Meu Guarda Roupa é Hype

Aprendendo sobre a moda confortável e equilibrada das coreanas com Gabriela Song

por: Brunella Nunes

Você tem alma fashionista? Então precisa urgentemente aprender mais sobre a moda confortável e na medida das coreanas, que vão bem além do famoso k-pop. Na ponte aérea entre São Paulo e Los Angeles, a estilista e youtuber Gabriela Song não perde a pose, jamais. Aos 27 anos, ela recorda ao Hypeness que desde a infância tirava muitas fotos, brincava de editar vídeos, adorava se vestir e sabia que ia trabalhar com moda. O destino não falhou e hoje ela explica pra gente como ser elegante até mesmo na fila do pão.

De família coreana, a designer de moda esbanja estilo no Instagram, fazendo um mix entre looks sóbrios, coloridos e monocromáticos. O que não sai de moda mesmo é a finesse inerente às suas origens, que vai da pele de porcelana (com rotina de beleza explicadinha aqui) às vestimentas simplesmente impecáveis. Na linha estética, parece nunca haver pecado pelo excesso e nem pela falta de alguma coisa. Tudo parece em seu devido lugar e proporção.

Mas qual é o segredo, afinal? Diretamente da Califórnia, Gabi traz algumas respostas com base em seu próprio universo, que une tradição e contemporaneidade num equilíbrio invejável.

Pelo o que vejo no Instagram, o estilo das coreanas tem algo um tanto peculiar, mas que não sei definir numa palavra o que é. Geralmente é sóbrio, minimalista e prático. Você usa essas referências no seu dia-a-dia? Quais são suas inspirações na moda?

Quando conversei com uma amiga coreana (uns 4 anos atrás) que mora em Seoul, perguntei sobre o estilo da coreana. Ela me disse que muitas coreanas adoram essa aparência mais frágil, pálida, um pouco mórbida… Eu acredito que ainda hoje, isso se repita. A maquiagem com pele iluminada e pálida, tons rosados perto dos olhos, lábios manchados com um quê de inocência, lentes coloridas… Existem muitos estilos, claro. Mas a mulher coreana que sempre me influenciou, foi essa que possui um mistério, inocência, força na fragilidade, uma mulher fora do tempo.

Eu acredito que a mulher coreana contemporânea procura conforto/aconchego, um caimento impecável, peças clássicas com um quê de moderno. Elas captam as tendências muito rápido, e se vestem muuuito bem. São impecáveis. Tem também o estilo de vida, as tradições e arquitetura que criaram a mulher coreana mais minimalista.

As minhas referências são um mix de tudo que me chamam a atenção. Eu sempre estou muito aberta para qualquer situação do dia-a-dia, para me inspirar. Mas a minha maior referência de moda vem de pessoas que transmitem algo além. Você consegue perceber quando uma pessoa é realmente elegante, porque vem de dentro dela… De um coração genuíno, e isso se transforma nas ações, palavras, pensamentos, escolhas dela. Muitas pessoas com os seus looks me chamam a atenção, mas poucas realmente me inspiram de verdade. Tenho uma amiga que já trabalhou em grandes marcas de luxo e hoje possui uma casa de chá na Coreia. Por ela ter esse espírito tão único dela, tudo que ela veste é maravilhoso, especial. Ela é sábia, as roupas são um reflexo disso.

O que não pode faltar no seu guarda-roupa?

Peças que posso usar em qualquer ocasião. Esse é o lema da mulher moderna: chique, especial e super confortável.

No seu casamento você quis usar um Hanbok, um traje típico da Coreia. Conta pra gente um pouquinho desse momento, da importância que foi para você seguir uma tradição.

Sinto que o casamento foi um reflexo de quem eu e meu marido somos. Nós dois temos pais coreanos e nascemos no Brasil. Amamos estar envolvidos em tudo que acontece em nossa volta, a gente idealizou muito o casamento, cada detalhe. É um pedacinho da gente, do que é verdadeiro e genuíno para nós.

Colocar elementos coreanos no nosso casamento era algo muito natural. Eu sou muito abençoada por minha família ser tão foda. Meus pais e avós sempre nos ensinaram as tradições coreanas, e sempre fizeram questão de nos envolver na comunidade coreana. O meu marido acabou de apresentar o monumento que representa a imigração coreana no Brasil, lá no Bom Retiro.

As minhas melhores amigas são as minhas primas. Uma faz artes visuais, a outra cinema, a outra jornalismo, a outra arquiteta (por sinal, ela junto com seu marido, fez a casa onde nos casamos), o outro trabalha com produção de música. O dia do casamento representou toda essa bagagem, de família e tradição.

