Minha Profissão é Hype

Tatuador larga a publicidade para viver de arte. Mas explora tecnologia para pirar na geometria

por: Rafael Oliver

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Duas da tarde de um sábado ensolarado. No alto de um prédio comercial na zona sul de São Paulo, a vista privilegiada da cidade é só mais um atrativo no studio do Marcelo Capocci. Com auxílio de computador e tablet de alta performance, o tatuador está trabalhando na criação de um novo projeto.

Ele reclama do silêncio. Nessa hora, eleva o tom da voz e dá uma ordem em inglês: “Alexa, play Nirvana!”.

Olho para os lados procurando a tal da moça, mas logo percebo que o som vem de um acessório que executa funções  por voz através de uma assistente virtual. Esse é apenas mais um gadget que auxilia Marcelo no dia a dia: MacBook, Ipad e caneta de precisão adicionam detalhes aos desenhos.

Uma minúscula impressora térmica desenvolvida para dar perfeição ao trabalho também é usada. Assim que notado, o ambiente tecnológico desperta a curiosidade dos clientes e visitantes e deixa o lindo cenário urbano da janela em segundo plano.

Faltando pouco mais de uma hora para a chegada do primeiro cliente, aproveito para perguntar sobre essa invasão tecnológica no studio, sobre o processo de trabalho do tatuador e sua profissão.

De onde vem essa influência digital no seu trabalho?

Tenho formação em Design Digital, atuei como diretor de arte em algumas agências publicitárias. Foi de lá que eu trouxe tudo isso. Mas também busco referencias em outras áreas. Quando uso geometrias por exemplo, gosto muito de ver referências de projetos de arquitetura e engenharia.

 

Por quê decidiu trocar de profissão?

Tava faltando alguma coisa…. Algo que a publicidade jamais iria me trazer: a liberdade da criação artística. Depois de anos insatisfeito, me abri pra outras oportunidades. Foi quando fui fazer minha primeira tatuagem. Ver o tatuador fazer aquele trabalho me encantou. A materialização da arte na pele… Puta que pariu, fiquei alucinado. No mesmo dia fui pra casa e comprei uma maquina de tattoo na galeria do rock. Em menos de um ano já tava vivendo disso. Tive ao meu lado grandes profissionais que me ensinaram muito no começo, hoje tenho meu studio próprio e atendo clientes somente com hora marcada.

 

Tô curioso pra saber sobre o processo de criação e em que momento você usa seus robôs.

Meu processo começa com um papel e lápis. Essa é a parte que considero mais importante, a criação da arte. Um esboço rápido onde defino a dimensão e estrutura do desenho. Onde consigo materializar a ideia mesmo que de forma tosca. Dependendo da ideia, muitas vezes parto para o Photoshop, Illustrator ou iPad Pro.

Uso esses softwares pra fazer  composições, refinamentos e finalização da arte. Gosto deles pela facilidade em fazer experimentações de forma rápida. Meu processo de criação é basicamente por experimentação, vou construindo uma ideia sem saber de fato como ela vai ficar no final. Depois de finalizado, uso uma impressora térmica, que imprime o desenho em papel carbono, pra depois ser transferido pra pele.

Enquanto tudo isso acontece, a Alexa ajuda com o entretenimento. Não é só com a música, ela faz várias coisas, sabe até jogar Papel Pedra e Tesoura. Depois você pode jogar se quiser.

Obrigado, eu vou querer! Marcelo, qual o maior desafio que enfrenta na sua profissão?

O grande desafio é essa responsabilidade de desenvolver algo exclusivo e ao mesmo tempo atender a expectativa dos clientes todos os dias. Hoje em dia os clientes que recebo ja esperam uma criação minha e não vem com referência. 

Essa é a parte mais desafiadora. Criar algo original e autentico não é fácil. É desgastante mas o resultado final sempre vale a pena. O resultado final do meu trabalho se resume na minha satisfação e na do cliente, igualmente proporcional.

A satisfação então seria a melhor coisa da sua profissão?

Também. Saber que a conexão com o trabalho foi tão grande a ponto da pessoa decidir expor na pele pra sempre, também é demais.

E qual é a pior coisa?

Perder minhas roupas. Todo dia mancho alguma com tinta. Inclusive acho que você sujou sua mão quando mexeu na impressora , cuidado aí…

Ficou claro que o sucesso do tatuador se deve não só ao seu talento como artista e experiência como designer, mas também a uma inteligente percepção da capacidade do auxílio de hardwares e softwares na criação da tatuagem. Ele parece ter descoberto a combinação exata da arte com a tecnologia. O resultado é nítido: uma agenda lotada de clientes que se surpreendem desde o inovador processo de criação à qualidade do resultado final.

Abaixo mais um pouco do trabalho do tatuador:

    

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Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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