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Lançamento de Tela Preta TV fecha um 2018 de sucesso para o audiovisual negro

por: Kauê Vieira

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O leque de entretenimento e informação nas redes sociais ganhou outro reforço de peso. Com conteúdo feito 100% por pessoas negras, o Tela Preta TV fecha com chave de ouro o bom ano para o audiovisual negro do Brasil.

O canal de streaming está disponível no YouTube há pouco menos de um mês e já acumula quase três mil seguidores. O projeto foi idealizado por uma equipe de profissionais negros, entre eles Mariana Oliveira, que contou para o Hypeness um pouco mais dos planos da iniciativa promissora.

“Graças aos avanços tecnológicos, com ênfase na internet e as redes sociais, inúmeros gritos que fazem presentes no mundo inteiro passaram a se intensificar. O que era um bicho de sete cabeças deixou de ser. Hoje podemos exercer as nossas funções de atores, diretores, técnicos de som, de luz, roteiristas, etc, sem passar por um sistema que padroniza tudo, mas em prol da classe e referências eurocêntricas”.

Mais uma novidade para fechar o bom ano do audiovisual negro brasileiro

O Tela Preta TV nasceu a partir da união de esforços de diversos setores da cena cultural do Rio de Janeiro. São profissionais do audiovisual com uma grande bagagem. Na escalação estão membros do Coletivo Preto, do Coletivo Nanã e integrantes do Nuvem Negra, ligado à Pontifícia Universidade Católica do Rio.

No teatro viemos fazendo uma grande contribuição com a benção dos mais velhos que vieram antes de nós, como a mídia confirmou esse ano inúmeras vezes, somos recorde de bilheteria. Na televisão temos alguns trabalhos também, mas estamos cansados de resistir, queremos existir. Queremos estar contratados e ter mais oportunidades assim como a maioria dos atores e apresentadores brancos, queremos novas narrativas e desmistificar o olhar impostos sobre nós. Enxergamos que apenas nós, que sentimos na pele, temos a capacidade de mudar a história, de mostrar que a gente também ama, a gente também ri, a gente também tem família e por aí vai. Nós queremos ser os heróis do nosso povo.

Para isso, o Tela Preta TV oferece logo de cara quatro programas, todos exibidos em um determinado dia da semana. Aos domingos, Pipoca Preta (que recebeu o ator Ícaro Silva); quarta-feira é dia de Rolezinho; na sexta, Vem com as Pretas e de segunda, Passa lá em Casa.

São pelo menos quatro programas sobre cinema, entrevistas e entretenimento

Para Mariana, o protagonismo de homens e mulheres negras se intensificou nos últimos anos pela necessidade da comunidade afro-brasileira se sentir representada e condutora da própria narrativa. Durante o ano de 2018, você viu aqui no mesmo Hypeness inúmeros exemplos nesse sentido.

Começamos mostrando o trabalho inspirador exercido pela comunicadora e youtuber Gabi Oliveira, que por meio do canal Gabi de Pretas, fala de beleza, moda, dá dicas de filmes e toques para quem deseja morar sozinho.

Outro destaque é o De Mudança da Mari. Com o nome já adianta, o canal no Youtube é indispensável para quem está pensando em morar sozinho. Para isso, ela usa uma linguagem jovem e engraçada para falar de finanças e psicologia. Com o Tela Preta TV, a história vai pelo mesmo caminho e o debate sobre a desigualdade racial que permeia o Brasil ganha outras visões.

Gabi e Mari são exemplos maravilhosos de representatividade e da força da comunicação

Acreditamos que o ser humano não vive sem heróis e sem referências. Exemplo se uma menina negra cresce a vida inteira vendo na televisão apenas apresentadores brancos, esses serão os seus heróis e suas referências e na busca da construção da sua identidade ela vai acabar perdendo a sua essência original, a sua ancestralidade. Ela vai deixar de ser quem ela é. Agora se ele crescer não só com apresentadoras brancas e também com apresentadoras negras, que tem muitas qualificadas e sem emprego,  crescimento dela será outro. Esse lugar de protagonismo deve ser dividido. Nos estados unidos apenas 13% da população é negra e eles estão muito avançados em relação a isso. Você vê na televisão apresentadores negros, asiáticos, latino-americanos, etc, porque eles entendem o valor que isso tem. O audiovisual e a comunicação ditam o desenvolvimento de um sociedade em todos os setores. Ele é muito mais importante do que a população imagina. As grandes empresas sabem disso, e a gente também, por isso criamos a nossa televisão.

Não sei vocês perceberam, mas grande parte dessas plataformas estão encontrando caminho no YouTube. Isso se dá por várias formas, como pelo reconhecimento da empresa norte-americana do potencial destas figuras negras. A própria Mariana diz ter recebido dicas para sedimentar o caminho do Tela Preta TV.

“Embora o canal seja muito recente, a nosso proposta é muito rica e já temos um bom contato não só com os youtubers que vieram antes de nós e têm construído uma história linda e necessária, mas também com o próprio Youtube, que disponibilizou algumas apostilas de estudo para que a gente cresça cada vez mais”.

Black Money

Não se trata apenas de ‘boa vontade’ de grandes empresas como o YouTube. O suporte oferecido aos comunicadores negros mira o poder de consumo dessa parcela majoritária da sociedade brasileira.

Pipocam aos montes exemplos equivocados de companhias que tentam, de alguma forma, dialogar com o consumidor afro-brasileiro. Recentemente, a Perdigão protagonizou uma saia justa ao veicular uma campanha sobre a chegada do Natal. Não se trata apenas de rostos pretos na tela, é preciso ter um plano de ação que condense os anseios e pensamentos de pessoas negras. Tem que levar a representatividade ao pé da letra.

Quem não identificar a importância da representatividade terá problemas

“Os negros sempre foram mais da metade da população Brasileira então o poder de consumo sempre foi altíssimo, o que percebemos nos últimos anos e que esse consumo nunca foi em prol dos nossos investidores e investimentos, por isso a nossa ascensão está sendo demorada. A maioria das empresas já entenderam isso, por isso têm tentado mudar a visão de suas empresas. A gente quer acelerar esse processo por isso projetamos um projeto da magnitude do nosso”, pontuam os membros do Tela Preta TV em resposta coletiva.

O Racionais já deu a letra e a gente reafirma. Preto e dinheiro não são palavras rivais. Veja só o panorama traçado pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC). Entre toda a população contribuinte (que paga impostos), 15% são pardos ou negros. Ou seja, a etnia representa cerca de 10% dos ricos brasileiros. Tem mais, 47% dos negros, quase a metade deles, têm a chance de ter uma renda superior à dos pais.

Isso quer dizer que o poder de compra da comunidade negra está crescendo de forma acelerada nos últimos anos. Daí a relevância de trabalhos de comunicação, como o Tela Preta TV, para reafirmar tal tendência.

“Sim. o audiovisual e a maior ferramenta de transformação social e com entretenimento onde todos se identificam, nós iremos usá-la com destreza rumo empoderamento intelectual e econômico dos nosso povo”.

Aliás, o serviço de streaming dialoga perfeitamente com o Movimento Black Money. Dinheiro preto em tradução livre para o português, a iniciativa de mulheres negras empresárias e empreendedoras chega como um agente de desenvolvimento de um ecossistema afroempreendedor. Comunicação, educação, a mídia, são estes os pilares do MBM, do Tela Preta TV e de tantos outros projetos de  produção de conteúdos de inovação, tecnologia e finanças.

Ficou interessado? Acompanhe a página oficial do Tela Preta TV no YouTube e divirta-se.

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Fotos: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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