Foto: Sarah Falugo

Como você enxerga a inclusão de minorias na moda atualmente? Você já sofreu algum tipo de preconceito nesse meio?

Importante porque crescendo no Brasil, eu não conseguia me identificar com absolutamente ninguém que eu via nas revistas, na mídia. Durante a adolescência eu conheci a música pop coreana e assistia programas e novelas coreanas. Foi aí que comecei a me inspirar mais nas coreanas. Na infância eu era sempre chamada de japonesa pelos brasileiros. E sabendo de todas as dificuldades das minhas avós e avôs durante a guerra, além de outras inúmeras razões, eu não achava legal. Eu não era japonesa.

Hoje, com toda essa atenção na Coreia do Sul, as pessoas começaram a ter mais curiosidade. Não, não é legal porque faz parte de uma moda, tendência para fomentar o mercado, o sistema. E tudo isso sem muita reflexão. Mas também, sinto que as pessoas tomam mais cuidado, tentam se informar e aprender. E isso já é alguma coisa.

Tem que ter espaço para todos. A moda que eu acredito, vive pelas conexões, pela inclusão, aceitação. É um espaço para experimentos, encontros, aconchego, para você se sentir bem sendo quem você é e quer ser.

Aprender o que gosta mais e encontrar seu estilo próprio foi difícil?

Eu nunca achei porque desde pequena “me vestir” foi uma forma de me comunicar, expressar quem eu era. Não era a aluna com as melhores notas na escola, não praticava esportes, e não era aquele modelo perfeito de aluna exemplar. Quando era pequena, sofri muito preconceito por ser oriental no Brasil. 

Com a roupa, encontrei uma maneira de dizer algo, de falar que eu era importante e que eu merecia tanto quanto respeito. Na adolescência eu me vestia muito mas muito maluca, e eu amava. Durante a faculdade, fui me encontrando, experimentando mais e mais. Hoje eu sinto que ainda estou no caminho, mas tenho muitas técnicas e sei comunicar melhor através da roupa.

Tem dias que você está beeeem colorida e em outros, super sóbria. Como funciona a sua relação com as cores e as composições?

Eu sou super eclética. Desde pequena, eu acredito que sempre gostei de causar um estranhamento com a minha aparência. De fazer a pessoa olhar e talvez quem sabe, sentir alguma coisa. Montar looks coloridos é muito mais difícil do que parece. Tenho uma pasta no celular com imagens que me inspiram no momento, e muitas delas não são de looks. Às vezes eu vejo uma embalagem tão linda de alguma coisa e imagino minhas roupas e assim, monto um look. Aprendi a me divertir mais e desencanar mesmo de regras.

Você é consumista? Como é a sua relação com as compras? Se preocupa com a origem das roupas?

Eu sou consumista, mas muito cuidadosa com cada compra que faço. Muitas peças que comprei, fiquei meses pensando nelas, olhando fotos sempre, imaginando com o que e como combinaria. Eu tenho um apego com as minhas coisas, sei tudo que tenho, cuido bem, sempre penso se posso deixar de herança, e tenho roupas desda época da escola que uso até hoje. Me preocupo sim com a origem da roupa, mas ainda compro de marcas fast fashion, não vou negar.

Hoje consumo fast fashion em bem menos quantidade do que antigamente, e sempre pesquiso e penso muito antes de comprar. Tem que ter aquela essência de algo eterno, ou que dure por muito muito tempo no guarda-roupa. Não pode ser fácil de descartar.

Quais são as principais diferenças que você vê em L.A. e SP em termos de street style? SP ainda é careta em relação ao estilo das pessoas?

A principal diferença é que eu sinto que aqui é um pouco mais relaxed, easy. E em São Paulo, um pouco mais urbano, mais montado/a. Acredito que com a internet, muita coisa mudou. SP cada vez mais tem pessoas muito chiques, muito estilosas e looks espertos, inteligentes. Tem de todos os gostos e estilos nas duas cidades. Em tudo a gente precisa enxergar algo precioso.

Teve alguma inovação nos seus looks esse ano? Se sim, o que você aderiu?

Nossa, tantas coisas… Mas talvez a maior foi deixar o cabelo na cor natural e crescer. Eu já tive cabelo loiro, platinado, cinza, vermelho, azul, marrom, laranja… Esse ano deixei o meu couro cabeludo e os fios em paz.

Para a Gabi Song, uma peça fundamental para 2019 é…
Tudo com muito volume!

Foto: Sarah Falugo

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Fotos cedidas gentilmente por Gabriela Song


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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