Arte

Diretor de ‘Roma’ diz porque escolheu filmar em preto e branco

19 • 12 • 2018 às 09:53 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Passado no bairro de Colonia Roma, na Cidade do México no início dos anos 1970, o filme “Roma”, de Alfonso Cuarón, estreou na semana passada no Netflix aclamado pela crítica. De fotografia complexa, o filme chegou a utilizar 45 diferentes posições de câmera para cenas supostamente simples, e caracterizou especialmente sua estética por ser filmado em preto e branco. A tecnologia utilizada para tal efeito, porém, não tinha nada de passadista.

Cena de “Roma”, de Alfonso Cuarón

“Roma” foi filmado com uma câmera Alexa65, de 65mm, originalmente em cores, e depois transformado em um filme preto e branco na finalização. Como um trabalho de colorização ao contrário, o processo permitiu que áreas isoladas específicas de certos frames pudessem ter suas cores manipuladas, para alcançar assim a intenção monocromática que o diretor procurou. “Isso estabelece um clima e uma ambiência que evoca a memória através de tecnologias modernas, em uma linda combinação de claridade e lembrança”, afirma um dos finalizadores do filme.

Cuáron dirigindo filmagem de “Roma”

Segundo o diretor, em entrevista para o site Indie Wire, a ideia não era fazer um filme que parecesse “vintage”, que parecesse velho, mas sim fazer um filme moderno que mergulhasse no passado. Para isso, através da pegada memorialista de “Roma”, a tecnologia permitiu que, segundo Cuarón, eles utilizassem um “preto e branco contemporâneo”, como parte do DNA do filme – que vem sendo considerado uma obra-prima.

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