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Um lugar feliz: acompanhamos o festival MECAMaquiné no RS e saímos sorrindo

por: Bibiana Beck

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Maquiné é um lugar feliz. Essa cidade do litoral norte do Rio Grande do Sul empresta suas belezas, nome e clima ao MECAMaquiné: festival de música que rolou neste sábado, dia 3 de novembro.

Fomos até a Fazenda Pontal para acompanhar mais uma das edições do “maior menor festival do mundo”.

Além de música boa, com atrações de qualidade instrumental hipnotizante, vimos muita gente livre: para cantar, dançar, amar e, como não poderia deixar de ser, se manifestar.

 

Boas-vindas – Foto: Douglas Sielski


Na chegada, ainda em silêncio, percorremos a pé uma estrada de terra e contornamos as margens de uma lagoa. Conforme a gente se aproximava, sob um céu roxo e em um corredor de mata, começamos a ouvir um som que denunciava que estávamos no caminho certo. Entramos. Não sem antes presenciar um resgate de tartaruga, performado por maestria por uma simpática equipe de segurança. O clima da fazenda era potencializado por cantinhos simpáticos, com iluminação, casa na árvore, balanços e fogueira.

Alpargatos. Foto: Divulgação MECAFestival – Helena Yoshioka


Fomos recebidos pela banda Alpargatos, que tocava uma contagiantes versão de “Canto de Ossanha”. O grupo porto-alegrense de indie rock que já foi considerado pelo Popload como “referência técnica e sonora” saiu sob aplausos do palco por onde já haviam passado outras bandas gaúchas: o trio de música eletrônica Supervão, a mistura de música brasileira, eletrônica, soul e rock de Tagua Tagua e a banda Catavento representando a psicodelia.  O “baile-show” da Trabalhos Espaciais Manuais é um coletivo de música instrumental que o MECA nos deu o prazer de conhecer. São 10 integrantes que misturam em perfeita sintonia funk, samba, rock e jazz para criar uma atmosfera dançante sob a influência da qual foi difícil ficar parada. No final do show, mostraram que ainda que o baile siga, segue-se lutando: o mote “ele não” puxado no palco, foi seguido por quem estava na platéia entre aplausos.

Cuscobayo. Foto: Divulgação MECAFestival – Helena Yoshioka

Em matéria de público fiel a banda Cuscobayo, de Caxias do Sul, fez seu show à parte. Com originalidade, energia e raízes platinas, reuniu uma galera animada na frente que cantava as composições autorais do grupo e dançava ao som da mistura de indie, folk, reggae e etc.

Rubel, ao vivo, se torna uma experiência. O folk mansinho com toques de MPB dos sucessos do seu primeiro álbum, “Pearl”, vem potencializado por instrumentos como trompete, teclado, baixo e bateria (exceto pelo hit “Ben”, que se mantém tão intimista quanto a versão original: um homem, um violão e uma homenagem pra um sobrinho querido [e pra criança que vive em cada um]). As músicas do álbum “Casas”, que por si já trazem um misto com outros ritmos, como samba e rap, também ganham outro tom ao vivo. Rubel falou pouco entre as músicas, mas disse muito. O cover de “Tocando em Frente”, de Almir Sater, foi o prelúdio para um pedido que virou convite: “Abaixo o racismo, abaixo a homofobia, abaixo o machismo.” Frente aos gritos de “ele não” da plateia, Rubel emendou: “Esse grito está uma semana atrasado, galera. Ele já está lá. Agora precisamos encontrar outras formas de lutar”.
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Foto: Arquivo – @llama.clo

Enquanto esperávamos por Silva, pudemos rodar pelos outros espaços. Uma feirinha com marcas locais autorais e, claro, gente criativa chamava a atenção. Bijus, bordados, jaquetas, chapéus, aromas naturais… O destaque ficou para a simpatia de quem ama o que faz e as histórias da Ju Caldas, da Llama, com as pochetes idealizadas por ela e costuradas pela sua mãe com tecidos bem garimpados. Com ela a gente também ficou sabendo mais sobre as outras marcas, sobre espaços culturais de Porto Alegre e outras feiras. Tivemos um daqueles papos que valem, no mínimo, uma indicação.

