Debate

Tradição X liberdade feminina: porta-bandeira ensaia de top e gera polêmica nas redes

por: Redação Hypeness

As críticas contra a porta-bandeira da Independente, que ensaiou no Sambódromo do Anhembi vestindo um top, promoveram debates acalorados sobre machismo e conservadorismo no Carnaval.

Jéssica Passos foi surpreendida ao voltar de mais uma etapa de preparação para a noite de desfile no Grupo de Acesso do Carnaval paulista. Seu nome estava na literalmente na boca do povo.

No Facebook, a página Ouvi Dizer – feita para comentar assuntos ‘curiosos’ sobre a festa popular, fez uma postagem criticando a postura da porta-bandeira. “Foi liberado porta-bandeira usar top. Pode isso, produção?”, questionou.

Dá pra debater o peso do machismo no Carnaval

Suficiente para o crescimento de um debate quente sobre etiqueta no ambiente do Carnaval. Para algumas pessoas, seguidoras do cronograma mais rígido e conservador da festa, uma porta-bandeira precisa estar em consonância com as regras de vestimenta.

No entanto, muitas mulheres (incluindo colegas porta-bandeiras) saíram em defesa de Jéssica. No Instagram, elas postaram fotos vestindo a tradicional saia rodada e um top. Elas destacaram ainda o fato de estarem ensaiando.

“Podemos ensaiar de top, de blusinha, do que quisermos. Isso não interfere em nada na nossa dança. O jurado não vai me tirar um décimo porque eu estava ensaiando de top. Já ensaiei assim outras vezes e nunca foi um problema”, declarou Jéssica ao UOL.

Não custa lembrar que estamos no verão e os termômetros em São Paulo marcando 34 graus. De noite, temperaturas médias de 23, 24º C.

Outras porta-bandeiras apoiaram Jéssica

“A gente ensaia num calor violento. Não vou me privar, correr o risco de passar mal. A porta-bandeira tem que vestir o que é mais confortável para ela”, completou a representante da Independente.

O autor do site se coloca com um verdadeiro perito no assunto. Ele se descreve como um  “educador físico, bailarino, dançarino, coreógrafo, coreógrafo técnico de mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente”. Em dez parágrafos, ele defende a tese, mas diz que só fez uma pergunta.

Entre os comentários, teve gente que passou do ponto e flertou com o machismo. Chegaram a dizer que a porta-bandeira foi ‘ousada’ na atitude.

“Daqui a uns dias elas vão estar de biquíni, maiô, tapa-sexo. Aí, algumas dizem que é modernidade, assim como dançar de cabelo solto. Acho horrível”, disse uma pessoa.

Jéssica, por sua vez, parece não ter se abalado. Além de ter tido que tais dogmas não são aplicados com a mesma rigidez no Rio de Janeiro, ela destacou a influência do machismo e inibição da liberdade feminina. “Além da questão das formalidades, acho que meu caso envolveu uma pitada de machismo”.

Falando em Rio de Janeiro, os cariocas podem celebrar um feito histórico. Pela primeira vez, uma mulher será mestre de bateria na folia. Leia mais aqui na reportagem.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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