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Com peças de R$1000 marca Amissima usa trabalho escravo na sua produção

por: Redação Hypeness

A grife feminina Amissima está presente em shoppings de luxo de São Paulo, como o JK Iguatemi e o Cidade Jardim. As peças da marca são ostentadas por uma orgulhosa classe alta. Acontece que a companhia liderada pela sul-coreana Suzana Cha é acusada de lucrar à base de trabalho escravo. As informações são do The Intercept.

Segundo investigação liderada por auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, pelo menos duas das 25 oficinas de costura possuem condições precárias de trabalho. A investigação aponta indícios da mesma prática análoga à escravidão em outras 23 oficinas.

Os locais de produção estão localizados em bairros da periferia de São Paulo e as oficinas terceirizadas são contratadas diretamente pela Amissima. De acordo com a reportagem, o ambiente é abafado e inseguro. Sete máquinas de costura trabalham sob um teto de isopor.

Com roupas de R$ 1 mil, a grife pagava apenas R$ 9 por peça produzida

Por causa da intensidade da jornada de trabalho, muitas famílias que trabalham para a grife costumam dormir no local. O pagamento é feito por um sistema de divisão, chamado de ‘um terço’. Ou seja, um terço do valor da peça fica com os trabalhadores e o resto vai para cobrir custos da casa. O restante fica com o dono da oficina, uma espécie de intermediário nas negociações com a grife.

Isso quer dizer que dos R$ 9 por peça que a Amissima paga para oficina, apenas R$ 3 vão para o costureiro. Grande parte das pessoas que enfrentam uma jornada de trabalho das 8h às 22h, é formada por imigrantes bolivianos. Carteira de trabalho assinada? Nem pensar. Alguns sequer tinham documentos brasileiros. O funcionário mais antigo está lá desde 2012.

Indenizações terão que ser pagas, segundo os investigadores

O sistema de escravização causa reflexos na saúde dessas pessoas. A maioria cumpria um turno de segunda a sábado, trabalhando até a exaustão. Pairava a lógica do, produz mais, ganha mais. O auditor Luis ALexandre de Faria disse ao The Intercept que essas pessoas estão “sem condições de repor as forças, de curtir os filhos, de ter lazer, um vazio completo de humanidade”.

O CEO da Amissima, Jaco Yoo, admitiu ter errado ao não fiscalizar as condições de trabalho das oficinas e lamentou a situação dos imigrantes bolivianos. Ele disse ainda que os trabalhadores negam e que não “produziam muito”. O empresário firmou compromisso para contratar metade dos costureiros para trabalhar na empresa.

“Meus pais vieram da mesma situação (eram migrantes). Sei das dificuldades, jamais faria isso.”

O trabalho escravo é confirmado quando existem violações graves de direitos, jornada exaustiva, condições precárias e funcionários em risco. As empresas que optam pelo método pretendem lucrar mais, sem pagar tanto.

Especialistas alertam para um possível afrouxamento das regras de combate ao método. Durante a gestão, Michel Temer tentou deixar mais difícil detectar o trabalho escravo. Com o presidente eleito, o cenário pode se degradar.

Jair Bolsonaro (PSL) já anunciou a extinção do Ministério do Trabalho, órgão responsável pela coordenação das fiscalizações como a que enquadrou a Amissima.

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Fotos: foto 1: Reprodução/The Intercept/foto 2: Reprodução


Redação Hypeness
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