anos – chega ao mundo com a existência do mundo online totalmente misturado com o offline. Essa geração Z conecta as duas realidades muito mais organicamente que nós millenials – ou os X que aqui nos leem. Minha sensação com a realidade aumentada foi o mais perto de sentir que essa transição de gerações aconteceu mesmo.

Vamos às experiências

Comecei a história toda mergulhando de volta na experiência que tive útero de minha mãe. Calma, isso tudo com ela sã e salva em casa. Equipada com um óculos de realidade virtual, o Wonderful You nos leva por um passeio pelo corpo humano no momento em que os sentidos são formados, ainda na barriga da mãe. Como é o desenvolvimento do olfato ou o nascimento da nossa visão, antes mesmo de ter algo para ver?

Esta linda experiência foi criada pela produtora inglesa BDH, localizada em Bristol, e que chega ao Brasil através da empresa Quanta DGT. Originalmente narrada pela atriz Samantha Morton, indicada duas vezes ao Oscar, a Wonderful You ganhou versão em português narrada pela locutora e pesquisadora Simone Kliass. “Nesta experiência você tem a possibilidade de voltar para o útero da sua mãe – e isso acontece com a realidade virtual, o fato de chegar a lugares que você nunca poderia chegar – e lá a gente consegue entender como os 5 sentidos do feto são desenvolvidos”, conta Simone, que também foi a apresentadora do Hyper Festival.

Já impactada pela experiência, parti para uma outra vivência. Desta vez, um passeio por uma cidade do Marrocos. Em “Sonho Marroquino”, você se vê em um lugar desconhecido e escuro, com uma fogueira no meio. Depois de acender uma tocha na fogueira, é possível ver que estamos em uma construção aparentemente abandonada e passamos a caminhar pelo espaço até chegar à rua. Durante o caminho, começam a surgir sussurros, ora com voz feminina ora masculina, sempre se misturando e trazendo pensamentos à mente – tal e qual em um sonho. Tudo é absolutamente real, o que torna impressionante a vivência! A locução é feita também por Simone Kliass e por Jason Bermingham.

Outra experiência inesperada foi de entrar em um game em grupo. Para quem não era fã de jogos, eu parecia um adolescente correndo pela sala atirando em alienígenas. No jogo The Last Squad você coloca os óculos e agarra seus controles, tudo conectado em uma mochila nas suas costas. Entrando no sistema, você está dentro de uma base espacial e consegue ver os outros participantes com uma armadura robótica. Começam então a aparecer os aliens e precisamos defender a última base na Terra dessa invasão. É emocionante, é absurdamente real e indico fortemente que vivam esse jogo imersivo. Fora do festival é possível curtir o The Last Squad na Arkave VR, uma arena de jogos em Realidade Virtual que fica em Campinas.

Outras possibilidades de entrar literalmente no jogo, eram o Ready Player One, de Steven Spielberg, que teve a estreia mundial no Hyper Festival Brazil, além de outros games imersivos, como The Lab, Job Simulator e Beat Saber. Neste último, o jogador tem duas espécies de “sabres de luz” nas mãos para cortar objetos que vêm em sua direção. Logo a velocidade e a música aumentam dando um frenesi ao jogo. Numa pegada mais imersiva, tinha por ali ainda uma possibilidade de viver um sequestro. Isso mesmo.

Um grande destaque do evento foram os Filmes 360VR . Animações, documentários e experiências inéditas no Brasil chegam para mostrar uma infinidade de possibilidades dentro desta área. Fiquei chocada/apaixonada (estranhamente, eu sei) pelo “iBox-Insult Box-Boîte à insultes”, de Emmanuel Albano. A ideia ali é viver um filme interativo. Você está no meio de uma roda de quatro pessoas e enxerga uma por vez, conforme vira para cada lado. A pessoa que está de frente para você passa a bater um papo leve, querendo te conhecer. Depois de um tempo você muda de pessoa, conforme sua vontade, mas, quando volta para esta primeira que já deu atenção, a pessoa está muito chateada com você. Cada vez que você sai para falar com outro personagem e volta, as pessoas vão ficando mais e mais bravas. Ainda está disponível só com dois personagens que falam inglês, um que fala francês e outro alemão, mas a ideia é que ano que vem chegue por aqui com uma versão em português.

Depois de um dia inteiro imersa na realidade virtual devo resgatar um ET Bilu aqui: busquem conhecimento. Vale muito viver esse tipo de experiência seja em um filme, em um game ou em uma imersão totalmente diferente. Os projetos podem ser infinitos e muito criativos dentro de todas as áreas: educação, entretenimento, saúde e pra onde mais sua imaginação puder te levar. E o Hyper já está na minha agenda para 2019. #ansiosa

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Foto destaque: Ryan Adams/Homedust


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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