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Blackfishing, o fenômeno das mulheres brancas se passando por negras no Instagram

por: Gabriela Glette


O verão brasileiro sempre foi lançador de tendências. A cada ano que passa vemos uma moda surgir, ao mesmo tempo que outra passa a ser completamente eclipsada de nossas vidas.

Porém, se um biquíni, esporte ou cor de esmalte parecem, a princípio, inofensivos, algumas tendências precisam ser desconstruídas, já que são pura e completa apropriação cultural, como o fenômeno das blogueiras brancas querendo ser negras no Instagram.

Blackfishing 2

Postar fotografias com a pele bronzeada, lábio carnudo, cabelo afro e acessórios que fazem parte da cultura e etnia negra, vem sendo recorrente em feeds de algumas mulheres, como a ex-BBB Munik Nunes e a blogueira Bianca Andrade, por exemplo.

Talvez alguns até possam classificar a prática como fruto da ignorância, mas o fato é que ela tem nome e chama blackfishing – quando pessoas não-negras se apropriam de itens da cultura afro, utilizando as redes sociais para se auto beneficiarem e até fingirem que são miscigenadas.

Blackfishing 3

Munik Nunes, recentemente publicou uma foto com a seguinte legenda: “bem africaninha”. Parece que ela não entendeu que faz parte de um grupo dominante e privilegiado e que ao fazer isso, não somente está se apropriando de uma cultura historicamente excluída e oprimida, como está indo contra todo um importante movimento de sororidade e empatia.
https://www.instagram.com/muniknunes/?utm_source=ig_embed&utm_medium=loading

O mesmo aconteceu com a blogueira Bianca Andrade, branca, se apropriando do cabelo afro que ela não tem e, claramente, saturando o tom da foto, deixando sua pele muito mais escura do que realmente é. Mais uma vez, ao fazer isso, ela se apropria da beleza negra, mas ignora toda a parte difícil de ser negro no Brasil, que é o preconceito diário e a falta de privilégios. Sua resposta não poderia ter sido mais rasa: “o que eu sei é que nunca xinguei uma dessas pessoas na minha vida! O povo se irrita sozinho”.

Blackfishing 1

Quando uma pessoa branca se apropria de qualquer elemento da cultura negra que seja, ela está valorizando apenas o lado estético e ignorando o principal, que é seu significado e o que ele representa culturalmente. Um cuidado que todos devemos ter, sobretudo figuras públicas e formadores de opinião.

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Fotos 1 e 2: Unsplash

Foto 3: Munik Nunes

Foto 4: Bianca Andrade


Gabriela Glette
Uma jornalista que ama poesia e mora na França, onde faz mestrado em comunicação. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias.

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