Ciência

Livro fala sobre o uso do haxixe e outros psicoativos na origem do Islamismo

por: Vitor Paiva

Aos poucos, com a legalização da maconha em diversos pontos do mundo, vai se redescobrindo aquilo que a sabedoria popular do passado já sabia: que essa é uma planta capaz de trazer benefícios inigualáveis para o ser humano, de tal forma que, para muitas religiões, a maconha foi vista como uma planta sagrada.

Até mesmo uma religião como o Islamismo, que hoje condena muitas vezes com a morte o tráfico de maconha, oferecia em seus primórdios um sentido místico para o uso da planta – e é isso que o especialista em cultura árabe alemão Franz Rosenthal conta no livro The Herb: Hashish versus Medieval Muslim Society (A Erva: Haxixe contra a Sociedade Medieval Muçulmana, em tradução livre).

Ilustração mostrando o uso de haxixe à época

O livro é difícil de ser encontrado, mas um longo ensaio em inglês, publicado no site Cannabis Culture, explora os detalhes da incrível história que Rosenthal revela.

O autor pesquisa, por exemplo, uma série de poemas que registram a relação entre o Islã e a maconha, em especial o haxixe, questionando a proibição generalizada.

Segundo o livro, a proibição ao álcool era específica no Corão. Entretanto, o uso do haxixe seria até mesmo estimulado em certas tradições islâmicas.

Acima, capa do livro; abaixo, outra ilustração da época

A virada ao fundamentalismo e a intolerância naturalmente que acabou por proibir o uso em países muçulmanos mas, como conta o livro e explora o ensaio citado – escrito por Chris Bennett – em seu início até mesmo o islamismo convivia harmoniosamente com o uso do haxixe.

Trata-se de um trabalho profundo, de intensa pesquisa, que pode ser explorado através desse ensaio.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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