Debate

Governador do Rio censura exposição que teria performance sobre tortura e ditadura

por: Redação Hypeness

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O Rio de Janeiro foi palco de mais uma decisão controversa envolvendo expressões artísticas e o governo. A Secretaria de Cultura mandou fechar no último domingo (13) a exposição Literatura Exposta, que estava em exibição na Casa França-Brasil.

O evento chegou ao fim antes da apresentação de uma performance fazendo alusão à tortura durante o período da ditadura militar. És Uma Maluca contém cenas de nudez e críticas aos anos de chumbo. As mulheres interagem com a obra A voz do ralo é a voz de deus, que já havia sido alvo de intervenções da Casa França-Brasil.

A instalação conta com seis mil baratas de plástico em volta de uma tampa de bueiro, de onde saiam trechos do discurso de Jair Bolsonaro (PSL).

As baratas seriam expostas com áudios de discursos de Jair Bolsonaro

O áudio com a voz do presidente eleito foi vetado pelo então diretor, Jesus Chediak e o secretário de Cultura da época, Leandro Monteiro. Para driblar a proibição, os organizadores usaram uma receita de bolo, recurso utilizado por jornais nos tempos da ditadura.

Literatura Exposta estava em cartaz desde 4 de dezembro. O curador, Álvaro Figueiredo, publicou no Facebook um texto acusando o governador Wilson Witzel pelo encerramento precoce da mostra.

“Fecharam nossa exposição um dia antes da data oficial como forma de impedir que as performances acontecessem”, finalizou acusando o Estado de censura.


A Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro se defendeu em nota à imprensa. Segundo o órgão, a programação de domingo não faz parte do contrato firmado.

“A decisão foi tomada devido ao descumprimento do contrato assinado entre as partes em 3 de julho de 2018 e que prevê o cancelamento unilateral em caso de descumprimento das obrigações estabelecidas”.

Ruan Lira, secretário de Cultura e Economia Criativa, segue dizendo que “o objeto contrato não inclui a programação informada para o último dia do evento. O que vai ocorrer dentro de um equipamento público, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) precisa estar documentado”.

Ao Fantástico, o curador da exposição revelou ter um e-mail em que a Casa França-Brasil diz não se opor à performance com nudez. Nas redes sociais, o coletivo programou uma manifestação para a tarde de segunda-feira (14) na porta do local.

Queermuseu

Ainda em 2018, a exibição da mostra Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira precisou lutar contra a censura.

Em Salvador, ela quase não aconteceu por causa da falta de segurança. Os motivos? Grupos de extrema-direita acusando a exposição de promover a ‘pedofilia’ e a ‘zoofilia’.

‘Queermuseu’ foi proibida em Porto Alegre

Embora tenha sido cancelada em Porto Alegre pelo Santander Cultural, a Queermuseu resistiu e graças aos esforços de um financiamento coletivo endossado por nomes como o do cantor Caetano Veloso, conseguiu desembarcar no Rio de Janeiro depois de arrecadar mais de 1 milhão.

A exposição pretende debater a diferença e a diversidade das expressões artísticas. A busca é compreender a complexidade e amplitude do que significa ser queer. O encerramento ocorreu em uma noite histórica no Parque Lage.

No Rio, a exibição foi encerrada com show histórico de Ney Matogrosso

“Fiquei muito impressionado com todo o movimento em torno da exposição, com sua abrangência, com o fato de todos os monitores serem LGBT. Quis fazer parte disso de alguma forma, a exposição está fazendo história”, disse um emocionado Ney Matogrosso.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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