Debate

Ameaçada de morte, defensora da legalização do aborto vai deixar o Brasil

por: Redação Hypeness

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Debora Diniz, ativista dos direitos humanos, continua sendo ameaçada de morte. A antropóloga e professora da Universidade de Brasília é uma ferrenha defensora do aborto e por isso foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos e teve que deixar o Brasil.

Há alguns meses, o Hypeness noticiou que Debora estava de mudança de Brasília em função dos riscos. Na época, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) anunciou a identificação, com auxílio da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), do autor do crime, um homem de 42 anos, que mora em São José dos Pinhais, no Paraná.

Debora Diniz explica que a decisão de deixar o Brasil foi sacramentada com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), que já demonstrou reiteradas vezes ser contra pautas que defendem os direitos das mulheres.

Debora e seus familiares estão sendo perseguidos

“Orientadas por uma lógica religiosa messiânica, as políticas anunciadas pelo novo governo e a futura ministra (Damares Alves) colocam em risco os direitos das mulheres”, declarou ao El País.

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A antropóloga revela ter sido intimidada em eventos públicos e que precisou escapar dos manifestantes. Familiares e amigos também sofreram ameaças.

“Chegaram ao ponto de cogitar um massacre na universidade caso eu continuasse dando aulas. A estratégia desse terror é a covardia da dúvida. Não sabemos se são apenas bravateiros. Há o risco do efeito de contágio, de alguém de fora do circuito concretizar a ameaça, já que os agressores incitam violência e ódio contra mim a todo o momento”, pontuou.

A ativista prevê retrocessos com Damares à frente da pasta das mulheres

Debora Diniz é detentora do prêmio Foreign Policy, como uma das 100 pensadoras globais de 2016. Ela está no comando do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis). Em agosto, participou, com escolta policial, de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana foi comandada pela ministra Rosa Weber.

Na ocasião, defendeu a legalização do aborto em um momento considerado histórico para o Supremo Tribunal Federal (STF). “Todas as mulheres fazem aborto, mas só em algumas a polícia bota a mão”.

Entretanto, com a formação do novo governo, o cenário se modificou e o debate sobre o aborto deve ser colocado na geladeira. A futura ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos quer vetar o aborto até em casos de estupro. Damares Alves pretende reviver o Estatuto do Nascituro, que enxerga o feto como um sujeito.

“Nós temos projetos interessantes lá no Congresso. O mais importante que a gente vai estar trabalhando é a questão do Estatuto do Nascituro. Nós vamos estabelecer políticas públicas para o bebê na barriga da mãe nesta nação”, declarou.

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Fotos: foto 1: Carlos Moura/SCO/STF/foto 2: EBC/Reprodução


Redação Hypeness
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