Debate

Milícia é suspeita do ataque a tiros contra deputada no Rio; Martha convivia com ameaças

por: Redação Hypeness

A deputada estadual Martha Rocha (PDT) foi alvo de um ataque a tiros no Rio de Janeiro. O crime aconteceu na Penha, zona norte da cidade, e deixou o motorista da parlamentar ferido na perna.

Antes do ataque, Martha Rocha recebeu pelo menos três ameaças de morte. A ex-chefe da Polícia Civil do Rio revelou ligações de membros da milícia. As informações foram passadas pelo Disque-Denúncia.

Segundo ela, o fato chegou ao conhecimento do o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, do interventor federal Braga Neto e do general Richard Nunes, secretário de Segurança Pública do Rio.

A deputada diz ter comunicado autoridades sobre ameaças

“Recebi essas três denúncias que diziam que um segmento da milícia planejava atingir autoridades, dentre elas, em letras garrafais, estava o meu nome. Em reunião com os generais Braga Neto e Richard Nunes, eu disse que desejava uma análise de risco para dizer se as notícias tinham ou não fundamento”, declarou a deputada aos jornalistas na porta da Delegacia de Homicídios (DH), na Barra.

Martha Rocha afirma que recebeu de Gilberto Ribeiro, antigo subchefe operacional da Polícia Civil, a oferta de escolta por um mês. “Eu respondi que queria tão somente uma análise de risco, porque também não entendo o que é oferecer uma escolta por apenas um mês. Depois disso não fui mais procurada”. A deputada conta que para preservar a sua vida e dos funcionários circulava com carro blindado.

“Comprei, em virtude dessas informações, um carro blindado de minha propriedade no fim do ano”.

Ela não acusa a Polícia Civil de negligência, no entanto pede explicações sobre o ocorrido, especialmente pelo envolvimento de setores da milícia. “Se houve ou não algum tipo de ausência de cuidado quem tem que explicar são eles, até porque eu não sei qual é a motivação desse fato. A Polícia Civil inteira sabe que, na minha atuação como delegada, enfrentei a milícia”.

Tiros na Penha

O crime aconteceu por volta das 9h da manhã de domingo (13) na Penha. Martha Rocha estava com a mãe, de 88 anos, no carro. Ela foi surpreendida por um veículo branco com um fuzil do lado de fora. De acordo com o relato, um homem com roupa preta e toca ninja colocou o tronco para fora e fez os disparos.

“Estava na Penha, onde mora minha mãe de 88 anos, quando o carro apitou avisando do cinto de segurança. O motorista reduziu a velocidade, acertou o cinto, e foi quando eu percebi o olhar de preocupação dele. Questionei e ele respondeu ‘aí atrás’. Foi quando vi um (carro) Cetra branco com fuzil do lado de fora, que emparelhou com o nosso. Um homem com roupa toda preta, luvas pretas e touca ninja no rosto botou o tronco para fora e fez disparos”, finalizou.

Martha andava de carro blindado

Embora o atentado envolva o nome de uma parlamentar eleita, o governador diz que a linha inicial de investigação trabalha com tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte). Wilson Witzel ressalta que a informação foi passada pelo delegado Giniton Lages, chefe da Divisão de Homicídios e pelo secretário da Polícia Civil, Marcus Vinicius.

“Não queremos leniência na investigação contra quem quer que seja no crime organizado. Quando eu digo crime organizado é dizer os participantes do narcoterrorismo e também os milicianos, que não deixam de ser outros também pertencentes a esse tipo de organização terrorista que vem atingindo nosso Estado do Rio de Janeiro”, afirmou.

O motorista é um ex-policial militar reformado e já teve alta. Martha e a mãe não foram atingidas.

Marielle Franco 10 meses depois

Eleita a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL) foi morta a tiros ao lado do motorista Anderson Gomes. O ataque aconteceu de modo similar.

A morte de Marielle Franco está perto de completar um ano sem solução

A parlamentar foi alvejada quando voltava de um encontro de mulheres negras. O crime ocorreu no centro do Rio de Janeiro. Mais de 300 dias depois, o Estado não conseguiu apontar os responsáveis pela morte de Marielle e do motorista.

Instituições como a Anistia Internacional cobram medidas efetivas do governo para a resolução do assunto. A suspeita é de que vereadores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tenham envolvimento com o homicídio.

“O ano de 2018 terminou sem que o Rio de Janeiro, sob intervenção federal na área de segurança pública, tenha conseguido solucionar o caso. A nova gestão do governo do estado tem o dever de assumir esta responsabilidade e não deixar o caso sem solução”, cobrou Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional.

Wilson Witzel disse que o caso está perto de ser solucionado e que os assassinos podem ser presos ainda em janeiro.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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