Debate

O que o assassinato do jogador do São Paulo Daniel tem a ver com machismo

por: Redação Hypeness

O assassinato de Daniel Corrêa, encontrado morto em São José dos Pinhais no Paraná, abre espaço para a reflexão sobre a dificuldade de muitos homens em lidar com a traição.

Segundo testemunhas, o jogador do São Paulo de 24 anos foi morto por um possível envolvimento com a mulher do assassino. A pessoa que estava com o atleta na manhã do crime, disse à Polícia Civil que Daniel foi espancado por quatro homens na casa de uma mulher, onde acontecia uma festa.

A testemunha, que está sob proteção policial, revelou ter conhecido o jogador em uma boate de Curitiba durante a comemoração do aniversário de um amigo em comum. Para a defesa, o crime foi motivado por ciúme.

A morte de Daniel Corrêa reforça a importância do debate sobre o machismo entre homens

A assessoria de imprensa da Polícia Civil paranaense confirmou a realização do depoimento aos jornalistas. Em nota, a corporação afirma que Daniel se ausentou da festa e depois de meia hora alguns presentes ouviram pedidos de ajuda.

“Eles estavam numa casa noturna e quando acabou, às 5h ou 6h da manhã, foram fazer um after e continuar na casa de uma das meninas”, relatou o advogado Jacob Filho, que representa a testemunha. “O Daniel entrou no mesmo Uber que a testemunha e outras três pessoas. Chegaram na casa e ficaram bebendo, conversando. O Daniel sai e passada uma meia hora, mais ou menos, eles escutam ‘Socorro, socorro, ajuda!’. Não sabiam o que era e foram ver”.

De acordo com a testemunha, os agressores desferiram facadas contra Daniel Corrêa e colocaram o atleta “praticamente desfalecido” no porta malas de um carro.

Machismo e traição

Ficou estabelecido culturalmente que um homem traído tem sua honra atingida. Tal afirmação se comprova com uma simples brincadeira. Vez ou outra, surge em rodas de de conversa masculinas ‘elogios’ do tipo “garanhão” para rapazes que se relacionam com várias mulheres ao mesmo tempo.

Para as mulheres, em contrapartida, a história não é a mesma. Os relacionamentos extraconjugais são classificados com palavras ofensivas. Para a coach de relacionamentos & autoestima, Rosângela Ojuara, “é o machismo que faz com que o homem se sinta assim”.

O ‘Projeto Caretas’ chama a atenção para o pornô de vingança

Ela segue dizendo que “para eles, traição lembra a honra ferida, o sexo insatisfatório, posse desbancada, território invadido, impotência anunciada e/ou incompetência na cama. Traição para a mulher tem a ver com amor, com quebra de promessa. Nós mulheres enxergamos até a infidelidade com um olhar romântico, então se ouvimos novas promessas e nos apaixonamos de novo o casamento provocado pela traição se dissipa”.  

Com o avanço da tecnologia, as formas de vingança contra mulheres, seja por casos de traição ou não, ganharam novos contornos. Sobre o assunto, o Hypeness conversou com a protagonista de uma campanha feita pela Unicef no Facebook sobre o chamado pornô de vingança.

Agora criminalizada pela Justiça, a prática consiste em ameaçar a mulher com a divulgação de fotos íntimas nas redes. O método provocou aumento nos casos de suicídio e depressão.

A masculinidade tóxica representa papel importante e vitima também os homens. O Atlas da Violência de 2017  mostra que homens morrem 10 vezes mais em função da violência cotidiana do que mulheres. Entre jovens de 15 a 19, a incidência é ainda maior.

Por isso, a morte de Daniel Corrêa e de outros tantos homens reforça a importância da participação masculina no debate sobre machismo. Interessados existem, já que segundo estudos encabeçados pela ONU Mulheres, o portal Papo de Homem e o Grupo Boticário, 81% dos homens e 95% das mulheres entrevistadas concordam que o Brasil é um país machista.

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Fotos: foto 1: Erico Leonan SPFC/Reprodução/foto 2: Reprodução


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