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Este clipe mostra a verdade escondida nas letras de uma música ‘romântica’

por: Mari Dutra

O ano é 2018, mas virando a esquina já estaremos em 2019. Mesmo assim, um assunto não consegue sair do noticiário: a violência contra a mulher. Enquanto tem muita gente achando que isso não passa de “mimimi”, o tema não poderia ser mais sério. Apenas em 2016, quase 5 mil mulheres foram assassinadas no Brasil – o que representa uma taxa de 4,5 feminicídios para cada 100 mil brasileiras, segundo o Mapa da Violência.

Esses números mostram o quão longe nós ainda estamos de uma sociedade ideal. Se a igualdade de gênero parece estar aumentando, é porque talvez você não saiba que, nos últimos 10 anos, houve um aumento de 6,4% nos casos de feminicídio aqui no nosso país.

Mas… Peraí: Você não sabe o que a palavra feminicídio significa?

Olha o que o Código Penal brasileiro diz sobre ela:

“[Feminicídio é] o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino”

Ou seja, é quando o crime envolve “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. O crime foi tipificado apenas em 2015 no Brasil, através da Lei nº 13.104, que alterou o artigo 121 do Código Penal. Com isso, o feminicídio passou a ser considerado como circunstância qualificadora do crime de homicídio. Com a mudança, crimes de feminicídio passaram a ser enquadrados como crimes hediondos, assim como estupro, genocídio e latrocínio.

Mas a violência contra a mulher vai muito além de agressões físicas e assume também matizes muito mais sutis. Ela é qualquer conduta de discriminação motivada pelo simples fato de a vítima se tratar de uma mulher.

Isso inclui atos cujos danos são físicos, morais, sexuais, patromoniais ou psicológicos. Relacionamentos abusivos são um exemplo (saiba como identificar um aqui e aqui) e, muitas vezes, a agressão vem disfarçada de “excesso de amor”.

O Governo Federal junto ao Ministério dos Direitos Humanos criou uma campanha que exemplifica muito bem esse tipo de relação. Em conjunto com a cantora Naiara Azevedo, foi lançada nas rádios do país uma música com letra aparentemente românica. Porém, o clipe criado para acompanhar a canção, lançado dias depois, mostra que as coisas nem sempre são como aparentam. Através das cenas do clipe, vemos que a melodia fala, na verdade, sobre a violência contra a mulher.

O vídeo nos convida a entender o que diz, de fato, uma letra de uma música tradicionalmente vista como “romântica”. E, de fato, se pararmos para ouvir bem, há muito abuso no que seriam relatos pessoais. Por mim, por trás da sofrência pode haver alguém sofrendo muito de verdade.

Dá uma olhada só no clipe:

A campanha é um convite a denunciar casos de agressão, através do Ligue 180, um número de telefone dedicado apenas a este tipo de denúncia. Só no primeiro semestre de 2018, o canal recebeu mais de 34 mil denúncias, mostrando a importância de falar sobre o tema. Além disso, a campanha também estimula o uso da hashtag #vctemvoz para mostrar que as mulheres têm voz para denunciar estes crimes e ajudar a combater as agressões.

Para ver mais informações e estatísticas sobre violência contra a mulher e como denunciar, acesse o site oficial da iniciativa.

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Fotos: Reprodução Youtube


Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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