Criatividade

Matpakke: O que o lanche simples e feito em casa revela sobre a Noruega

por: Vitor Paiva

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Todo dia, em escritórios, escolas, universidades e prédios públicos, por volta de 11h30 da manhã, a Noruega para.

Em uníssono, boa parte da população se prepara para se alimentar e dar continuidade a uma antiga e curiosa tradição, que parece dizer muito sobre o país e os noruegueses: é hora do matpakke, um lanche que, mais do que uma refeição, tornou-se uma verdadeira instituição do país de quase um século.

Engana-se, porém, quem pensa se tratar de uma saborosa iguaria: o matpakke é essencialmente um sanduíche seco e pouco sedutor.

Exemplos de matpakke

Trata-se normalmente de quatro fatias de pão integral empilhadas, normalmente pouco frescas, devidamente recheadas com peixe, queijo ou outra carne, pepino, maionese ou caviar.

O sanduíche vem embrulhado em papel-manteiga especiais para o matpakke, acompanhado de uma fruta, iogurte ou suco. O lanche é embrulhado e levado para o trabalho ou para os estudos como a refeição do dia.

Tudo começou nos anos 1920, quando a Noruega era ainda um país pobre e em dificuldade. O governo, então, lançou a “Oslo Breakfast”, uma campanha na qual uma refeição era oferecida às crianças a fim de melhorar os hábitos alimentares.

O dinheiro público era escasso, e, aos poucos, as próprias famílias tomaram para si tal iniciativa. Nascia aí uma tradição. O matpakke segue como também uma maneira de regular o orçamento e a saúde: para se ter uma ideia do quanto a alimentação pode ser cara no país, uma promoção do Big Mac custa quase 85 reais. O país, aliás, é o terror para os fãs de fast food, com tudo muito, muito caro.

O sabor pouco convidativo é visto com humor como um elemento simbólico nacional – segundo nativos, o matpakke deve ser fácil de fazer, de carregar, de comer. O sabor vem em segundo plano.

Tudo é sobre organização, otimização do tempo, rotina. Seja como for, tornou-se uma maneira de alcançar autonomia, economia e barriga cheia, unindo o país em uma curiosa tradição.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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