Debate

Todos os governadores do RJ desde 1998 estão ou foram presos e isso diz muito

por: Redação Hypeness

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), foi preso na manhã desta quinta-feira (29) pela Polícia Federal. A detenção faz parte da operação Boca de Lobo, um desdobramento da Lava Jato, baseado na delação premiada de Carlos Miranda.

Pezão foi preso às 6h, no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do chefe de estado fluminense. De acordo com o Ministério Público Federal, Pezão operava um esquema de corrupção próprio com a participação de operadores financeiros. Documentos mostram pagamentos em espécie a Pezão de quase R$ 40 milhões. O repasses aconteceram entre 2007 e 2015.

Pezão é acusado de dar continuidade ao esquema de corrupção de Cabral

A assessoria de imprensa do governo do estado disse que não vai se pronunciar sobre o assunto. Com Pezão preso, quem assume é o vice Francisco Dornelles.

Políticos presos

A prisão de Luiz Fernando Pezão é mais um golpe na já fragilizada política do Rio de Janeiro. O estado sofre há anos com sérios problemas financeiros, violência generalizada e falta de investimentos por causa do grande volume de corrupção.

A debilidade do sistema político se reflete na prisão dos principais representantes do poder público fluminense. Desde 1998, todos os governadores eleitos do Rio de Janeiro foram presos, as exceções são Benedita da Silva (PT), que assumiu o cargo em 2002, quando Garotinho se candidatou à presidência da República e Wilson Witzel, eleito em 2018.

Garotinho foi preso três vezes em apenas um ano

Sérgio Cabral, foi preso em novembro de 2016, acusado de receber propina para a concessão de obras públicas. O ex-governador foi enquadrado na operação Lava Jato e é réu em diversos processos. Ao todo, as condenações de Sérgio Cabral somam 170 anos e 8 meses de prisão. O político está detido em Bangu 8.

Anthony Garotinho, chegou a ser preso três vezes em apenas um ano. Entre os processos está a acusação de participação em um esquema de compra de votos envolvendo o programa social Cheque Cidadão.

Rosinha Matheus, foi detida pela Polícia Federal ao lado do marido, Anthony Garotinho. Os dois são acusados de participação em uma organização criminosa e falsidade na prestação de contas.

Sérgio Cabral desviou milhões dos cofres públicos

Na Assembleia Legislativa, todos os presidentes de 1995 a 2017 foram presos. Sérgio Cabral, Jorge Picciani e Paulo Melo. Eleito presidente da Alerj em 2015, Jorge Picciani (MDB) esteve preso acusado de utilizar o cargo para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele também esteve à frente da casa entre 2003 e 2010 e atualmente cumpre prisão domiciliar em função de problemas de saúde. O político está entre os citados nas investigações da morte de Marielle Franco

O antecessor, Paulo Melo (MDB), comandou a Alerj entre 2011 e 2014. O deputado está preso e foi um dos alvos da Operação Cadeia Velha, que investiga um esquema de corrupção mantido por empresários dos setores de construção civil e transportes.

Rosinha Matheus é mais uma ex-governadora atrás das grades

Mais corrupção na Assembleia Legislativa. A Lava Jato prendeu 10 deputados estaduais em uma investigação sobre mensalinho. As prisões representam um sétimo das 70 cadeiras da Alerj. Os envolvidos recebiam propinas mensais entre R$ 20 mil e R$ 100 mil e cargos para votar de acordo com os interesses do governo. Foram movimentados, segundo a PF, R$ 54 milhões.

São eles, André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Edson Albertassi (MDB), Jorge Picciani (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinícius Neskau (PTB) e Paulo Melo (MDB).

Picciani está na mira dos investigadores da morte de Marielle Franco

Os tentáculos da corrupção bateram na porta do Ministério Público e o ex-procurador geral, Cláudio Lopes, foi preso e teve os bens sequestrados pela Justiça. Lopes é acusado pelo MP de receber propina para ‘blindar’ a organização chefiada por Sérgio Cabral.

Nem o Tribunal de Contas do Estado escapou. O presidente e quatro conselheiros do TCE foram presos. Aloyisio Guedes, Domingos Brazão, Marcos Antonio Alencar, José Graciosa e José Nolasco. Todos apontados pela Polícia Federal e o Ministério Público como responsáveis por desvios para favorecer membros da corte durante a gestão de Cabral.

Rombo financeiro e violência

O cenário refletiu com força na saúde financeira do Rio de Janeiro. O estado firmou acordo de recuperação fiscal com o governo federal em setembro do ano passado. O plano prevê cortes de gastos e ajuste fiscal de R$ 63 bilhões até 2020. O pagamento da dívida do estado com a União está suspenso durante a vigência do plano.

A corrupção afetou também a segurança pública do Rio e diante do descontrole, o estado sofreu uma intervenção federal. Há sete meses, o exército está no comando da segurança pública fluminense. Como previam alguns especialistas, a operação não surtiu efeito e o número de mortes só aumentou.

A intervenção aumentou o número de mortes

Em agosto passado, antes do decreto, 70 pessoas morreram em confrontos com a polícia. Em agosto de 2018, foram 175 mortes. O aumento de 150% é o maior já registrado pelo Instituto de Segurança Pública.

A saúde também foi comprometida pela corrupção sem precedentes. No Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, na zona norte, funcionários não recebem salários há dois meses. Dos 269 leitos, apenas 80 estão ocupados. O centro médico sofre ainda com uma infestação de insetos.

Para piorar o cenário, o prefeito Marcelo Crivella (PRB), prevê corte no orçamento para a saúde na casa dos R$ 700 milhões.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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