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3,5 milhões de pessoas vivem nas 45 cidades com barragem em risco no Brasil

por: Redação Hypeness

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Ao menos 3,5 milhões de pessoas vivem ao lado de barragens com risco de rompimento. Relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta 45 reservatórios com algum tipo de vulnerabilidade.

Os resultados foram divulgados ao final do ano passado, com estudos realizados durante 2017. São 45 barragens com falhas estruturais, que estão espalhadas em 13 estados e mais de 30 municípios. Buracos, rachaduras e falta de documentos atestando a segurança são os problemas mais frequentes.

As barragens com alto grau de periculosidade segundo o relatório da ANA, estão na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde também estava a operada pela Vale em Brumadinho.

Dezenas de barragens ameaçam a vida de milhões de pessoas

As barragens 1 e 2 da Mina do Engenho, em Rio Acima, estão no topo da lista da Agência Nacional de Mineração (ANM). Elas obtiveram classificação A – apontando o risco alto e elevado de potencial de dano.

As duas barragens possuem rejeitos químicos de exploração de ouro e foram abandonadas pela companhia Mundo Mineração. Hoje, estão sob responsabilidade do governo de Minas Gerais.

Ambientalistas permanecem em estado de alerta pela proximidade destas barragens do Rio das Velhas, responsável pelo abastecimento de um terço da população de Belo Horizonte, além de ser um dos afluentes do Rio São Francisco. Em caso de rompimento, as águas serão contaminadas com o cianeto – substância com alta toxicidade usada na extração de ouro.

Administrada pela CSN, a Mina do Engenho é uma das mais inseguras

O governo de Minas Gerais disse ao G1 que trabalha para garantir a segurança da área abandonada pela mineradora. Entretanto, a reportagem do portal de notícias conseguiu acessar o sítio sem maiores problemas.

“Em 2017 e 2018 foram tomadas todas as medidas emergenciais cabíveis, tais como: conservação e manutenção de gramíneas nos maciços das barragens; desobstrução e limpeza das canaletas de drenagem; remoção das obstruções do sistema extravasor da barragem; além da recuperação e manutenção dos acessos para a barragem e cercamento e sinalização do local”.

Mais de 200 pessoas seguem desparecidas após desastre provocado pela Vale

Campo Grande (MS), Cariacica (ES) e Pelotas (ES), são as cidades mais populosas com barragens em situação de risco. Em São Paulo, Americana e Pirapora do Bom Jesus apresentam os mesmos problemas.

Patrimônio histórico ameaçado

Congonhas é uma das muitas cidades históricas das Minas Gerais. Há 77 km de Belo Horizonte, a população de 54 mil habitantes convive com o medo. Algumas casas estão há cerca de 250 metros da barragem Casa de Pedra.

Diferente de Brumadinho, os rejeitos de minério estão depositados em uma área urbana e a cidade fica em um nível de 70 metros abaixo da estrutura. Em caso de rompimento, as chances de sobrevivência seriam mínimas.

Patrimônio da Humanidade, Congonhas é ameaçada por barragem

Depois do desastre que vitimou até o momento 99 pessoas e deixou outras 259 desaparecidas, os habitantes de Congonhas não conseguem dormir com mais de 50 milhões de metros quadrados de rejeitos sob suas cabeças.

O jornal Folha de São Paulo conversou com alguns moradores que reclamam da falta de diálogo e transparência da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

“O risco aumentou com o crescimento da escala de produção em 2012, época em que a barragem se aproximou do bairro”, explica Sandoval de Souza Pinto Filho, da União de Associação Comunitárias de Congonhas.

A CSN, que administra um dos maiores complexos de exploração de minério de ferro em área urbana do mundo, pretende aumentar a capacidade de produção com o método de alteamento, o mesmo adotado pela Vale em Brumadinho. Os moradores tentam impedir a ação na Justiça.

Mais de 550 famílias estão há menos de 300 metros da barragem em Congonhas

Falando nisso, a CSN chegou a ser multada em R$ 1,5 milhão por irregularidades na Casa de Pedra. De acordo com a promotoria local, foram detectadas infiltrações em uma inspeção realizada em 2017.

Congonhas é lar da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, onde ficam 12 profetas esculpidos em pedra-sabão pelo artista Aleijadinho. Existem ainda seis capelas representadas em tamanho natural pelo escultor. Passos da Paixão de Cristo e um santuário construído entre 1757 e 1790, declarado patrimônio histórico mundial pela Unesco.

Em nota, a prefeitura de Congonhas disse que estuda criar uma lei para proibir o alteamento em áreas urbanas. O prefeito Zelinho (PSDB) garante que a cidade vai “adotar ações mais energéticas para avaliar a segurança e estabilidade das barragens” depois do desastre em Brumadinho.

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Fotos: foto 1: EBC/foto 2: Reprodução/CSN/foto 3: EBC/foto 4: EBC/foto 4: EBC/foto 5: Edesio Ferreira/EM/D.A.Press


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