Minha Casa é Hype

Decoração afetiva e estilo boho inspiram a casa dessa família em São Paulo

por: Brunella Nunes

Publicidade Anuncie

Dividir trabalho e moradia no mesmo ambiente pode parecer uma tarefa difícil pra muita gente, mas sabendo dosar o que fica em cada canto, acredite: pode ser o melhor lugar do mundo. Faz cinco anos que a produtora audiovisual Helka Velloso, de 45 anos, vive com a família numa casa antiga em São Paulo, onde também funciona seu escritório. Com cara de interior, a morada rodeada de verde é pautada pela chamada decoração afetiva, baseada em objetos e referências que tenham um profundo significado para os habitantes da toca.

Bem arejada, com toques de cor, espaços externos e área íntima super reservada, a casa foi construída por volta de 1998 e foi adquirida por Helka por causa da arquitetura e da proximidade com a escola do filho, Pedro, diminuindo a porcentagem de tempo perdido no trânsito da cidade. Mas a arquitetura também conta na escolha. “Além disso, essa área é bem residencial e arborizada, com um comércio onde fazemos quase tudo a pé. Meio um climão a moda antiga, com pessoas que ainda conversam na rua, te chamam pelo nome, contou ela ao Hypeness.

Janelas grandes e ausência de prédios ao redor tornam a casa bem iluminada

Quintal ajardinado, paredes coloridas, tijolinho à vista, janelas de madeira e artesanato dão um charmoso ar de brasilidade para o lar, somados à uma porção de mobília customizada e garimpada, atividade que Helka começou bem precocemente. Foi aos 4 anos de idade que ela arrematou sua primeira peça, quando estava na companhia do pai fotógrafo. E até hoje a peça continua firme e forte em sua casa. Tais elementos também se encaixam à estética boho, termo de abreviação da estética boêmia contemporânea.

A produtora Célula, que ela divide com o marido Ricardo, ocupa uma parte do refúgio. No meio disso tudo ainda cabe um cachorro, dois hamsters e duas tartarugas como integrantes da equipe. A filha mais velha, Stephanie, mora perto e se mantém como assídua frequentadora dos almoços do fim de semana. Além disso, herdou da mãe o gosto pelo garimpo.

O mascote Jake se camufla entre as plantas do jardim

 

Abaixo você confere nosso bate-papo com a família para saber mais sobre esse cantinho inspirador e criativo:

Hypeness: Se pudesse descrever a sua casa hoje em poucas palavras, como descreveria?

Uma casa com vagas. Por aqui sempre cabe mais um móvel, mais um hóspede, mais uma ideia.

De onde surgiu a inspiração para a decoração do local?

Boa parte foi herdada da memória familiar, como o gosto pelos móveis velhinhos, as cores e o prazer por colocar a mão na massa. A outra parte veio em função de desejarmos criar uma atmosfera de convívio super agradável, já que aqui, além de morarmos, é também nosso espaço de trabalho. Tem dias que a casa está vazia e dias que as cadeiras são poucas pra tanta gente. Então, tiramos proveito de sua arquitetura para criarmos diferentes ambientes, todos com uma pegada “totalflex“, descontraídos e propícios a um trabalho criativo.

Encaramos a casa como um organismo vivo, que se adapta conosco a novas necessidades, estímulos e gostos. E como a gente curte experimentar, sempre tem algo em transformação por aqui.

Você consegue definir pra gente a ideia de decoração afetiva e como uma pessoa pode colocá-la em prática?

Pra mim, decoração afetiva é ser capaz de humanizar o alicerce e estar rodeado por aquilo que tenha significado pra você. É tornar quatro paredes um refúgio, um lugar para onde sempre tenha vontade de voltar e onde você se reconheça em cada cantinho. Acredito que a melhor maneira de colocá-la em prática é não ter medo, é arriscar com força numa cor, numa composição, na função de um espaço. Quando você faz qualquer coisa dentro da sua casa, olha para aquilo e sorri, pronto, você acertou.

Peças customizadas e carregadas de significado abrilhantam os cantinhos da casa

Como foi o processo da reforma da casa para que ficasse como está hoje?

