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Casa viva: por dentro de uma mini selva urbana nesse apê em São Paulo

por: Brunella Nunes

Onde habitam os gatíneos Baunilha, Benjamin e Raposo? Os três felinos vivem numa mini selva urbana, que na verdade fica dentro de um apartamento em São Paulo. Eles acolhem seus donos, a editora de livros Isadora Attab e o marido Bruno, entre plantinhas espalhadas pelo chão e pelas paredes, formando um abrigo aconchegante e propício para afagos.

Como os gatos estavam ocupados demais com os afazeres do lar, acabamos entrevistando a Isa mesmo, que a cerca de três anos é moradora do bairro Campos Elíseos, próximo ao centrão da Pauliceia Desvairada. Mesmo que esteja vivendo no olho do furacão, é adepta do slow living, respeitando o tempo para: mergulhar nos livros, como parte de sua profissão e hobbie; o regar das plantas; o carinho nos bichanos; e o ato de cozinhar rangos vegetarianos.

A entrada de luz natural colabora não só com as plantas, mas com a leitura do dia.

 

Na parede, bastidores bordados revelam os verdadeiros donos da casa: a tríplice felina

 

Tudo isso transparece na sua conta do Instagram, onde revela parte de seu cotidiano, passando pelos looks, os cantinhos do lar, os rolês e também o lado íntimo, em momentos que reflete sobre a vida. Abaixo, ela conta um pouco desse universo particular em detalhes que podem te inspirar a viver assim, no mesmo relógio de 24 horas, mas com tempo para se debruçar sobre pequenos grandes prazeres.

Por que escolheram morar no Centrão dessa babilônia louca que é São Paulo?

Porque a gente precisa ocupar os espaços da cidade e fazer parte da transformação que a gente quer que a cidade tenha 🙂 O Centro de São Paulo é lindo, histórico e plural e, talvez por tudo isso junto, as pessoas ainda tenham muita reserva sobre ele. Somos do Grande ABC e de Osasco. Quando mudamos para a capital fizemos questão de vir pra cá. Há um movimento já de alguns anos e que vem se estabelecendo bastante de ocupação do Centro por pessoas e estabelecimentos que traz muita vida nova a essa região, o que só deixa tudo ainda mais gostoso. Fazemos tudo a pé ou de metrô, conhecemos lugares incríveis, criamos uma comunidade no bairro e não trocamos por nada no mundo.

O conceito de “urban jungle” está na moda, mas as plantas não sobrevivem dessa forma, apenas como item decorativo. Como a ideia de cultivá-las entrou na vida de vocês e quais foram os principais erros e acertos ao longo desse processo?

Então, nunca foi uma questão de moda pra gente justamente porque cuidar de plantas - que, as pessoas esquecem, são seres vivos, que precisam de atenção constante ,  dá trabalho e exige paciência. Começamos a colocar plantinhas em casa porque sentíamos falta das que tínhamos nas casas em que crescemos, e vimos que além de alegrar os dias, essa rotina que construímos em torno delas só nos trazia paz e minutos de sossego no meio da bagunça do cotidiano.

Com o tempo fomos aprendendo a cuidar de uma maneira muito mais intuitiva,  com menos “tem que regar 2x por semana” e mais “colocar o dedo na terra e ver se está seco ou úmido” - e também as espécies que se encaixam mais na disposição da casa, onde bate mais ou menos sol, onde vão melhor.

Como vocês dão conta de cuidar de tantas plantinhas? Dá pra controlar esse vício? 

Tem que ter paciência e incluir na rotina como qualquer outra atividade. Hoje em dia, gasto cerca de 15 a 20 minutos por dia borrifando água/regando elas, e no final de semana faço uma pausa maior para ver quem está precisando do quê. Realmente, quando você vê que elas transformam a casa e inspiram a vida, não dá vontade de parar de comprar, mas né: a gente precisa saber do que dá conta, porque são vidinhas, não dá pra simplesmente colocar ali e esperar morrer, não funciona assim.

Se pudesse descrever a sua casa hoje em poucas palavras, como descreveria?

Nossa casa é construída aos poucos, com calma e sem pausa: tem sempre algo mudando de lugar, porque tem sempre algo mudando na gente. Ela é aconchegante, com ares de jardim e de casinha, mesmo no Centro de São Paulo.

De onde surgiu a inspiração para a decoração do local?

Tudo o que circula a nossa vida me inspira: filmes, viagens, a internet. Não dá pra falar que vem de um só lugar, porque a gente também não é só de uma maneira. A gente mistura muita referência do que as pessoas estão chamando agora de “urban jungle”, jardins urbanos, mas porque sempre moramos em casas repletas de plantas, e não poderia ser diferente. Também gostamos de um estilo mais “com cara de antiquário”, e amamos garimpar móveis e objetos de decoração nas lojas de usados do Centro.

Qual foi a primeira coisa que vocês garimparam pra esse apê e qual item da casa é o favorito?

Não é garimpo, mas a primeira coisa que compramos pra casa foram as cadeiras da sala, numa referência bem Pinterest. Hoje em dia, nem acho que elas combinem mais com o restante da decoração, porém na época compramos e guardamos na garagem da casa dos pais do Bruno, meu companheiro, para o dia que pudéssemos mudar pro apê. Mas na sala está a estante de madeira antiga que garimpamos num antiquário da rua. É linda, o xodó da casa e foi um achado!

Relíquias de época: o pulo do gato para agregar valor em qualquer decoração.

Existe alguma coisa ou tipo de decoração que você acha legal mas não consegue ou conseguiria colocar na sua casa?

Eu sempre dou um jeito de inserir detalhes de coisas/estilos de decoração que eu acho legal em casa porque não acredito muito nesse formato engessado de “uma casa tem que ter um estilo”. Se vejo algo mais industrial que acho massa, penso onde está com uma carinha mais romântica e coloco pra compensar, se encontro alguma coisa coloridona que acho maravilhosa, vai pra um canto da casa mais neutro. Isso de ‘estilo’ é muito coisa de revista de arquitetura, não acho que nada muito estático funcionaria dentro de casa, porque a casa é viva! Por isso acredito que essa tendência escandinava, super clean e minimalista, hoje não funcionaria de jeito nenhum com a gente.

Como foi o processo da reforma da casa para que ela ficasse como está hoje?

Nunca fizemos uma reforma “completa” no apartamento: antes de mudarmos, demos uma pintura geral, tinta branca em todas as paredes, arrumamos o que era muito necessário. O resto, fazemos aos poucos ao longo desses 3 anos e, na maioria das vezes, com as próprias mãos. Assim fizemos a parede de cimento queimado da sala, as paredes coloridas do corredor, do quarto e do escritório, e os 10 milhões de furos de pregos nas paredes todas dos cômodos [risos]. Não gostamos da ideia de uma reforma única, feita com arquiteto, que vai deixar as coisas definitivas. A casa da gente é viva!

Qual o cômodo preferido da casa? Por quê?

A sala, dentro desse conceito de “casa viva”, é a que mais reflete hoje quem a gente é e onde a gente quer estar. Mistura plantinhas, aconchego, móveis confortáveis e com a nossa cara, reúne os amigos, abarca jantares, é o lugar do cochilo da tarde, onde bate sol. O cômodo que a gente mais usa e mais gosta.

Quem tem uma cama aconchegante não quer guerra com ninguém, né?

Isadora Attab pronta para sair e para chegar em casa com seu look confortável

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Fotos cedidas gentilmente por Isadora Attab


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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