Desafio Hypeness

Estive no BBB e a sensação é parecida com sonhar que está pelado na escola

por: Rafael Oliver

Publicidade Anuncie

Provavelmente você já se imaginou dentro de um reality show. Pode ter sonhado com isso. Ou até ter sido um pesadelo…

Sabe aquela coisa de sonhar que estava pelado na escola? Pelo o que posso te dizer, a sensação é meio essa aí…

Estar confinado no mesmo local por semanas ou até por meses. Sem contato com o mundo exterior, sem celular, sem internet, convivendo com pessoas que nunca viu na vida, sendo observado por diversas câmeras durante todo o tempo. Para  muitos, uma experiência assustadora. Para outros, um grande sonho, a porta de entrada para a fama.

O Hypeness foi um dos convidados a ficar confinados por algumas horas na casa do reality mais popular do Brasil, o Big Brother Brasil, o tradicional BBB, que chega à espantosa 19ª edição.

Entre os “brothers”, jornalistas de outros veículos e influenciadores como Gina Indelicada e a dupla Diva Depressão deram o ar da graça. Estávamos livres pra curtir a casa do modo que a gente quisesse, respeitando as regras. Não faltou advertência pra quem as descumpriram: o famoso alarme era disparado seguido da voz do Big Boss, que anunciava a infração.

Piscina, provas, comidas e bebidas tiram sua atenção. Mas não são suficientes pra te fazer esquecer que têm dezenas de pessoas atrás dos espelhos, te observando sem parar.

Tudo o que fizer, ficará registrado.

É um sentimento estranho: você está totalmente exposto, entregue, vulnerável. Não há pra onde correr – até no banheiro tem câmera. Caraca… é preciso estar disposto a tudo isso para entrar num programa como esse. E eu que já julguei muito do outro lado da telinha nem sonhava que fosse tão complexo.

 

‘Tô sendo eu mesmo aqui dentro da casa’

Jura? Essa frase é clássica. Os participantes fazem questão de dizer que não estão atuando, que estão sendo verdadeiros. Mas será mesmo possível manter o mesmo comportamento da vida real dentro da casa?

Para descobrir a resposta, basta olharmos para nossas redes sociais. Publicamos coisas boas, momentos bons e escondemos as coisas ruins. Agora, imagina estar na TV com milhões de pessoas te vendo 24h por dia…

Pelo menos no começo, é muito difícil ser quem é o tempo todo. Você quer causar boa impressão, socializar, fazer parte do grupo. É da natureza humana.  Sou eu e é você.

Nos unimos à partir de afinidades, similaridade ideológica, estética ou só por interesse mesmo. Somos interesseiros, sim. Ainda que a gente passe muito pano para nós mesmos. Lembra do filmaço ‘O Show de Truman’? Então, é bem por ali. Apenas o Jim Carrey não estava atuando. De resto, se tem câmera, você acaba reagindo diferente, editando a personalidade.

Então, amigo. Eu, que estive ali, te digo: é treta demais ser o Oliver com tanta gente me vendo.

Além das câmeras, tem gente escutando o tempo todo. Se você tem mania de falar sozinho, por exemplo, pode passar por uma situação bem constrangedora quando se lembrar do microfone em seu pescoço. Sim, aconteceu comigo, não me julguem.

 

 

‘Isso é tudo combinado!’

“Eles seguem roteiro”, “tudo manipulação” e “já foi tudo gravado antes” são algumas frases que as pessoas falam por aí (beijos, tia Ivone). Aliás, teoria da conspiração que está aí vivona desde quase duas décadas depois do primeiro programa. Ela se perpetua e a cada ano se renova com diversas fake news.

Não, o programa não é combinado. Desculpa desanimar vocês aí. Mas ainda dá para acreditar que a Terra é plana. Tem um montão de gente que pensa assim agora.

Combinar tudo daria muito mais trabalho e, se os participantes fossem tão bons atores, estariam todos na novela das 9. A produção tem forte influência, mas na hora da edição. Mocinhos e vilões são construídos ali, nos bastidores.

Rodrigo Dourado, diretor geral, é quem comanda. Mas ainda cabe aos telespectadores tirarem suas próprias conclusões.

‘O Brasil tá vendo’

E também o Suriname, Macedônia, Zimbabwe e mais de 100 países pela Globo Internacional, querida…

A relação que o participante tenta criar com o público é notável. A necessidade da popularidade, seja pra ganhar o prêmio ou uns likes no insta, é comum entre brothers. Nem sempre o público está vendo o que o participante gostaria. Mas quase sempre estão vendo o que eles próprios querem ver. Se você é uma pessoa do bem e de fácil relacionamento, provavelmente vai passar uma boa impressão para o público. Em poucas horas dentro da casa, já estava claro quem iria para o paredão – se houvesse um. Grupos já tinham se formado.

E até complôs contra participantes foram destacados pelo apresentador Tiago Leifert, que conversou com o grupo no final da experiência.

 

A experiência vivida dentro da casa é única. Porém nos lembra muito do que vem acontecendo com o mundo de uns tempos pra cá.

As câmeras dos celulares juntamente com as redes sociais estão tornando nossas vidas um grande reality show. Já parou pra pensar até que ponto vivemos nossas próprias vidas? Será que estamos virando personagens de um espetáculo? Estamos pensando por nós mesmos? Será que estamos esquecendo o que é real?

No fim, nem precisa estar no BBB para ser vigiado o tempo todo. Sim, isso é muito Black Mirror…

Publicidade Anuncie

Divulgação (Victor Pollak/TV Globo)


Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Malvino Salvador e Caio Castro vão formar um casal em nova novela da Globo