Acho que foi um processo que só começou! [risos] Quando viemos pra cá, dividimos os espaços por funções, distribuímos os móveis e entramos em processo de observação. Esse processo dura até hoje. Conforme nossa demanda no trabalho ou nossa inquietação, destinamos novos usos aos recintos, mudamos o layout das salas, pintamos as paredes. Nesses 5 anos, acho que a grande reforma que aconteceu foi conseguir criar uma casa versátil e acolhedora e que, acima de tudo, traduz nossos gostos muito bem.

Qual o cômodo preferido da casa? Por quê?

As áreas externas. Elas são libertadoras, especialmente nas temporadas mais quentes. A céu aberto a conversa soa mais leve, a descontração está sempre presente, as horas parecem não correr.

O lugar preferido da família é o de fora, perto das plantas e do ar fresco

 

Qual o item de decoração que mais gosta na sua casa? Por quê?

O criado-mudo garimpado quando tinha 4 anos. Além de ser uma lembrança das boas que carrego de um dia muito especial com meu pai, foi meu primeiro móvel velhinho.

A sua filha mais velha, que não mora mais com você, já herdou coisas suas para a casa dela? essa tradição segue fluindo?

Já herdou lustre, sofá, baú, toalha de mesa, quadro, plantas, vasos. Algumas coisas ela herdou por necessidade, sabe como é começar a carreira solo… Outras ela levou para experimentar e aos poucos descobrir seu próprio estilo. Mas sim, essa troca familiar é algo que já está no sangue.

À esquerda, o criado mudo que Helka garimpou ainda criança

É difícil se desfazer de memorabília? como é o processo de apego e desapego?

Embora tenha bastante afeição pelos meus velhinhos e um carinho todo especial por alguns objetos, em determinados momentos alguns possam uma temporada na casa da minha mãe, da minha irmã, do meu irmão e agora também da minha filha. Em nossa família vira e mexe rola um rodízio e trocamos móveis, quadros, vasos etc. Porque tem vezes que, mesmo gostando muito, determinada peça cansa. Então férias pra ela. É uma maneira que encontramos de renovar sem precisarmos nos desfazer e, quando a saudades bate, destrocamos. Já tive vaso que foi e voltou umas 5 vezes [risos]

Sua casa tem muitos trabalhos artesanais, especialmente nas almofadas e detalhes nas paredes. São comprados ou herdados? Você se arrisca nos trabalhos manuais?

Muitos itens artesanais trouxe da casa de minha mãe, pois meu pai viajava bastante e tinha o hábito de comprar muita coisa, justamente para que os filhos levassem no dia em que tivessem suas casas. Um outro tanto vem de garimpos que costumo fazer, entro em praticamente todas as portinhas curiosas que encontro no caminho. E, sim, boto forte a mão na massa. Quase todas as almofadas foram produzidas por mim e também o pufe em crochê que temos na sala de TV. Além disso, todas as intervenções feitas nas paredes, como o livro da Alice que temos em nosso hall de entrada, fomos nós mesmos que fizemos. Isso também se estende aos móveis. Conheço cada defeitinho, cada detalhe e tive o imenso prazer de customizar todos eles.

Almofadas de crochê foram feitas pela dona da casa e dão um toque especial

 

A parede forrada de páginas de livro também foi uma invenção de Helka para sair da mesmice

 

Você se imagina vivendo em outro lugar? Se sim, qual?

Acho que casa é uma coisa que carregamos dentro da gente. Mesmo gostando muito de todas as casas onde morei e ainda vivendo uma paixão louca por essa atual, gosto de mudanças e acho que fazem um bem danado na vida da gente. Consigo sim me imaginar daqui um tempo vivendo numa casa na praia, com janelas bem generosas e um quintal bem grandão de onde eu possa avistar o mar. Sonhar é bom, né?

Na casa tem até uma parede que fala: o letreiro Saravá fica na parede do home office

A mesa usada por Helka e os irmãos durante a infância foi resgatada do sítio para fazer companhia à parede roxa

Publicidade Anuncie

Fotos por Helka Velloso


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Disney lança linha de objetos de ‘O Estranho Mundo de Jack’ e nós já estamos encantados