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Festival Transformação recebe mais de 4 mil pessoas e faz de Porto Alegre a capital da inovação

por: Kauê Vieira

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Durante os dias 24 e 25 de novembro, Porto Alegre se tornou o centro brasileiro da inovação. A capital gaúcha foi sede do Festival da Transformação, que na segunda edição apostou na pluralidade e diversidade como trunfos para debater presente e futuro.

O fluxo foi grande e mais de 4 mil pessoas circularam pelos corredores de três prédios da ESPM Sul. Para não perder os debates sobre tecnologia, empreendedorismo, marketing e cultura era preciso ser ágil. Mas, a organização deu uma forcinha disponibilizando um aplicativo com o roteiro. Inovação, né?

Foram mais de 4 mil pessoas em dois dias de programação intensa

Auditórios, espaços abertos, onde tinha gente, tinha conversa. Pasmem, mais de 350 palestrantes de todos os cantos do Brasil e do mundo dividiram um pouco do conhecimento com um público diversificado. Teve espaço ainda para áreas de exposição, oferecendo a oportunidade de interação com tecnologias de realidade virtual e impressão 3D. Pra completar, já que ninguém é de ferro, 20 shows musicais em três palcos e comidinhas, animaram o fim de semana.

O Hypeness marcou presença no evento e conversou com Mastrângela Teixeira, gerente executiva ADVB/RS e curadora do FT18. Ela contou um pouco sobre a preocupação do Festival da Transformação da trazer como parte do pacote de inovação temas atuais como racismo e igualdade de gênero, mas partindo de um viés inspirador.

Protagonismo: Thais Silveira e Renata Lopes apresentaram a revista Pretas

De nada adianta utilizarmos a inteligência artificial a nosso favor se ainda não respeitarmos a inteligência humana por causa de etnia ou gênero. Isso não é crescimento, não é desenvolvimento. Na nossa opinião, o avanço tecnológico deve andar de mãos dadas com o social, pois a inovação deve vir para melhorar a vida das pessoas – só que de todas as pessoas, de forma inclusiva. Muitas pessoas chamam tecnologia de solução, mas solução para quem? Para uma empresa? É ótimo, mas a ciência é um patrimônio do mundo. O FT coloca nas pessoas dois pensamentos: o perfil inquieto e o senso coletivo. Isso faz com que cada vez mais as pessoas questionem se as inovações tecnológicas promovem alguma equalização social, e não somente avanço científico. Ninguém quer um mundo com carros voadores e pessoas ainda sofrendo com preconceito.

Dialogando com a fala de uma das curadoras, o FT contou com a presença de pessoas negras na concepção da programação, entre elas Patrícia Carneiro, diretora de estratégias e projetos. A jovem gaúcha foi responsável pela participação no evento da soteropolitana Sauanne Bispo.

A presença da empresária soteropolitana Sauanne Bispo dialoga com a pluralidade do evento

A empresária baiana é criadora de uma agência de intercâmbio e turismo pensada a partir do olhar de uma mulher negra, a Go Diáspora. No FT, Bispo explicou ao público o processo de concepção e as principais filosofias da marca. A gente já conversou com ela e você pode ver o resultado aqui.

“Eu queria fazer coisas com a minha cara, então foi aí que descobri  o intercâmbio. Era minha paixão. As pessoas me procuravam pra isso e eu consegui prestar um serviço de excelência. Foi assim que eu me descobri uma empresária do ramo de intercâmbio. A Go Diáspora veio para que eu deixasse de ser uma exceção no quesito negra que viaja e fala outros idiomas. Veio para que eu pudesse formar um mutirão de gente e passasse a ser regra”, explica a soteropolitana em entrevista ao Hypeness.

A grade do Festival da Transformação ofereceu mais de 450 atividades

O futuro é compartilhado. No Festival da Transformação isso se deu a partir da autonomia dada aos 23 membros da equipe de curadoria. “É impossível olhar apenas para uma pessoa, empresa ou entidade aqui no FT18”, ressalta Jonatas Abbott, vice-presidente de Marketing da ADVB/RS e CEO do FT.

Mas atenção, pois é preciso ter cuidado na hora de disseminar conteúdo. Mais do que nunca, a comunicação convive com a urgência da multiplicidade de pensamentos e vozes e o jornalismo é elemento imprescindível na trajetória. Thais Silveira e Renata Lopes deram seus pitacos por meio da Revista Pretas. O bate-papo pensou o protagonismo das mulheres negras na informação. Momento oportuno para pensar o papel da mídia não só no desenvolvimento social, mas sobretudo na manutenção de estruturas excludentes.

A multiplicidade de vozes exerce outro efeito importante, a descentralização. Estamos acostumados receber um fluxo de informações e atrações concentradas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Embora sejam duas cidades importantes, não são os únicos espaços pensando inovação no Brasil.

