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Mais Médicos: Cubanos atendiam rincões e mais pobres. Quem vai fazer esse trabalho?

por: Redação Hypeness

Cinco anos depois, o programa Mais Médicos chega oficialmente ao fim. O anúncio foi feito pelo governo de Cuba, que decidiu deixar o programa em função de declarações “ameaçadoras” do presidente eleito.

Ao longo da campanha, Jair Bolsonaro (PSL) disse que expulsaria os médicos cubanos do país. O político colocou com uma das promessas de campanha a utilização do exame de revalidação do diploma de médicos formados no exterior, o Revalida, para mandar os cubanos embora.

“Nós juntos temos como fazer o Brasil melhor para todos e não para grupelhos que se apoderaram do poder e [há] mais de 20 anos nos assaltam e cada vez mais tendo levado para um caminho que nós não queremos. Vamos botar um ponto final do Foro de São Paulo. Vamos expulsar com o Revalida os cubanos do Brasil”, bradou Bolsonaro em pronunciamento na cidade de Presidente Prudente, em São Paulo.

O Mais Médicos era bem avaliado por quem precisava

A decisão de chamar de volta os médicos partiu do Ministério da Saúde Pública de Cuba, que se pronunciou em comunicado.

“O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa”, se justificou em nota.

Ainda sobre o Revalida, em novembro de 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu dispensar a exigência da validação de diploma de estrangeiros. No entanto, todos os médicos precisavam apresentar diploma de medicina expedido por uma instituição de ensino superior estrangeira, habilitação para o exercício da profissão no país de origem e fluência na língua portuguesa, nas regras do SUS e protocolos de atendimento. Apesar de reclamações e protestos, dos 16.707, metade – 8.556 – dos participantes eram de Cuba.

O programa aumentou, sobretudo, o nível dos atendimentos iniciais

O Mais Médicos foi criado em 2013, durante a gestão de Dilma Rousseff (PT) e credenciava profissionais de saúde do país caribenho para a prestação de atendimento em áreas com níveis elevados de vulnerabilidade social.

No mesmo 2013, a então ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, declarou que nenhum dos candidatos ao programa Mais Médicos, do governo federal, escolheu trabalhar em algum dos cerca de 700 municípios que não possuem um médico da rede pública sequer.

Quem vai fazer esse trabalho?

Com o passar dos anos, a carência de médicos em áreas afastadas dos grandes centros do país foi sendo suprida pelo serviço prestado pelos profissionais de saúde de Cuba. Quem precisa de atendimento e não tem, não quer saber se a salvação vem de Cuba ou Marte. Quer solução.

Em 2016, o governo federal divulgou levantamento mostrando que o programa Mais Médicos era responsável por 48% das equipes de Atenção Básica em municípios com até 10 mil habitantes. O alcance era tanto, que em 1.100 municípios contemplados pelo programa, o Mais Médicos respondia por 100% da cobertura de Atenção Básica.

O governo cubano tomou a decisão por causa do discurso de ódio de Bolsonaro

Atenção Básica é prevenção. A Organização Mundial da Saúde considera o cuidado fundamental para garantir os níveis de bem-estar físico, mental e social das pessoas. A importância do cuidado se reflete numa pesquisa avaliativa sobre os médicos feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Entre novembro e dezembro de 2014, 14 mil pessoas de 700 municípios brasileiros deram nota 9 para o atendimento dos cubanos no país. Detalhe, 55% dos ouvidos deram nota máxima ao programa, 77% afirmaram que tiveram uma boa comunicação e 87% elogiaram a atenção e qualidade do atendimento.

Em entrevista ao UOL, a médica Idalis Rivero, que atendia em Folha Miúda, em Caraíbas, declarou tratar o trabalho no Brasil como uma missão.

“Claro que a escolha de vir tem o lado financeiro, mas mais que isso: lá, desde cedo, somos ensinados a ajudar as pessoas. Vim por isso”, encerrou.

Nestes cinco anos, o Mais Médicos reuniu 20 mil profissionais cubanos, que atenderam mais de 113 milhões de pacientes em pelo menos 3,6 mil municípios. Aliás, mais de SETECENTOS municípios tiveram um médico pela primeira vez na história. Índios, amazônicos, sertanejos e periféricos, todos foram beneficiados.

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Fotos: EBC


Redação Hypeness
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