Debate

Nego do Borel precisou aprender que apoio aos LGBTs vai muito além do pink money

por: Redação Hypeness

No meio de 2018, Nego do Borel lançou Me Solta. Durante o clipe produzido por Kondzilla, o cantor aparece beijando outro homem. A postura causou polêmica, especialmente entre a comunidade LGBT, que acusou o funkeiro de querer se promover. O papo do pink money.

Eis que em 2019, o mesmo Nego do Borel que se dizia defensor da diversidade, aparece ofendendo a travesti Luisa Marilac. Como você deve saber, ele a chamou de ‘homem’ em um comentário no Instagram.

“Você é um homem gato também. Parabéns, deve estar cheio de gatas”, escreveu em resposta ao elogio.

Nego do Borel escorregou

Marilac deixou um elogio na foto postada pelo funkeiro. A travesti, conhecida pelos vídeos bem humorados nas redes sociais, nunca escondeu a admiração pelo artista. Ao menos não escondia.

A postura do funkeiro surpreendeu Marilac e arranhou sua imagem. Ela diz ter perdido um dos patrocinadores depois da polêmica.

“Perdi um patrocinador por causa disso, ele disse que não gostava de barraco. Era uma grana boa. Eu parei de me prostituir e vivo com esses contratos por ser influenciadora digital. O índice de vida de um brasileiro é de 70 anos, de uma mulher como eu, é de 35. Sou uma sobrevivente”, explicou ao jornal Extra.

Luisa Marilac diz ter perdido um patrocinador por causa da polêmica

Não se sabe ao certo se por pressão da assessoria de imprensa ou vontade pessoal, mas Nego do Borel gravou um vídeo pedindo desculpas pela atitude. Ele justificou que estava apenas brincando com a autora do meme “se isso é estar na pior”.

“Luísa, eu quero te pedir desculpas do fundo do meu coração pelo o meu comentário. Realmente eu errei, me perdoa. É um jeito meu que eu estou tentando mudar aos poucos, a gente vai mudando, lapidando aos poucos”, encerrou.

Desculpas e pink money

A apropriação cultural é um assunto que vem se intensificando nos últimos tempos no Brasil. Membros do movimento negro e a própria comunidade LGBT contestam posturas de artistas e alguns setores da mídia que embarcam na onda do ‘empoderamento’ e ‘diversidade’ de olho no poder de compra destes setores. Nascem assim os termos pink money black money

A dicotomia de Nego do Borel, Nega do Boreli no clipe lançado ano passado, é um belo exemplo. Talvez o artista esteja mesmo aprendendo com os deslizes, mas fica difícil acreditar que uma pessoa que aparentava ser tão empoderada ao beijar um homem, reproduza preconceitos. Ou será que as aparências realmente enganam?

“Uma campanha publicitária direcionada aos LGBT tem objetivo mercadológico, no primeiro momento, e isso não é errado. O problema é se as empresas pensam apenas no faturamento e dentro de casa ou no atendimento ao cliente são preconceituosas. Essa máscara cai”, declarou ao UOL Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT no Brasil.

O funkeiro disse que estava ‘brincando’ e pediu desculpas

Ainda em 2018, Nego do Borel foi visto em fotos ao lado do então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), conhecido por falas homofóbicas. Olha o pink money aí de novo…

O público LGBT no Brasil é formado por cerca de 18 milhões de pessoas. A renda média é de R$ 3.200. Grande parte do público consumidor está nas classes A e B. Por ano, são movimentados cerca de R$ 150 bilhões de reais. A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, é grande case de sucesso.

No entanto, o Brasil é o país que mais mata gays, lésbicas, travestis e transexuais. O Grupo Gay da Bahia (GGB) registrou aumento de 30% nos homicídios de LGBTs em 2017. Em um ano, as mortes passaram de 343 para 445. A cada 19 horas, um LGBT é assassinado ou se suicida.

Muitos dos óbitos são fruto de de ‘brincadeiras’, o problema é que não dá só pra pedir desculpas. Diversidade é compromisso, não moda.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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