Em outro canto, luzes vermelhas chamavam a atenção para uma capela que virou palco para a porto-alegrense maravilhosa Saskia. Em uma palavra: multi. Ela canta, dança, cria, compõe, mixa, toca. Essa salada – como ela mesma diz – foi sucesso no MECA e deve seguir sendo, já que recentemente realizou o “sonho do notebook próprio” por meio de um financiamento coletivo. Infelizmente, os dias de pedir equipamentos emprestados (como fez para se apresentar no festival) ainda não ficaram para trás. A campanha terminou sem que ela conseguisse arrecadar o suficiente para a interface de áudio. Mas como a correria não termina junto com a campanha, quem quiser apoiar a artista ainda tem a opção de chamar no inbox.

Silva(s). Foto: Divulgação MECAFestival – Helena Yoshioka

Era hora de Silva, cantor, compositor, multi-instrumentista e “rei do synth-pop brasileiro” cumpriu a promessa de botar todo mundo para cantar junto da sua voz sutil muitos versos de amor bonitos. Começando com algumas famosas dos primeiros álbuns, inclusive do “Silva Canta Marisa” (como não cantar junto, né, gente?). Para fechar, os sons mais swingados do seu trabalho novo, “Brasileiro”, fizeram também dançar.

Emily Kokal e Jenny Lee Lindberg, da Warpaint. Foto: Divulgação MECAFestival – Helena Yoshioka

Uma das atrações mais esperadas do line-up, Warpaint, não decepcionou. As mulheres incríveis da banda de indie rock californiana mostraram porque estão na estrada desde 2004. O instrumental impecável, com viradas surpreendentes e uma presença de palco maravilhosa tornavam difícil tirar os olhos do palco. A interação com o público também foi destaque, desde as tentativas de Theresa Wayman em falar português até o recado empático de Emily Kokal em inglês pausado: “Não se esqueçam: em tempos difíceis, vocês manterão o Brasil lindo. Se mantenham unidos!” Assista ao momento no vídeo abaixo: 

Para os fortes, a festa continuou até às 7h da manhã nos clubinhos que aconteciam dentro de cabanas. Demos uma passadinha para conferir as experiências e ritmos variados, apresentadas por Cubo, um salão de beleza pra lá de criativo, Doma, com seus DJ HOT, Fennda, um coletivo de meninas e grupo LGBTQI+  que realiza festas icônicas nas ruas da capital gaúcha, e 20barra9, que quer mostrar o lado mais contemporâneo dos nativos do Rio Grande do Sul e ajudar a construir um mundo de mente mais aberta. No palco principal, atrações dançantes mantiveram a galera acordada: Teto Preto, projeto/live jam que mistura performance, música eletrônica e ritmos brasileiros, e Selvagem, um duo de disco music que tem sempre confirmado em seus sets a “dança e a vibe altíssima”.

Nos clubinhos. Foto: Divulgação MECAFestival – Helena Yoshioka

Pra gente, a noite terminou como em qualquer boa festa em fazenda: com a galera em volta da fogueira. A temperatura, que tende a cair na madrugada num ponto que os casacos já não dão conta, faz com que a gente tenha que aquecer o corpo junto ao fogo. Já o coração, a gente passou aquecendo a noite inteira junto a uma multidão que grita junto, em coro, que canta até ficar rouca, formada por gente que faz amizade na fila do rango, gente que trabalha feliz, gente que faz música independente conquistando seu espaço e público com muito corre e música boa, gente que usa seu espaço privilegiado como plataforma de luta para que todo mundo possa existir em paz.

Nossa despedida. Foto: Aquivo.

Agradecimentos especiais a todos os envolvidos pelos sorrisos que levamos. Valeu, MECA!

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Bibiana Beck
Jornalista, feminista e psicóloga em formação. Trabalha há 10 anos com comunicação digital e hoje estuda gênero e violência. Acha doce de leite melhor do que Nutella.


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