Debate

Animais atolados na lama em Brumadinho são sacrificados a tiros

por: Redação Hypeness


O desastre provocado pelo rompimento de uma barragem da Vale vai além dos danos humanos e ao meio ambiente. Invisibilizados, os animais foram atingidos pela ausência dos tutores, o poder da lama e muitos estão sendo executados a tiros em Brumadinho.

A ação partiu da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que chegou a abater bois, vacas e cavalos de um helicóptero. Pessoas presentes na área afetada pelo imenso mar de lama dizem ter ouvido mais de 20 tiros vindos dos ares. A atitude é questionada pela Defesa Civil de Minas Gerais e classificada como “cruel” e “inaceitável” por entidades de defesa dos animais.

O abate a tiros é questionado pela Defesa Civil e ativistas

“O procedimento de sacrifício (eutanásia) dos animais, objeto deste questionamento, foi realizado com o atendimento de todos os protocolos de segurança aplicáveis ao caso, a pedido e sob a coordenação de uma veterinária, integrante do Conselho de Veterinária de Minas Gerais e supervisionado pelo comando das operações de resgate”, se manifestou a PRF.

A corporação justifica o abate por causa da “impossibilidade de adoção de outras medidas”. Segundo a PRF, a decisão da eutanásia foi realizada em consenso com os veterinários, sob supervisão do comando do resgate.

“Lamentavelmente, durante a triagem dos animais foram encontrados três casos específicos de bovinos atolados na lama, em estado de exaustão e com fraturas de membros”.

A PRF diz seguir protocolos para o abate

De acordo com o jornal Estado de Minas, os bichos abandonados estão recebendo tratamentos diferentes. Os que estão ilhados, são alimentados e hidratados por veterinários contratados pela Vale. Animais atolados do outro lado do vale, são mortos a tiros.

“No domingo, mataram uma vaca. Segunda-feira (28), um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) com um atirador munido de fuzil disparou oito vezes contra cavalos e bois presos na lama”, narra o repórter Mateus Parreiras.

O método da Polícia Rodoviária Federal causou discórdia e provocou a manifestação da Defesa Civil mineira. O órgão diz que a eutanásia via injeção letal é o caminho para casos extremos e que possam aliviar o sofrimento dos bichos.

A Defesa Civil ressalta que não houve autorização do Gabinete Militar do Governador e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil para o abate aleatório de animais.

A situação causou discordância entre a PRF e a Defesa Civil

O Conselho Regional  Medicina Veterinária de Minas Gerais conta que um bovino e um equino foram  alvos da eutanásia por arma de fogo. O presidente do CRMV-MG cita que o método é autorizado pelo Guia Brasileiro de Boas Práticas para Eutanásia em Animais. “O método para quem não conhece é assustador, mas é feito disparo onde o animal não vai sentir dor”, explicou à Veja.

A ativista Luisa Mell mostrou indignação com a notícia e cobrou. “Essa não é a maneira correta de sacrificar um animal que já está com muito sofrimento. A única coisa que justifica é eles estarem querendo brincar de tiro ao alvo. Nós sabemos que será preciso fazer eutanásia em alguns animais, porém, é preciso dignidade para isso. O que está acontecendo é inaceitável”.

O desastre provocado pela Vale no Córrego do Feijão em Brumadinho, Minas Gerais, vitimou até o momento 84 pessoas e outras 276 seguem desaparecidas.


A nota completa da Polícia Rodoviária Federal: 

“A Polícia Rodoviária Federal (PRF), a partir da tragédia que se abateu em Brumadinho (MG) no último dia 25 de janeiro, tem se solidarizado com todas as vítimas e participado efetivamente das ações humanitárias naquela região.

A PRF está compondo o Comando de Operações, integrada e cooperando com as demais instituições componentes da força tarefa, que é coordenada pela Defesa Civil do Estado de Minas Gerais.

Com participação prevista para um período de oito dias, com possibilidades de prorrogação para atender as demandas, e com o emprego de um helicóptero configurado para resgate e transporte, além de apoio por terra, a PRF tem desenvolvido uma série de ações que vão desde o transporte de medicamentos, água, alimentos etc, até apoio às forças de segurança do Brasil e de Israel.

As equipes da PRF participaram de diversas ações de resgates de pessoas e em todas elas tiveram o apoio das outras instituições envolvidas na força-tarefa, especialmente o Corpo de Bombeiros Militar do estado de Minas Gerais. Infelizmente em alguns casos a missão foi o transporte de corpos de vítimas.

Além dos resgates de vítimas presas à lama ou ilhadas, a PRF tem participado do resgate de animais também vítimas do rompimento da barragem. Vários destes animais, em destaque para os bovinos e caninos, encontram-se atolados no grande volume de lama que tomou conta da região.

No dia de ontem (28), equipe aérea da PRF fez sobrevoos na região à procura destes animais. Seguindo os protocolos estabelecidos para este tipo de situação, a equipe estava acompanhada de veterinários que faziam análise e triagem dos casos.

No percurso, diversos animais foram alimentados e hidratados para que houvesse a manutenção básica da vida até que fosse possível a mobilização de recursos de resgate.

Lamentavelmente, durante a triagem dos animais foram encontrados três casos específicos de bovinos atolados na lama, em estado de exaustão e com fraturas de membros. Após análise da equipe veterinária, considerando a impossibilidade de adoção de outras medidas, foi tomada a decisão pela eutanásia daqueles animais. O procedimento foi orientado e supervisionado pela equipe veterinária sob a coordenação do comando da operação de resgate.

A PRF reafirma seu compromisso com a ética, a técnica e a responsabilidade no cumprimento de suas missões nas rodovias federais, nas áreas de interesse da união ou onde quer que se faça necessária em apoio a outros órgãos e instituições.”

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Fotos: foto 1: Adriano Machado/Reuters/EBC/foto 2: Getty Images/Reprodução/foto 3: Reprodução 


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