Aqui no Hypeness, você também viu a conversa que tivemos com Paulo Rogério, empresário fundador da Vale do Dendê. A empresa se coloca hoje como uma das principais aceleradoras de negócios e disseminadoras de tecnologia do Brasil. Economia criativa a partir de Salvador.

A carioca Luana Genot falou sobre empreendedorismo e mercado consumidor

“Nós atuamos em três frentes. Uma é  por meio de uma aceleradora de negócios que vem acelerando 10 empresas e  apoiando outros 30 empreendimentos. As empresas aceleradas estão tendo acesso a mentorias, consultorias, facilitações e imersões para escalarem seus negócios, além de se conectarem com potenciais investidores. Já a rede tem acesso a eventos de networking, cursos e workshop da nossa escola de inovação, nosso segundo braço institucional. E por fim, atuamos como uma consultoria para ajudar empresas, fundações  e o poder público a compreenderem o potencial da inovação e da diversidade”, Paulo Rogério, publicitário e empresário marcado por buscar a implementação de uma comunicação que externe a diversidade do povo baiano.

Para Mastrângela Teixeira, a curadoria do FT caminha neste mesmo caminho. É uma espécie de autonomia guiada. Mas não no sentido de controle, pelo contrário, no evento a tecnologia serve como fio condutor para que o público não perca nada.

Priscila Chagas, Thainá Saciloto, Tali Bezerra trouxeram o debate sobre mídia para o FT

O Festival da Transformação tem uma crença de que cada pessoa pode ter uma experiência diferente em um mesmo momento. Por isso ele tem uma grade de mais de 450 atividades e você mesmo constrói o que quer absorver de conteúdo. Colocar como principal evento é um contrassenso a isso: cada pessoa tem a competência de avaliar o quanto aquele conteúdo será útil para a sua vida, seja pessoal ou profissional. Temos a pretensão de crescer e tomar cada vez mais a cidade de Porto Alegre. Nossa métrica não inclui a comparação a outros eventos, porém avaliamos o quanto podemos crescer a cada ano e o quanto podemos desenvolver um mindset mais inovador nas pessoas. Neste sentido, posso dizer que estamos em ascensão.

Outra presença comentada foi a do nigeriano John Obidi, considerado um dos jovens mais influentes de seu país, ele conversou com exclusividade com o Hypeness e refletiu sobre o potencial tecnológico dos países africanos, sobretudo da Nigéria.

“Um dos nossos alvos na Nigéria é garantir o acesso à internet e eletricidade. Então, temos espaços como o CC HUB oferecendo tais possibilidades para pessoas interessadas em desenvolver seus projetos. Estas incubadoras estão ajudando pessoas com ideias incríveis e estimulando a colaboração”.

O nigeriano John Obidi é uma das personalidades mais influentes do continente africano

Autodidata, Obidi começou sua carreira no próprio CC Hub em 2014. Antes disso, o interesse por inovação surgiu a partir de pesquisas na internet.  Hoje, o nigeriano conta com um canal de vídeo com mais de um milhão de acessos. Ele procura ensinar sobre aspectos positivos de se tornar influente e como monetizar conhecimento.

Temos mais de 100 mil pessoas em nossa comunidade do Facebook. Sem tecnologia, seria impossível. Acho que Brasil e Nigéria possuem muitas coisas em comum, socialmente e em termos de cultura e política. Vocês têm o potencial de usar a tecnologia para incentivar o surgimento de novos projetos. Muita gente aqui está com projetos visando o desenvolvimento social. Na Nigéria, usamos os grupos de Whatsapp para organizar as pessoas e criar métodos de ensino, percebi a mesma coisa aqui. Muita coisa está sendo pensada em comunidades de Facebook no Brasil. Elas possuem um baita potencial”,  explica John, que  também é CEO e fundador da Headstart Africa, uma comunidade online com mais de 95 mil integrantes entre executivos, líderes e pensadores.

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Compartilhamento e trabalho em equipe. O Festival da Transformação desafia os acomodados e estabelece uma conexão com quem está afim de criar uma sociedade diferente não só para o futuro, mas para o presente.

“Uma construção plural só pode ser feita quando se reúne um grupo heterogêneo. Este grupo de 23 curadores utilizou de toda a sua empatia para entender como pensa a comunidade porto-alegrense e, em cima disso, realizar uma construção de conteúdo que contemplasse as diferentes temáticas que perpassam pelo imaginário das pessoas. É uma tarefa muito delicada, pois o FT recebe estudantes de 18 anos a profissionais de mais de 60 anos. A elaboração dessa programação passa por dois grandes pontos, que é o que as pessoas querem ouvir e o que elas precisam ouvir. Assim elas encontram o conteúdo que procuram e, também, o que as provoca um certo desconforto. E é assim que se faz um processo de transformação: aprofundando o que já conhece, mas ampliando seu espectro de visão em relação ao mundo e a sociedade”, encerra a curadora Mastrângela Teixeira.

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Fotos: Agência Preview/Divulgação


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.


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